Resenha Game: Castlevania - Lords of Shadow (Xbox 360)

A muito tempo atrás era um fato de que se tinha muito mais variedade de estilos e até de história no mundo dos games. Falamos de jogos com mais personalidade comparando uns com os outros. Claro que falar que um jogo que é excelente, sendo apenas uma mera cópia por se inspirar (até descaradamente) de certos elementos de outros jogos, é algo factível e limitado ao mesmo tempo, já que se esse jogo se propõe a ter esses elementos e executá-los de forma límpida é algo voltado mais aos elogios do que as críticas - na minha visão. 

Enredo

"Lords of Shadow" se passa numa época dita como "fim dos dias", em 1047, em que a aliança da Terra com os Céus foi ameaçada pela força maligna dos Lordes das Sombras (daí o título), com um feitiço obscuro agora pairando sobre a Terra e impossibilitando que as almas dos mortos descansem em paz. Com isso, criaturas das trevas pairam sobre o mundo, matando homens e mulheres brutalmente.

O personagem principal, Gabriel Belmont é um membro da irmandade da luz (Brotherhood of Light), uma elite de cavaleiros que protegem e defendem os inocentes das criaturas sombrias. A esposa de Gabriel, Marie (Natascha McElhone) foi brutalmente assassinada por uma destes seres ,e agora sua alma não pode deixar este mundo devido ao feitiço imposto pelos lordes das sombras (em suma, sempre tem mulher no meio).

Marie percebe que as almas atormentadas pelo feitiço como a dela,pertencem a um jogo de grandes proporções. A trama central envolve a máscara de Deus ,um artefato extremamente poderoso que dizem poder ressuscitar qualquer indivíduo. Gabriel pretende derrotar as três facções dos Lordes das Sombras para então obter as peças da máscara de Deus (fragmentada em três partes pelos lordes), e trazer Marie de volta à vida.

Analisando o enredo a primeira vista, esse parece bem básico. Guerreiro perde a esposa, passa por altos perrengues para tentar é rescussitá-la, mas descobrindo a verdade do que aconteceu, se vingar das forças malignas que dominaram o mundo e a tiraram dele. Essa só é a primeira vista, já que o enredo apesar de não trazer muita novidade, a medida em que ele vai chegando a seu final traz um desfecho impressionante. Vale a pena ir até o final!

Jogabilidade

Marcando um recomeço na franquia que após os dois jogos lançados no PS2, o bom e sem inimigos "Lament of Innocence" e o cansativo e chato "Curse of Darkness", merecia ter. A temática gótica que sempre marcou os jogos da série foi deixada de lado para uma mescla maior de ambientações medievais e da idade média, sem esquecer também o lado sombrio dos castelos e corredores empoeirados. 

Gabriel Belmont escala paredes fazendo inveja a qualquer "Prince of Persia", derrota inimigos gigantes à la Wander em "Shadow of Colossus", e usa sua cruz como Kratos em "God of War". Essas são as três características mais marcantes do jogo e as que mais se remetem a outros jogos. Só que o que abrilhanta "Lords of Shadow" e o deixa distante de ser uma mera cópia, é a mescla esplendidamente bem feita de tais elementos.

Dizer que "Lords Of Shadow" é simplesmente uma mera cópia do game de Kratos e sua turma medieval é uma forma limitada e meio vazia de se analisar. God of War estabeleceu diversos níveis de excelência nos atuais jogos de aventura e não dá para negar também este fato. Um GTA qualquer é referência de jogos de mundo aberto, então não faz sentido criticar outros jogos que tem essa inspiração quando esses as executam bem. "Remember Me" inventou na sua jogabilidade (vejam o sistema de combos) e não se saiu bem, ficou repetitivo e com ideias boas. Então comparando, prefiro a tal "cópia" que "Lords of Shadow" fez. 

A dinâmica que o jogo tem nos golpes e a as múltiplas armas de Gabriel, como a luva e a bota, fazem toda a diferença; além das magias das sombras e da luz que ele adquire ao longo da aventura, que só incrementam e ajudam o jogo a se tornar mais estratégico e único. Isso sem citar os quebra-cabeças muito bem bolados e bem feitos que ajudam a dar a dificuldade tão tradicional da franquia (como aquele quebra cabeça dos raios coloridos). 

