Impressões da Brasil Game Show 2013: Dia 26

As belas mulheres não podiam faltar na BGS
Quando eu era criança e adorava games, o ato de ir pra banca e comprar a revista do mês só pra ler sobre as novidades, detonados, reviews e previews de jogos do console que nem tinha, era algo comum. Claro, nessa época, assim como tudo parecia mais fácil por sermos crianças e a internet não era um meio primário de informação, as revistas de games eram o que haviam. A Nintendo World custava R$ 4,90 e existiam as saudosas BGM, Ação Games, Gamers... Hoje as três últimas estão extintas e só a Nintendo World ainda existe para contar história, e não só ela, mas todos os tipos de revista informativos absurdamente caros para cobrir suas vendas mais baixas, em torno de R$ 10.

Era a época em que tinha ainda o saudoso Super Nintendo, a "caixona d'água" do Playstation 1 e o Dreamcast e Nintendo 64 estavam por aí. A época que o Pokémon era realmente legal e os gráficos do Dino Crisis (ah, Dino Crisis) e Turok eram "foda". Essa era a época em que lia sobre a Eletronic Entertainment Expo, vulgo E3, e via que existia realmente um evento somente sobre games. Algo que nem podia sonhar aqui no Brasil. Época em que já me satisfazia em poder assistir um programinha de 15 minutos na TV feita por um cara e uma câmera...

No entanto o tempo se passou, eu cresci, e desde o ano passado o "sonho" de muitas crianças como eu se tornou verdade. Sim, o país de tantos problemas e de tantos impostos fazendo jus a seu tamanho, tem o "maior evento de games de América Latina". Mas talvez só esse ano, pelo lançamento da nova geração de consoles como o Playstation 4 e Xbox One, pode-se juntamente com o crescimento natural do próprio evento, se tornar algo do tamanho que realmente se imaginava. Os três dias de visitação do público provam isso.

A porra toda aconteceu e Expo Center Norte, um lugar grande e digno. Chegar lá não é nem um pouco dificil, já que tem metrô próximo e de lá ônibus faziam a rota entre eles gratuitamente. Até aqui nada de anormal. Mas chegando lá sim: o tamanho da fila.

Eu e meus amigos chegamos cedo, por volta das 9 ou 10hrs, e foi uma decisão sábia, pois mesmo assim enfrentamos uma fila quilométrica. Foram horas, demorou tanto que até criei barba, mas como todo pensamento de um brasileiro nato é "tudo podia ser pior", lá eu segui pensando assim. Olhando pra trás e vendo aquela fila aumentar a se perder de vista, olhando pra trás e vendo que aquele povo ia entrar no lançamento do PS5, e olhando pro lado e vendo o pessoal com a VIP entrar rapidamente; pois é, tudo podia ser pior.


A fila parecia o jogo Snake do tijolão indestrutível da Nokia, e fico imaginando se estivesse chovendo até onde essa situação iria. Claro que público não faltava, afinal os milhares de ingressos pro dia estavam esgotados, mas essa fila quilométrica foi uma falha na organização enorme. Nada que tivesse tirado a minha alegria e dos presentes, mas...

Chegando ao ponto em que a fila andava rápido e éramos apressados na piada pelos caras do staff com gritos de "vamo, vamo" - como se não quiséssemos entrar - passei a catraca e a primeira vista o tamanho do que via ali me impressionou. Tínhamos dois pavilhões, o branco e o azul, um dedicado mais aos PCs, jogos online e de celulares e outro mais aos consoles. Com estandes grande e outros que pareciam da 25 de março.

Particularmente só o azul me interessava, e lá tinha o stande da Microsoft com o Xbox 360 e o Xbox One com destaque ao romano Ryse: Son of Rome, Killer Instinct e Halo 4, o da Sony com Killzone: Shadows FallBeyond: Two Souls, e que tinha o PS3, PS Vita, e o Playstation 4 com oportunidade de testar os jogos e numa caixa de vidro ver o dito cujo que parece mais dois Playstation 2 em um cima do outro com um neon no meio.


