Resenha CD: Dream Theater - Dream Theater

No seu ritmo imposto a 10 anos atrás com "Train of Thought" de lançar um álbum a cada dois anos, em 2013 o Dream Theater continua buscando um "recomeço" depois da saída conturbada do fundador e ex-baterista da banda, Mike Portnoy.

O fato de Mangini ter participado efetivamente da composição pela primeira vez, explica bem o motivo de Dream Theater ter nomeado o 12º álbum dessa forma.

Portnoy como um dos fundadores e talvez o líder-mór do Dream Theater, tal qual como Steve Harris no Iron Maiden, ditava com mãos de ferro os caminhos sonoros da banda. Portanto com sua saída, claramente o "Teatro dos Sonhos" se tornou uma banda que busca uma nova/atualizada identidade própria. O que causa álbuns irregulares de grandes momentos, como o anterior "A Dramatic Turn of Events". Um fato que acaba se repetindo em "Dream Theater", apesar de esse ser superior ao seu antecessor.

Usando novos elementos como a música clássica como na abertura fantástica "False Awakening Suite" e na suite de 23 minutos "Illumination Theory", e tendo um baixo bem mais evidente do discreto e talentoso John Myung, "Dream Theater", como seu antecessor, continua a recuperar a veia mais progressiva da banda que vinha sendo mais metaleira nos últimos álbuns tendo Portnoy por trás da bateria. Mas isso não significa que a banda tenha perdido seu peso. Parece que John Petrucci resolveu revisitar o "Train Of Thought" e tirou riffs pesadissimos como na "Behind The Veil" (melhor do álbum), na suíte Illumination Theory (outro exepcional trabalho), e na instrumental "Enigma Machine" - tipo de música que não vinha tendo desde "Stream Of Consciouness" do próprio "Train of Thought" de 2003. Porém ao contrário da cuja faixa, "Enigma Machine" não tem um brilho especial e poderia ser dispensável do álbum na minha opinião. Dispensável também seria o single "The Enemy Inside", que em comparação as outras, pareceu ter uma urgência em ser rápida demais pra mostrar a capacidade dos seus músicos.

Tecnicamente os músicos são impecáveis, e isso todo cara mais inteirado no mundo do Dream Theater sabe isso de cor. Apesar de para muitos a voz de James LaBrie não se encaixar no som do Dream Theater, o cara é a voz da banda, não tem jeito. LaBrie aqui nos entrega mais uma atuação impecável, mas sua voz se destaca mesmo nos momentos baladeiros da banda, como na belíssima "Along For The Ride", na pesada "The Bigger Picture" e na progressiva "Surrender To Reason".

Cada músico assumiu uma parte da liderança que Portnoy tinha sobre a banda - incluindo até o quieto e reservado John Myung, que resolveu aparecer em uma entrevista ou outra pra revistas, principalmente depois da saída de Portnoy. Como disse, cada um assumiu uma liderança dentro a banda, mas John Petrucci como fundador, acabou assumindo a maior parte e isso evidencia bem no som de sua guitarra. Bem mais alta que no álbum anterior, Petrucci (como se não fosse suficiente) resolveu mudar totalmente o tom da bateria do Mike Mangini deixando-a mais grave e baixa que a de Portnoy. Pessoalmente acabei estranhando, e esse tom acaba atrapalhando em praticamente todo o álbum (um bom exemplo é a com influências latentes de Rush, "The Looking Glass"), mas você com o tempo se acostuma. Talvez era algo que ele preferia né? Sei lá...

Falando no Mike Mangini, já é bom deixar bem claro aqui: não há espaço para chororô, inclusive o meu. Ele em sua primeira participação realmente efetiva como membro do Dream Theater ajudando na composição, nos entrega um competente trabalho. O xará de Portnoy tem uma pegada mais direta - apesar de usar e abusar das viradas -, e usou aqui bem mais pedais duplos que seu antecessor. Entretanto é uma injustiça compará-los, já que Portnoy tem um carisma único e uma técnica invejável que não se assemelha a nenhum baterista. Mas a escolha da banda foi acertada, e ponto final. Mangini deu esse ponto final.

Sobre Jordan Rudess, ele continua com seus sons de vídeo-game do teclado (sic). Mas está bem mais contido que na época de Mike Portnoy, em que ele chegava a duelar a guitarra do Petrucci.

Ao final da audição de "Dream Theater", a primeira impressão é que recuperei um pouco da fé da banda que tinha antigamente. Particularmente acredito que a inspiração e a pegada de trabalhos antigos não voltará mais, e na verdade nem tem porque voltar, afinal águas passadas não voltarão a mesma ponte (falei bonito). Hoje o Dream Theater tem um novo membro e novos líderes, portanto, a direção musical acaba mudando, mesmo que ainda continue com características bem próprias.

O Dream Theater se tornou mais "comercial", apelando pra músicas mais curtas, e tornando seu som menos complexo e mais adequado ao grande público; o que também não significa ser ruim, pelo contrário. Apesar de como nos últimos álbuns faltar pra mim aquela faixa que me obrigue a colocar no celular o mais rápido possível ("Strange Deja-vu" ou "As I Am" por exemplo), "Dream Theater" a cada nova audição acaba ficando mais amigável aos ouvidos e se tornando mais um grande trabalho da banda.

Tracklist:

1."False Awakening Suite" (Instrumental) 2:42
  • I. "Sleep Paralysis"
  • II. "Night Terrors"
  • III. "Lucid Dream 
2."The Enemy Inside" 6:17
3."The Looking Glass" 4:53
4."Enigma Machine" (Instrumental) 6:02 
5."The Bigger Picture" 7:41 
6."Behind the Veil" 6:53 
7."Surrender to Reason" 6:35 
8."Along for the Ride" 4:45 
9."Illumination Theory" 22:18
  • I. "Paradoxe de la Lumière Noire"
  • II. "Live, Die, Kill"
  • III. "The Embracing Circle"
  • IV. "The Pursuit of Truth"
  • V. "Surrender, Trust & Passion" 

Estudante de publicidade, formado em nerdices em geral, pós graduado em Netflix, e phD em piadas idiotas. Gasto dinheiro em comida e com livros que não tenho tempo pra ler.

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