Como a silver-tape salva a sua vida e o mundo!

quarta-feira, outubro 02, 2013


A silver tape resolve qualquer problema e é mais poderosa que qualquer crença que você possa ter. famosa pelos carros que conserta, a fita repara milhões de acidentes domésticos e ajuda os skatistas nos seus tênis arrebentados (deles vindo a lenda de que derretendo a fita você ganha uma cola extra). Resumindo, é um super herói imbatível ao lado do amigão da vizinhança Super-Bonder - a silver-tape aguenta uma tonelada camarada!

Se duas coisas ficam melhor grudadas, a solução é a silver tape. Mas como nós chegamos a esse verdadeiro milagre na forma de carretel? E o que torna esse produto tão bom em tantas áreas da nossa casa? O "truque" é sempre a ciência!

A história

Richard Drew, um engenheiro da 3M em St. Paul MN, é creditado como o inventor da fita adesiva. Enquanto testava a nova marca de lixas “Wetordry” da 3M em uma funilaria local, em 1923, Drew notou que o pessoal tinha uma trabalheira enorme para chegar às linhas perfeitas e limpas das suas pinturas de duas cores de carros. Sua solução, a Fita de Celulose Scotch, a primeira fita com um lado adesivo do mundo, foi lançada cinco anos depois e tornou 3M um nome familiar.

Avancemos para os anos 1940, com os Estados Unidos lutando na II Guerra Mundial. Como parte dos esforços domésticos de guerra, a divisão Permacell da Johnson & Johnson concebeu e aperfeiçoou uma fita adesiva adequada para uso militar para selar caixas de munição durante o transporte. Os pesquisadores da Permacell descobriram uma forma de inserir uma tela (“duck cloth”) entre a parte de polietileno da fita Scotch e o adesivo à base de borracha. Isso criou uma fita forte e durável que repelia água como as penas de um pato — graças a essa habilidade, e à fabricação usando “duck cloth”, passaram a chamar a fita de “duck tape” (“fita de pato”).

Os militares rapidamente encontraram diversos usos para o versátil material, coisas muito além de apenas manter a munição seca. Eles começaram a passar silver tape em tudo, de tendas a Jeeps, como um conserto rápido e temporário. As tripulações de voo da Força Aérea chegaram a cobrir as portas de armas com o material para reduzir o arrasto nas decolagens.

Ao fim da guerra, as fabricantes trocaram o verde militar no lado externo da fita pelo agora conhecidíssimo prateado, e anunciaram a silver tape como uma solução genérica para reparar vazamentos nos sistemas de aquecimento das casas. Assim, lá, a duck tape se transformou em “duct tape” (“fita de duto”), nome pelo qual os norte-americanos até hoje a chamam.

Do que ela é feita?

A silver tape ainda é feita de maneira muito parecida como era nos laboratórios da Permacell. Uma malha de algodão constitui o núcleo da fita, dando-lhe força na medida em que ela é esticada, junto com a habilidade de poder ser rasgada em qualquer sentido. Um tecido mais apertado garante mais resistência contra rasgos e os diferentes graus de silver tape são determinados pelo tipo da malha de algodão usada. O tipo militar, por exemplo, tem uma “classificação de rasgo” de 18,1 kg, enquanto a maioria dos tipos destinados a civis chega a metade disso. O revestimento externo de polietileno protege a malha da umidade e abrasividade enquanto a mantém firme o bastante para permitir que a fita permaneça fixa em locais irregulares. O adesivo é formulado com compostos de borracha natural para conferir uma adesão sólida e de longo prazo.

O processo mesmo de fabricação da silver tape começa com o adesivo. Grandes blocos de base de borracha natural são quebrados e misturados com pelotas de resina plástica (o que confere o aspecto pegajoso de que a borracha natural carece) em um misturador de Banbury. Esses misturadores industriais usam um par de lâminas em formato espiral que rotacionam para processar a borracha e a resina ao ponto da consistência de uma massa de pizza. Esse componente é então levado a uma amassadeira sigma, que aquece e processa ainda mais a mistura de borracha e resina. Dali, o polietileno e as camadas de malha são simultaneamente adicionadas a uma unidade de contenção. Isso aplica uma generosa camada adesiva através da malha e no filme poli, grudando tudo. Depois, um único e grande rolo é desembrulhado, cortado no tamanho certo e, então, enrolado novamente, empacotado e despachado.