Contudo, demora-se uma boa parte do jogo para poder desfrutar de tais magias, o que pode estressar jogadores menos pacientes, e por outro lado aguçar jogadores mais hardcore a fuçarem cada canto da fase para encontrar as runas que aumentam as tais barras e a de vida. Eu já vou dizendo que elas são dificeis de encontrar e exigem muita paciência, sobretudo por diversas fases serem complicadas ao estilo Castlevania com muitas tentativas e erros, e exigindo que você vá logo ao ponto para poder voltar a elas mais tarde. O lado ruim disso é que você terá que enfrentar os inimigos, inclusive os chefes, tudo de novo.

Cada fase em cada mundo tem uma porcentagem a ser alcançada, é comum passar uma fase e ver por volta de 40% completo. A dita cuja depende das runas achadas pelo caminho, além de um quest adicional de tipo: "derrote tais inimigos usando tal item" ou "complete a fase em certo tempo", o que gastará muito tempo daqueles que almejam todas as conquistas de um game. 

Mundo aberto pra quê?

Muitos criticaram a falta do "mundo aberto" prometido pela Konami, e ela errou em prometer isso. Mas sinceramente, jogos com mundo aberto não tendem a me agradar. 

Hoje em dia muitos títulos prometem esse "mundo aberto e destrutível" aproveitando o poder dos consols atuais e se inspirando em muitos outros games por aí, só que muitas vezes acho desnecessário, principalmente porque vários desses jogos não tem esse apelo. Completar uma fase é ir para frente, entende o que quero dizer? Se quiser ficar passeando por aí procure um GTA ou algo assim, não é para jogos de aventura. Talvez áreas mais destrutíveis seria uma abordagem mais realista do game e realmente "Lords of Shadow se propõe a isso, mas a série nunca foi dessa forma. Destruir cenários é de menos.

Pontos fracos

Um ponto bem sentido, é a falta das orquestrações tradicionais da série. Se você também achou inesquecível a trilha de "Symphony of the Night" do PS1, isso se deve a compositora Michiru Yamane, só que seu último trabalho pela Konami foi em "Curse of Darkness" e pouco depois ela deixou a empresa. Em "Lords of Shadow" coube a Óscar Araujo tentar se enquadrar na qualidade das composições que Castlevania tradicionalmente tinha, mas este falhou apresentando linhas mais simples e genéricas que já cansamos de ouvir em outro títulos. 

Outro ponto ruim é a câmera fixa. Penso que se a Konami quis transportar Castlevania com a grandiosidade acompanhando os consoles atuais, decepcionou muito em ter feito a escolha por essa câmera. Ela tenta até ser bem colocada, mas sofre os mesmos problemas de toda câmera fixa em jogos 3D: que são de atrapalhar muito o jogador na hora das lutas, e como um jogo de plataforma, automaticamente atrapalhar na hora do pulo e da visualização de certas paredes em que Gabriel pode se agarrar, por exemplo.

Nas qualidades e dos poréns... 

O game vale a pena ser jogado não só por essa jogabilidade, mas também pelo seu enredo simples a primeira vista, mas imersivo ao longo do game. Ter uma boa história é tudo, mas contá-la de forma eficiente é imprescindível, e "Lords of Shadow" alcança isso. "Lords of Shadow" pode copiar na cara dura os games de aventura mais evidentes e revolucionários, mas os mescla e os executa de uma forma única, transformando uma mera cópia em algo inspirador. Fora a jogabilidade muito bem feita com possibilidades de combos que, se não são quase infinitos como no DmC, agradam a qualquer jogador mais exigente no gênero. 

"Lords of Shadow" é um reboot da franquia sem conexão com os outros títulos do mesmo. Essa ocidentalização enfureceu a muitos fãs, mas é sempre bom atentar-se a qualidade do título. E da minha parte dou os parabéns a Konami de ter dado o fôlego que a franquia precisava sem se largar das origens que a mesma estabeleceu, deixando a série imperdível de ser jogada

Resta agora aguardar a sequência que será lançada no ano que vem nos EUA e Europa, com o enredo que começará exatamente aonde "Lords of Shadow" parou. Quem viu o trailer (que não vou "embedar" aqui já viu o principal spoiler da série.

Estudante de publicidade, formado em nerdices em geral, pós graduado em Netflix, e phD em piadas idiotas. Gasto dinheiro em comida e com livros que não tenho tempo pra ler.

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