Resenha CD: Motörhead - Aftershock

sábado, janeiro 11, 2014

"We Are Motörhead. We play Rock n'Roll"

Assim com essa frase, Ian Frasier (Lemmy) Kilmister inicia seus shows junto a Phil Campbell (guitarra) e Mikkey Dee (bateria). Obviamente, Lemmy não inicia seus CDs também dessa forma, mas é o que imaginamos ao dar play na primeira faixa de qualquer álbum da banda. Punks, metaleiros ou simplesmente o amante do bom rock, todos se unem porque o Motörhead é o mais puro rock n' roll. Lemmy tem toda razão em proclamar isso no início de suas apresentações e na imaginação daqueles que escutam suas músicas.

Deixando de lado um pouco a "rasgação de seda". em "Aftershock" lançado no final de 2012 ou ano passado (como queiram), pra mim ainda não é O disco que supera "Inferno" (2004) que é uma verdadeira aula de como se fazer rock n' roll, mas "Aftershock", além de se um dos melhores do ano que se passou, figura fácil ao lado dele como um dos melhores discos da banda nos últimos anos.

Bom, nem vale muito a pena discorrer que o álbum é "pesado e energético", é inútil como procurar cabelo na cabeça do Professor Xavier; você está careca de saber disso. Motörhead é Motörhead, e quem conhece a banda sabe da qualidade que ela tem. Então vou poupar seu tempo e te falar das melhores faixas: "Heartbreaker", "End of Time", "Paralyzed" e "Do You Believe" compõem pra mim o trio de faixas que mais representam o som da banda e já são clássicos instantâneos nos shows. Estúpidas do início ao fim.

Já "Going To México" é mais uma faixa dos "Going" (acompanhado de um país) que a banda vem lançando nos álbuns, e é também uma das melhores do álbum. Quem não lembra da famosa "Going To Brazil" do disco "1916"? A parte mais rock n' roll de "Aftershock" está nas faixas "Keep Your Power Dry", "Crying Shame" e "Coup de Grace", "Silence When Your Speak" é mais cadenciada e deliciosa de se escutar, e lembra bastante o que Jason Newsted tomou de influência no debut de sua banda. Já "Lost The Woman Blues" é o lado blues que Lemmy mostra mais uma vez e é uma das melhores faixas desse estilo que pude ouvir ultimamente; o timbre de Lemmy dá um charme sem par a música. Bom, creio que é só.

Não há muito a se dizer, o timbre a voz marcante de Lemmy, junto à sua postura nada ortodoxa e extremamente rock n' roll e sincera de se viver, o transformaram em uma lenda sem par. O baixo característico de som grave como a de uma guitarra, junto a sonoridade inconfundível de um trio que parece que nasceu afinado, fazem o Motörhead posar de lendário e único. É de se louvar quando escutamos uma nova banda na rádio e reconhecermos qual é pelo som e pelas características, vocais e instrumentais, elas deviam é aprender com bandas como essa, ainda mais nesse tempo onde tudo é tão "pasteurizado".

Lemmy Kilmister pode estar não muito bem de saúde e o Motörhead pode ter cancelado boa parte da turnê por conta disso, mas "Aftershock" é a prova de que Lemmy continua bem vivo, fodendo e bebendo. E com muita garra, apesar de um certo cansaço natural de sua voz; nada que comprometesse o álbum, pelo contrário. Sem enrolar mais, para quem curte, corra atrás do álbum imediatamente. Roube-o se for preciso!

Tracklist:

1. Heartbreaker
2. Coup de Grace
3. Lost Woman Blues
4. End Of Time
5. Do You Believe?
6. Death Machine
7. Dust And Glass
8. Going To Mexico
9. Silence When You Speak To Me
10. Crying Shame
11. Queen Of The Damned
12. Knife
13. Keep Your Powder Dry
14. Paralyzed

Postado por André Prado
Estudante de publicidade, formado em nerdices em geral, pós graduado em Netflix, e phD em piadas idiotas. Gasto dinheiro em comida e com livros que não tenho tempo pra ler.

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