E como ela "fununcia"?

A silver tape confia no que é conhecido como adesivo sensível à pressão (PSA, na sigla em inglês) para a sua conhecida eficácia em grudar nas coisas (ou as coisas). PSAs são misturas leves de polímeros que exploram as forças de Van der Waals (soma de todas as forças atrativas ou repulsivas) para juntar dois objetos. A força do vínculo é devido ao fato de que o adesivo é seguro o bastante e suas propriedades viscoelásticas, poderosas o suficiente para resistir numa boa quando estressadas. Isso é diferente da mecânica de adesivos estruturais como… sei lá… a cola de Elmer (popularmente conhecida como cola de madeira). Esses adesivos exigem a evaporação de um solvente para criar a ligação química.

“Outros adesivos, como colas e epóxis, são líquidos quando você os aplica, mas então reagem quimicamente e enrijecem,” diz Constantino Creton, um cientista de materiais da Escolha de Física e Química Industrial de Paris. “PSAs não possuem reações químicas. Eles não mudam nada. Eles estão em estado sólido quando você os aplica e grudam em outras coisas nesse mesmo estado.”

Isso, claro, até que o adesivo “perca a cola”. Mas quando esse problema se manifesta e a silver tape começa a cair, você já sabe o que usar para fazer o conserto.

Curiosidades:


  • Entrando pelo cano 
Criada nos EUA nos anos 40, ela surgiu com o nome de "duct tape", ou "fita para remendar canos". Isso porque ela é forte e impermeável: a camada externa é de polistileno, um plástico maleável, e a interna é uma malha de algodão com cola. (Agora a pegadinha: a Universidade Berkeley provou que quase tudo serve para selar canos - menos a fita. É que a cola derrete se for exposta ao calor.)
  • Voando alto
Imagine olhar pela janela do avião e ver que a asa está remendada com silvertape. Pois esse é um procedimento permitido. Trata-se, na verdade, da Speed Tape, uma variação que não se decompõe com os raios UV. Desde o fim de 1960, os fabricantes de avião incluem instruções no manual que autorizam os mecânicos a fazer pequenos reparos com a fita, como corrigir danos no revestimento da aeronave, por exemplo.
  • Houston, help
Foi a silvertape que salvou os astronautas da Apollo 13 em 1970. Depois de problemas elétricos os obrigarem a se alojar no módulo lunar, eles corriam risco de se intoxicar de CO2: o filtro da cabine principal era redondo, e o encaixe no módulo lunar quadrado. Como resolver? Usando os materiais disponíveis: papelão, sacos e... silvertape! Com ela, construíram um adaptador improvisado e o ar foi filtrado.
  • A vida em marte
Uma equivalente da silvertape foi usada para segurar fios na sonda da Nasa que investiga vida em Marte. Enquanto passeava por lá, a fita começou a liberar metano, em um processo causado pelos raios UV. Como na Terra a maior parte do metano produzido vem de seres vivos, os cientistas ficaram empolgados, achando que poderia haver sinais de vida em Marte. Mas nada disso, era apenas a fita...
  • Sem verrugas
Um estudo de 2002 do Hospital Infantil de Cincinnati mostrou que silvertape trata verrugas. Bastaria cobri-las por 6 dias, deixar a pele em água morna e repetir o processo por 2 meses até a verruga cair. O estudo foi desmentido depois: o segredo não era a fita. Às vezes as verrugas somem sozinhas, às vezes o que funciona é o tratamento por oclusão - deixar a verruga sem respirar. Na dúvida, não faça em casa.

Texto retirado do site Gizmodo e curiosidades do Superinteressante

Postado por André Prado
Estudante de publicidade, formado em nerdices em geral, pós graduado em Netflix, e phD em piadas idiotas. Gasto dinheiro em comida e com livros que não tenho tempo pra ler.

Você pode curtir também

0 comentários