Resenha Game: Remember Me (Xbox 360)

quarta-feira, julho 24, 2013

Remember Me, o recente jogo da Capcom lançado junto com o estúdio francês estreante Dontnod para Xbox 360, PCs e Playstation 3, logo foi um atrativo pra mim. Claro, a já ter visto pelos vídeos e descrições, o game já não se mostrava lá muito complexo para aquele que procura um desafio enorme a mundos abertos, mas em contrapartida atraía pessoas como eu, ligadas em jogabilidade intuitiva num tradicional game de luta.

No game somos apresentados ao futurismo distópico de NeoParis em 2084 que mostra uma sociedade controlada por uma corporação chamada Memorize. Essa empresa administra o novo vício da humanidade - a reposição memorial, basta escolher uma nova lembrança que ela o fornece. Legal né? Só que o problema é que a Memorize pede sua memória em contrapartida, e tudo que você é e já foi é confiscado pela companhia, instalando assim um controle absoluto na população mundial. - Por isso toda notícia de cientistas que inventam um aparelho capaz de ler as mentes já me assusta.

Voltando a assunto, como todo domínio pede por uma revolta, um grupo de rebeldes chamados Errorists lutam contra o domínio da Memorize. Presa, Niilin, uma caçadora de memórias que foi sequestrada pela Memorize e começa a jornada sem lembrar do passado, é.guiada por Edge, um amigo da resistência, partindo em uma missão que visa a destruição da Memorize e que revelará mais sobre a própria vida.

Logo de cara pela sinopse notamos que qualquer semelhança com o clássico 1984 de George Orwell não é mera coincidência. Felizmente o game toma essa inspiração distópica ao seu favor e não poupa questionamentos ao governo e ao ser humano, subjulgado, e em sua insistência a se deixar se levar pelos seus próprios vícios causando assim sua auto-destruição. É um enredo didático que, mesmo não sendo inédito, pelo contrário, prende o jogador e dá todo carisma a Niilin em sua busca para recuperar pedaços de seu passado. Não demorou muito para me sentir envolvido pela história, que aos poucos vai se revelando de forma mastigada sem ser apressada.

Niilin é uma poderosa, talvez a melhor do grupo de rebeldes Errorists, ela também pode acessar memórias e nesse momento o game mostra um potencial até então inédito. Niilin acessando as memórias pode alterá-las a seu gosto e assim a cada alteração de cada acontecimento chave, modificar o futuro da cena, e logo, a lembrança do personagem afetado. Tudo é feito com os dois analógicos do controle, retrocedendo e avançando como se fosse uma fita VHS no melhor estilo A Origem, e mostra um conceito interessantíssimo do game com grande potencial.


A jogabilidade se foca na luta e apresenta combos destraváveis - no caso você inicia com dois - a medida que você evolui no jogo, e personalizáveis, onde no laboratório você pode dar o tom de seu combo, se ele se foca em força, health, ou para seus especiais chamados S-Pressens, tudo na sequencia de botões correspondentes se focando em X e Y. Tendo personalizado seus combos, na hora da luta, acompanhando pela parte de baixo do vídeo, cabe ao jogador executá-los de forma correta e com a devida paciência, já que acertando a sequência o seu health é cheio aos poucos assim como o seu especial. Algo fundamental e bem vindo, já que isso acaba com aqueles incessante apertar de botões que poderia ser e se foca mais em um jogo de luta realmente.

Os cenários da Neo-Paris são apocalipticamente bonitos e bem feitos, lembrando muito filmes como Blade Runner e O Quinto Elemento, com uma trilha sonora que foge também de uma óbvia música eletrônica tipo Daft Punk que é um clichê de jogos futuristas. Remember Me é um ótimo jogo e me envolveu bastante, entretanto contrapondo suas qualidades há os defeitos impossíveis de se ignorar.


O game é uma ótima mistura de Prince of Persia com uma espécie de Deus Ex, e utiliza vários conceitos já usados em outros jogos, só que a Capcom cai nessa armadilha e deixa Remember Me também repetitivo em certo momento, na verdade você avança pelo game na curiosidade pelo fim da saga de Niilin e não pela jogabilidade ser viciante. A quantidade baixa de combos desanima assim cooa personalização dos mesmos, que pouco ou nada alteram os movimentos de Niilin. 

O cenário como disse é apocalipticamente lindo só que não é interativo, e é justamente por isso que careci de uma maior interatividade com ele, além de não ser nada atrativo para buscar colecionáveis. Não peço um mundo aberto, isso iria contra o conceito do jogo e na verdade nem sou fã de tal estilo, mas por exemplo faltou se inspirar mais na ideia de um Bioshock Infinite em que você que podia explorar o cenário, mas sem se perder num mundo aberto. Tanto que há as setas laranjas indicando por onde você deve ir, algo que não me atrapalhou pra jogar o game, pelo contrário, mas soou muito mastigado e desnecessário. Bons tempos não tão distantes de Prince of Persia em se precisava observar o cenário para saber pra onde pular.

Apesar de um ótimo jogo, a Capcom desperdiçou muitas boas ideias e apesar de um game bem feito, por esses defeitos, Remember Me pareceu-me ter sido um lançamento apressado, já que trabalhando mais essas boas ideias se poderia chegar a um game bem mais profundo e original. Todavia, a Capcom também deu uma profundidade no roteiro jamais vista por mim em outros jogos no estilo e é uma futura franquia com potencial de melhora muito grande. 

Resumindo, não é uma experiência indispensável no Xbox 360, mas para quem gosta do gênero é uma ótima pedida.

Postado por André Prado
Estudante de publicidade, formado em nerdices em geral, pós graduado em Netflix, e phD em piadas idiotas. Gasto dinheiro em comida e com livros que não tenho tempo pra ler.

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