Resenha CD: Soulfly - Savages

segunda-feira, outubro 28, 2013

Tenho que dizer que "Enslaved" foi um grande choque. Não duvido da capacidade do Max Cavalera como músico, e as experimentações sempre foram sua marca. Ok, se a banda que o Max tanto ama falar sobre, o Sepultura, tem álbuns com diferentes pegadas entre si; o Soulfly se notabilizou radicalmente por ser assim. É a banda de Max Cavalera e ele manda. tudo começou no "Roots" lançado pelo Sepultura em 1995, e lá fora as batidas mirabolantes e ritmos brasileiros intrincados entre a música pesada que o Sepultura fazia, era sucesso absoluto. Até mais lá na gringa que aqui, prova que o Soulfly, continuação dessa época mirabolante da cabeça de Max, ficou famosíssimo lá fora.

Se formos falar de qualidade, o Soulfly teve poucos méritos. Sonoramente o Soufly - ou Suflê para os chegados - era mais uma pastelaria de sons e pouca direção. A troca constante de membros (com Mark Rizzo sendo o mais constante) também não fazia o Soulfly como banda, um conjunto que chegasse a um ponto e dissesse: "vamos estabelecer esse nível de qualidade". Penso que Max conseguiu sua identidade e a percussão abrasileirada deu o que tinha que dar, então o choque que tive ao ouvir "Enslaved" foi que finalmente Max se deu conta disso (ou não). Pesado, brutal, agressivo, direto. Um verdadeiro soco na cara de 2012 que ainda dói ao colocar o disquinho no aparelho de som. Parece que Max resolveu revistar a sua discografia "podreira" da adolescência e conseguiu ainda assim ser moderno, e ter uma produção igualmente assim.

Aí a pergunta é: como continuar esse embalo? Simples, para o Soulfly é como dizer: "vai lá e mude". O que pode ser demérito e errôneo para muitos, para muitos outros essa atitude mostra coragem e personalidade, em que a falta de característica sonora da banda não vai além do peso e puramente assim. Qualquer surpresa pode acontecer.

O guitarrista Mark Rizzo continua sendo fiel escudeiro de Max, e no recente "Savages" tivemos uma criação em família. Zyon Cavalera que teve uma participação na última faixa de "Enslaved" agora foi efetivado na bateria, e em "Bloodshed" tivemos uma participação de Igor nos vocais (não o irmão de Max, mas o irmão de Zyon). Bom, sinceramente não acrescentou nada a faixa. Mas... em família dos outros não se mete o nariz.

"Savages" é carregado de groove, e é mais sombrio que "Enslaved". Até mesmo pelo afinamento de guitarras, pegada seca da bateria (faltando até qualidade) e pelo punhado de riffs mais cadenciados e pesadíssimos.

Não curto muito de fazer descrições faixa-a-faixa em resenhas, na verdade nem curto ler resenhas que são dessa maneira. Sei lá, é algo muito técnico e mecânico pra mim. Prefiro falar sobre a banda e dizer o sentimento que tive ao ouvir o álbum, deixando aos leitores as impressões faixa-a-faixa que tiveram. Sendo assim, os destaques de "Savages" são a "Cannibal Holocaust" que é a faixa que mais lembra o que tivemos em "Enslaved", talvez uma espécie de transição. A caótica, grudenta e grooveada "Fallen", a "rifferama" de "Master of Savagery" e "This Is Violence"; e a brutal "El Comegente".

A primeira impressão que temos de "Savages" é que pouco aqui se compara ao surpreendente "Enslaved", e que não devemos comparar um ao outro jamais. Mas como meu papel é compará-los de alguma forma (é?), "Savages" é inferior tecnicamente a "Enslaved", possivelmente se os dois tivessem sido lançados inversamente teria me surpreendido mais com o álbum de 2012 com esse que foi lançado esse ano. Mas deixando isso de lado, o que importa é que "Savages" é uma outra pedrada na orelha pra te deixar surdo de vez!

O Soulfly nessa estrada consolidou seu jeito de fazer música.

Tracklist:

1. Bloodshed
2. Cannibal Holocaust
3. Fallen
4. Ayatollah of Rock 'n' Rolla
5. Master of Savagery
6. Spiral
7. This Is Violence
8. K.C.S.
9. El Comegente
10. Soulfliktion


Postado por André Prado
Estudante de publicidade, formado em nerdices em geral, pós graduado em Netflix, e phD em piadas idiotas. Gasto dinheiro em comida e com livros que não tenho tempo pra ler.

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