Resenha CD: Sepultura - The Mediator Between Head and Hands Must Be The Heart

quinta-feira, novembro 07, 2013

Apesar de o Sepultura se encaixar em um estilo definido, a banda nunca foi muito de se aquietar. Em tropeços e acertos, ela tem uma discografia variada, mesmo ainda com os irmãos Cavalera compondo o grupo. Sem eles, e com o Andreas assumindo mais a frente, o Sepultura mostrava que ainda vivia e muito bem lançando o ótimo, cru e elogiado "Kairos". Então vamos esquecer o fanatismo e as viúvas que ainda insistem em permanecer da época que Max Cavalera estava nos vocais. O álbum de nome mais longo lançado nesse ano: "The Mediator Between Head and Hands Must Be The Heart", 13º da banda, veio para calar a boca de quem ainda insiste em dizer que o Sepultura está morto e todo aquele mimimi.

Quem acompanha o trabalho dos caras, logo nota-se que a banda pegou muito da agressividade que havia em "A-Lex". Com um baterista muito mais talentoso e com uma guitarra bem mais barulhenta e cheia de riffs, deu-se início ao que temos aqui. Logo de cara a pedrada absoluta vem com a "Trauma of War", seguida pela melhor do álbum "The Vatican". Muito da essência de "The Mediator..." está aqui. É ser redundante que Eloy destrói a bateria, mas aqui (como no álbum num todo) Andreas Kisser entrega riffs que não se via a muitos anos. Já Derrick Green pra quem ainda criticava, urra como nunca fez no Sepultura. Ponto.

"Impending Doom" segue para dar uma maior cadenciada, assim como a "Tsunami" de contagiantes riffs de Andreas. Mas a entre as duas, "Manipulation Theory", chega exagerando (no bom sentido) nos pedais duplos e na pegada pra lá de agressiva do Eloy Bighouse, mais uma vez sendo o destaque.

Entre tanta pancadaria "The Mediator" também nos entrega belas surpresas. Ela cabe a densa e sombria "Grief" que conta com os vocais limpos de Derrick Verde ao fundo, combinando bastante com a atmosfera da música. Experimental, apresentando um lado Doom que não conhecia na banda, "Grief" é uma das minhas faixas prediletas do álbum.

Já a seguinte "Age of Atheist" resgata bastante o espírito que é enraizado na história do Sepultura, o da música brasileira. Ele está presente em praticamente todo o álbum, até desnecessariamente, mas a "pegada" passa tão despercebida (longe do exagero que se via em "Roots") que pessoalmente não liguei pra isso. Falando em influência brasileira, o Sepultura faz uma ótima homenagem ao Chico Science e a Nação Zumbi com um cover na última faixa da música mais famosa do grupo "Da Lama ao Caos" contando mais uma vez com Derrick cantando com vocais limpos e bem encaixados.

Antes do cover, o Sepultura tem uma participação especial do monstro Dave Lombardo na pancadaria "Obsessed", que tranquilamente poderia estar num álbum do Slayer. Lombardo toca junto com o Eloy na maior parte da música, mas infelizmente é curta e não dá para perceber de forma tão clara. Quem sabe em outras participações!

A cabeça do grupo é o guitarrista Andreas Beijador, mas convém dizer que a banda cresceu acompanhando a fibra e o talento de Eloy Casagrande. Para quem ainda sentia falta da pegada de Igor Cavalera na bateria, e eu me incluo nisso, Eloy agarrou com unhas e dentes a chance que teve de substituir o competente Jean Dollabella, e em "The Mediator..." protagonizou as melhores linhas de bateria desde "Dante XXI".

"Kairos" era excelente, mas apresentava linhas de bateria bem mais básicas, até mesmo porque o álbum era dessa forma. Já em "The Mediator..." pareceu que toda a banda se ligou nos 220v, e com sangue nos olhos resolveu calar a boca dos que ainda teimam em dizer que o Sepultura está na pior. Apresentando um Thrash vigoroso e violento, é sem exagero dizer que a banda deixou "Kairos" e até álbuns da era Max no chinelo.

Pobres daqueles que pensam o contrário...

Postado por André Prado
Estudante de publicidade, formado em nerdices em geral, pós graduado em Netflix, e phD em piadas idiotas. Gasto dinheiro em comida e com livros que não tenho tempo pra ler.

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