Tínhamos também um grande estande com campeonato ao vivo de League of Legends (com direto a uma queda de conexão no meio da partida, da EA com o famigerado FIFA 14 e Battlefield 4, Warner estrelando o Batman Arkham Origins (único game que eu realmente joguei), Ubisoft com grande espaço ao Just Dance (nem lembro que número), ao cyberpunk Watch Dogs e ao Assassin's Creed Black Flag, Blizzard com o óbvio destaque para o Diablo 3, e Activision com maior destaque para o novo Call of Duty: Ghosts e o para PS4, Destiny. Mancada resta pra Nintendo que não esteve presente. Banana pra eles!

Para venda de jogos tínhamos um estande da Saraiva e outro da Americanas, e duas grandes praças de alimentação, que tradicionalmente não comportavam o tamanho do público pois se via muita gente sentada no chão. Pra arrumar um lugar, ou desistia e puxava uma cadeira e sentava no chão, ou fazia que nem vaga de estacionamento, rodava, via que alguém estava prestes a sair, e esperava.


Eram duas praças, uma em cada pavilhão, com direito a Bob's, Casa do Pão de Queijo, Black Dog, Uno Due, Domino's Pizza e etc. Como em todo evento o preço da comida (e tinha comida mesmo lá) é alto. Sinceramente nem adianta cair no comum e reclamar como se algum dia isso fosse mudar, e se em algum lugar do mundo tivéssemos "comida por quilo" num evento desse tamanho. Então nem contabilizo na "falta de organização". Mas no que eu comi lá no Black Dog por R$23 me senti satisfeito, e com direito a sorte de um garçom ter nos atendido na mesa. Algo irreal pro tamanho daquilo. Então não achei o preço abusivo.

Preço abusivo era o do estande da própria Brasil Game Show, em que você podia comprar souvenirs do evento. Camiseta oficial do evento por R$ 50? Não, obrigado.

Entre esses estandes da 25 de março, destacava-se o da Hyperkin. Não, ela não tinha nada demais visualmente, mas tinha a venda o Retron 5, um console que rodava 10 vídeo-games em um, com entradas para os cartuchos e controles do NES, Mega Drive, Game Boy Color e Advance, e Master System por R$ 500; perfeito para quem quer uma dose de nostalgia. E o Super Nintendo portátil Supaboy por R$ 449,90, que era um portátil com um formato igual de um controle de Super Nintendo com direito a mesma disposição de botões e que resgatava seus velhos cartuchos de seus velhos consoles. Era só encaixar a fita no portátil e se divertir. Legal não? E ainda tinha direito a mais duas entradas para controles no portátil para você jogar em multiplayer.

Retron 5 e seu visual moderno

O portátil Supaboy
Lá os dois estavam disponíveis para testes, e na TV Led estava lá o clássico Killer Instinct para "rivalizar" com seu irmão moderno lançado exclusivamente para Xbox One. A fila se comparava a certas filas pra testar os jogos mais recentes e muitos não resistiam e jogavam só uma partida pra relembrar os velhos tempos de 1995. Essa é só mais uma força da nostalgia mostrando que para gamers mesmo, valia a diversão, contradizendo muitos daqueles que estavam em outros estandes dando prioridade aos gráficos, tenho certeza.

No mais foi isso, sai satisfeito e com a certeza que vi um grande evento. Problemas? Esses sempre haverão, pois num lugar com muita gente sempre há isso. Mas nada foi capaz de tirar o brilho do evento e com oportunidade de testar aqueles jogos que só víamos pelo YouTube.

Estudante de publicidade, formado em nerdices em geral, pós graduado em Netflix, e phD em piadas idiotas. Gasto dinheiro em comida e com livros que não tenho tempo pra ler.

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