Resenha CD: Amebix - Sonic Mass

Ao contrário do que possa parecer, o Amebix é uma banda já velha de guerra que de 1978 a 1987 gravaram dois álbuns de estúdio e é tida como uma das bandas pioneiras do "crust punk" na Inglaterra.

Não conhece o estilo? Também não conhecia. Mas após uma pesquisa no deus Google, fazendo um pequeno resumo, li que o tal crust punk é um gênero associado ao anarco-punk que surgiu no final dos anos 70 e começo dos anos 80, que reúne um som alegre e sombria ao mesmo tempo com letras baseadas no pessimismo que perdura sobre a política e sociedade niilista, assim como ao fascismo e opressão.

Como a larga maioria das bandas do seu tempo, principalmente naqueles tempos em que se tinha que batalhar mesmo por um lugar ao sol (leia-se acesso as gravadoras), o Amebix apesar do reconhecimento (até de bandas como o Sepultura) nunca alcançou um grande contrato com uma gravadora. Por sua convivência difícil em que eram obrigados até a comer sobras de lixo, tais fatos refletiam diretamente em suas letras, assim como em seu estilo. Com influências que iam de Motorhead, Black Sabbath até Bauhaus e Joy Division, a banda chegou a seu fim em 1987, mas em 2008 se reuniram e gravaram o álbum "Sonic Mass" cuja resenha vai pra ele.

Formado pelo power-trio Rob "The Baron" Miller nos vocais, Stig nas guitarras, e na bateria percussão e teclado o mais conhecido Roy Mayorga atual baterista do Stone Sour que já passou pelo Soufly. O Amebix em "Sonic Mass" nos entrega uma viagem sonora resumindo bem as influências que disse no parágrafo passado. De Bauhaus e Joy Division a melodia presente fortemente, e o peso que vem de um Black Sabbath, com a sujeira de um Motorhead, mais a "cara" de uma geração da qual fizeram parte.

A primeira faixa "Days" exemplifica bem isso. Com o dedilhado na guitarra e vocais suaves, dando até a pinta de um lado mais comercial e melancólico que um Joy Division com doses de peso faria. Já a seguinte "Shield Wall" serve como um rito de passagem pra pesada "The Messenger", em que os roucos vocais de Rob Miller finalmente aparecem. "God of Grain" tem uma pegada mais rápida e sombria, contrapondo bem com a cadenciada e praticamente ausente de vocais "Visitation". Tendência que também se mostra nas duas partes de "Sonic Mass"; enquanto a primeira parte traz uma belíssima melodia ao violão, mostrando a bela e versátil voz de Rob Miller, a segunda adentra o caos. A "Here Come The Wolf" exemplifica bem o lado alegre que se faz presente no crust punk e tem um refrão e riff grudentos. E já que falamos em riff, na minha opinião "The One" é a mais matadora; ao lado da ultima faixa "Knights Of The Black Sun" que na sua construção e melodia - ao lado da abertura com "Days" -, superou as anteriores do álbum.

Acabei ouvindo a banda através da recomendação de um amigo. E ao lado do Texas Hippie Coalition (também uma ótima descoberta dele), o Amebix foi uma das minhas tardias descobertas ("Sonic Mass" foi lançado em 2011) que merecem um monte de adjetivos.

É admirável que uma banda mal sucedida em seu passado e competente em todos esses anos, após 24 anos consiga lançar um trabalho tão consistente em que todas as 10 faixas de "Sonic Mass" se compõem como uma só. Prova de que a modernidade só vem a acrescentar. Bravo Amebix!

Tracklist:
  1. Days 4:05 
  2. Shield Wall 1:54 
  3. The Messenger 4:16 
  4. God Of The Grain 4:14 
  5. Visitation 6:46 
  6. Sonic Mass Part 1 3:36 
  7. Sonic Mass Part 2 3:54 
  8. Here Come The Wolf 3:46 
  9. The One 5:12 
  10. Knights Of The Black Sun 5:46

Estudante de publicidade, formado em nerdices em geral, pós graduado em Netflix, e phD em piadas idiotas. Gasto dinheiro em comida e com livros que não tenho tempo pra ler.

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