Resenha Filme: Super

sexta-feira, dezembro 27, 2013

“Eu meio que acho que a felicidade é valorizada demais. As pessoas passam a vida toda buscando-a como se fosse a coisa mais importante do mundo. Pessoas felizes são meio que... arrogantes.”- Frank Darbo

A primeira vista, e até propositalmente, "Super" se deixa passar como um filme de comédia sobre super-heróis, na medida do que um "Kick-Ass" seria, mas sem a grife do mesmo. Sendo influente como é, muito provavelmente James Gunn leu a HQ e se baseou nas ideias principais dela pra fazer "Super".

Claro que apesar das HQs poderem trazer a realidade à tona, obviamente elas em um lado cômico e fantasioso, tratando de assuntos cotidianos como o preconceito nos X-Men ou a próprio sonho adolescente de se tornar um super-herói, como em "Kick-Ass". O mais bacana desse lado tosco que a gente vê em como um cara normal se comportaria tornando-se um tal herói de quadrinhos, é que "Super" mostra o lado "cru" dessa história.

O filme começa mostrando o cozinheiro Frank Darbo (Rainn Wilson), um cara comum que não tem muito para se orgulhar na sua vida. O que pega é que sua esposa Sarah é uma ex-viciada, e numa recaída Frank viu ela cair nos braços de um traficante de drogas e dono de uma boate de strip chamado Jaques (Kevin Bacon). Desde criança Frank teve visões, e abaldo e depressivo por ver sua mulher o abandonar e ir para o mau caminho novamente, teve uma visão em que acredita que Deus o tocou e o escolheu para um grande ato. Que grande ato? Frank decide combater o mal, afinal, para ele isso basta para alguém fazer o bem. Sendo assim Frank se torna Crimson Bolt, um vigilante atrapalhado que com um chave inglesa na mão em sabe bem onde começar combatendo o crime e tudo que ele acredita ser ruim e moralmente errado.

Como todo super-herói que se preze Crimson ao decorrer da história ganha uma ajudante: Boltie (Ellen Page), sim, a empolgada e peculiar vendedora da loja de quadrinhos em que Frank entrou para buscar inspiração em como ser um super-herói. Assim Crimson munido de toda raiva vai em busca da vingança e para resgatar sua esposa de volta, e Boltie para a sua primeira aventura como super-heroína.

O que me pegou de surpresa é a abordagem do longa, principalmente a partir da metade de "Super" se transforma de comédia para tons dramáticos, ganhando uma complexidade pouco vista em filmes abordando esse assunto. "Super" é aquele filme que realmente acaba mostrando o que aconteceria se um de nós, alguém na sociedade, decidisse seguir o caminho que Frank decidiu, nada nobre, sendo por uma suposta visão divina e o final, vingativa. Nos irritamos e odiamos tanta coisa na vida cotidiana, Frank somente liberta em Crimson Bolt toda a raiva que estava dentro de si, e como humano, acaba transformando a nobreza do ato heróico em algo vingativo e até sem limites. Quem é o herói e quem é o vilão? O que difere Crimson Bolt de um e de outro? É um dos questionamentos que "Super" faz, e por quase todo longa você vai se sentir absorto por essa pergunta, na verdade nem se importando com ela, já que a "comédia negra" que James Gunn nos trouxe te prende a atenção o suficiente para só se importar com isso no final do filme.

Com bons artistas como os coadjuvantes Kevin Bacon, Liv Tyler, Michael Rooker (o Merle de The Walking Dead), e Ellen Page fazendo mais de si mesma na maluquinha Libby/Boltie, quem se destaca mesmo é o comediante Rainn Wilson. O reconhecia de algum lugar, justamente num filme e outro de comédia por aí, mas não lembrava de seu nome até fazer essa resenha, portanto, como comediante o que não acaba se esperando é um artista que acabe encarnando tão bem em um personagem tão complexo como Frank Darbo. Mas em "Super" se vê Rainn encarnando perfeitamente no seu personagem, realizando cenas fantásticas, nunca deixando o lado cômico seu de ser. Algo que me faz pensar no Jack Black eternamente interpretando a si mesmo...

Além de ter me surpreendido, "Super" mostra a saga de um herói que nunca se viu antes, e com seus defeitos e "estranhezas" tem em seu principal mérito ser violento não perdendo a graça, e conseguindo ser melancólico e triste sem acabar caindo naquele clichê comum das lições de moral. James Gunn soube dosar o roteiro sob uma trilha sonora e filmagem bem legal, que só ajudou o filme a ter o peso que teve para eu chegar aqui e recomendá-lo com uma certa empolgação.

Procura-se o crime!

Super
EUA - 2010

Direção e Roteiro: James Gunn
Elenco: Rainn Wilson / Ellen Page / Liv Tyler / Kevin Bacon/ Nathan Fillion / Michael Rooker

Postado por André Prado
Estudante de publicidade, formado em nerdices em geral, pós graduado em Netflix, e phD em piadas idiotas. Gasto dinheiro em comida e com livros que não tenho tempo pra ler.

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