Resenha Game: Batman - Arkham Asylum (Xbox 360)

A primeira coisa que penso em jogos baseados em super-heróis é que eles são basicamente ruins ou muito medianos. Isso já acontecia no passado, mas agora com essa onda que tomou conta dos cinemas com live-actions das HQ da Marvel e DC, isso tomou proporção maior. Claro que tais games são voltados para o público mais casual, infantil, e também não se torna justo "tacar pedras" julgando tais games baseados nessas franquias. Entretanto penso também que games baseados diretamente nos filmes como Super-Homem, Homem de Ferro, Thor, Hulk, Constantine e etc, deveriam ganhar um melhor tratamento. Não só julgando pela história em si, mas pela forma apressada que tais games são lançados, muitas vezes com gráficos e jogabilidade aquém do que uma experiência que tem por finalidade de estender a história de quem viu o filme no cinema. Imagine o que Thor poderia vir a ser num game com um devido cuidado.

Porém também deve-se atentar ao fato de que nem todos os heróis tem uma profundidade psicológica tão grande para ganharem games que abordam esse tema, então resta uma experiência mais arcade, digamos "relaxante" para quem senta no sofá esperando isso. É óbvio que essa forma apressada que esses games são lançados não visam a sua qualidade, mas visam negócios, como todos até o reino de Asgard sabem. "Sequências e mais sequências para aproveitar a repetição da experiência". Bem sucedidas ou não, tem certeza de sucesso.

Quando disse que nem todos os heróis tem a profundidade psicológica para ganhar jogos abordando uma experiência mais séria, sem se desviar muito do propósito do herói (vide-se o filme Homem de Aço, em que o Super-Homem bundão que sempre achei ganhou uma humanidade maior, e diante disso muitos torceram o nariz). A Rocksteady sabia do que o Batman poderia representar para os games (e penso que muito dessa abordagem tomou ares com os filmes do Nolan), dando origem ao que teríamos ao Batman Arkham Asylum.

Como não poderia deixar de ser, o maior arqui-inimigo do Batman, o Coringa, é o principal inimigo aqui. O game já começa com o morcegão levando o Coringa de volta ao manicômio de Arkham. Porém, o Coringa sempre tem uma carta debaixo da manga. Deixando-se capturar, assim que Batman o deixa na instituição, o palhaço do crime minutos depois foge e inicia seu plano de destruir Gotham, assumindo o controle da ilha e de seus habitantes.

Resumindo assim pode ser simples, mas o enredo é digno de momentos cinematográficos. Cheia de reviravoltas e tensão em cutscenes muito dinâmicas e bastante integradas a ação, tanto que ao que eu melembre eu não apertei o botão de "pular cutscene" nenhuma vez e acho que você não vai conseguir também. 

O game já te joga logo no meio da ação e a medida que você vai se aprofundando na história, logo se vê como a mesma é madura, empolgante e digna das melhores HQs do herói. O responsável tem gabarito, ele chama-se Paul Dini e ele é apenas o produtor de todas as animações da DC e também das séries de álbuns de Alex Ross. Os elogios não param por ai, a dublagem dos tarimbados Mark Hamill que é o eterno Luke Skyalker da trilogia clássica de Star Wars (Coringa) e Kevin Conroy (Batman), reprisando seus papéis da série animada da TV, é excelente, assim como a de todos os outros personagens secundários.

Evidentemente, não basta uma boa história para fazer um bom game. A jogabilidade é um fato importante e em Arkham Asylum esse ponto não decepciona em nenhum momento. Dinâmica e simples com o resumir de alguns botões, ela é suficiente para nos sentirmos envolvidos pela ação do homem morcego nos melhores momentos. Já os outros lados dele que tanto admiramos, o espião, o detetive, também tiveram um cuidado muito especial e ganharam o mesmo tratamento simples que suas ações mais básicas de luta ganharam. Essa simplicidade e bom-senso deixaram Arkham Asylum com uma dificuldade equilibrada, aliando momentos de exploração, pancadaria e stealth no melhor estilo Solid Snake sem ser um quebra-cabeças para os marinheiros de primeira viagem. Com uma boa habilidade e familiarização é possível se dar bem na ilha.

Tudo aqui é muito bem arquitetado, até os itens que você normalmente ignora em diversos games. Espalhados pelo mapa, estão 240 ícones do Charada, além de fitas e outros itens que só servem para aprofundar mais os jogadores na história. Aí você me pergunta, e o sangue? Bom, ele não há e no propósito do game realmente ele não é necessário. Nos momentos de pancadaria o game não prioriza os jogadores que "espancam" um botão para liquidar com os inimigos, aqui é importante variar seus combos e até mesmo a forma de abordagem para derrotar os inimigos. Como simplesmente variar seus combos, usar o contra-ataque, silenciosamente atacar por trás, ou usar o seu spray explosivo quando tiver um grupo de inimigos à sua frente. Ao final da luta você ganha pontos pelas suas habilidades, então usar os artifícios do Batman nesses comentos é crucial para a recuperação de sangue. 

A Rocksteady soube dar um tratamento digno ao morcegão, mas como em toda sua ambientação. Arkham Asylum mesmo para os tempos atuais, e falamos de 2009, é um jogo belíssimo. Em pequenos detalhes, seja nas lutas contra os chefes como Crocodilo e Espantalho, que são "fodásticas" e aproveitam bem a esperteza do jogador, a produtora também soube bem aproveitar cada detalhe na ilha para transmitir a riqueza sombria do universo do herói.

Nem dá pra dizer que é um defeito do game, mas infelizmente pelo fato dele ser de 2009, não é possível aproveitar o mesmo dignamente como deveria ser, Afinal a dublagem em português apenas recentemente começou a ganhar os ares de importância, e as legendas somente contam com o idioma do tio Obama. Portanto, entender bem o inglês ajuda e muito para se imergir ainda mais na história.

Sem exageros, dá pra dizer com segurança que Batman Arkham Asylum é o melhor game de super-herói já criado. A Rocksteady não só soube reunir de forma espetacular todos os conceitos e a mitologia que cercam o herói, como estabeleceu definitivos conceitos em torno de narrativa e jogabilidade, tornando o game o um dos melhores do ano do seu lançamento, da geração atual, e dos vídeo-games em si. Então tomem vergonha as outras produtoras e deem um tratamento digno aos outros heróis da Marvel ou mesmo DC.

Estudante de publicidade, formado em nerdices em geral, pós graduado em Netflix, e phD em piadas idiotas. Gasto dinheiro em comida e com livros que não tenho tempo pra ler.

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