Resenha Game: Alan Wake (Xbox 360)

quinta-feira, março 06, 2014

"Alan Wake" é o tipo daqueles jogos meio esquecidos pelos gamers mais ligados em jogos de ação ou grandes franquias, mas aclamada pela crítica; e para um público mais cult e mais gamer, a aventura sombria de Alan por Bright Falls é lembrada com muito carinho. Desenvolvida pela Remedy, mesma produtora de "Max Payne", e publicada pela Microsoft, o survival horror foi lançado em 2010 exclusivamente para o Xbox 360 e dois anos depois para os PCs.

Alan! Acorda!

A trama gira por (vou te dar o doce se você adivinhar o nome) Alan Wake, um escritor famoso de best-sellers passando uma daqueles bloqueios criativos. Sua esposa Alice então sugere que eles tirem umas férias em um lugar tranquilo e afastado com o objetivo de que Alan finalmente recupere sua inspiração e volte a escrever. A cidade é Bright Falls, hospitaleira, montanhosa e... sombria. 

O casal aluga um chalé de uma velhinha misteriosa vestida em trajes fúnebres que entrega as chaves para Alan e diz que mais tarde retornará para dar um "oi". Pois é, naquele chalé escuro e tenebroso as coisas logo se ajeitaram, e desfazendo as malas, Alice tira uma máquina de escrever e mostra a Alan. Ele fica puto da vida com a insistência e acaba gritando com sua esposa, que cabisbaixa, o vê sair da sala e do chalé. Mas momentos depois de esfriar um pouco a cabeça, Alan ouve sua esposa gritar por sua ajuda. Alan retorna correndo para o chalé e para varanda, onde olhando para o lago vê Alice submergindo nas sombras. Ele pula para salvá-la, mas o que acaba conseguindo é perder a consciência logo depois.

Alan Wake então sai por Bright Falls na busca de encontrar sua esposa desaparecida misteriosamente. Enquanto encontra lenhadores e outros habitantes da cidade, Alan nota que uma escuridão vem tomando posse da cidade e seus habitantes que o tentam matá-lo a qualquer custo. E o pior, a medida que ele explora a cidadezinha, encontra manuscritos escritos por ele mesmo Só que ele não se lembra de nada disso e tais acontecimentos são exatamente o que estão acontecendo no momento, logo, estando ali o segredo para recuperar sua esposa e sair de toda a confusão.

Jogabilidade

Lendo a sinopse você deduz que a escuridão tomou conta da pequena cidade. Composta na sua larga maioria por lenhadores e por operários, Bright Falls é sombria a cada passo. Dispondo de uma lanterna e uma arma, Alan Wake descobre que com a luz é capaz de quebrar o "escudo" que transformou aqueles habitantes em potenciais assassinos, e com sua arma "bala neles". O esquema é muito na luz e escuridão, sendo assim, Alan dispõe ao longo de sua jornada de três tipos de lanternas que simplesmente variam em ter uma potência maior ou menor, e de algumas bugigangas. Comparando o survival horror a um jogo de guerra convencional, o que conhecemos por granada, aqui são chamadas de flashlights, que nada mais são do que bombas de luz (muito úteis por sinal). Também temos as "flares" ou sinalizadores, que afastam os inimigos e se soltadas perto deles, quebram seu "escudo das trevas".

Em "Alan Wake" também temos partes de carro. Numa cidade teoricamente caótica, nas estradas será comum você encontrar carros abandonados, nem todos são possíveis de utilizar, mas aqueles que tiverem a luz acesa na parte de dentro ao chegar perto aparecerá o botão B com a opção de direção. Exceto nas partes de mata fechada, claro (e que se resumem a maior parte do jogo), a travessia com os carros é bastante interessante para não só percorrer distâncias, mas à la "Carmaggedon" sair por aí atropelando os possessos na sua frente. Entretanto não espere facilidades nestas partes motorizadas. Os inimigos são bem desafiadores e tentarão te tirar do carro a qualquer custo, sem contar a própria jogabilidade com o carro que te fará arrancar os cabelos de ela ser tão escorregadia quanto um chão cheio de sabão. 

No jogo além dos "lenhadores do mal" também teremos diversos poltergeists para você se virar do jeito que dá, mas felizmente basta apontar a luz para eles virarem poeira; é importante ser rápido e ter bastante baterias no bolso para destruí-los antes que eles se atirem na sua cabeça. Os objetos podem variar de um pneu para um trator! Tais poltergeists gigantes são tratados meio como chefes do jogo, mas o esquema para liquidá-los é exatamente da mesma forma.

Ambientação

Essa parte foi o que mais me surpreendeu em "Alan Wake". Apesar de o Xbox 360 ter um poder gráfico indiscutível, "Alan Wake" foi feito em 2010, portanto há quatro anos e considerando que vimos jogos mais trabalhados, o game não decepciona nesse quesito funcionando de um jeito redondinho. Claro que temos algumas animações meio repetitivas, mas se tratando de um game que na sua maior parte se passa em florestas e na penumbra da noite, não se tem nada a reclamar do jogo, só a elogiar.

Ainda envolvendo essa parte, para quem começou a aventura e para quem está lá pelo meio do jogo, já nota-se que o ponto fortíssimo de "Alan Wake" é seu clima, sua atmosfera. Como já disse, na maior parte do jogo você vai estar com o escritor Alan Wake pelas florestas apenas munido de uma lanterna e algumas balas. Nessa mata fechada cheia de penumbra e sombras, cheio de lenhadores querendo rachar sua cabeça, você dificilmente se sentirá frágil dessa forma em um outro jogo. Palmas para a Remedy, que soube como ninguém te transportar para aquele universo do livro esquecido pelo Alan Wake, apreensivo a cada manuscrito que ele encontra pelo seu caminho.

Som

Já estava falando da trilha sonora, mas precisava separar um tópico da resenha só pra isso. Ainda estando na parte da ambientação, cada efeito sonoro naquela floresta sombria te causa arrepios, não de sair correndo do sofá, mas ao conseguir te deixar diversas vezes aflito esperando a próxima cena acontecer, que cada vez mais te deixa grudado na tela da televisão. 

A trilha sonora do jogo foi escolhida a dedo de uma forma muito competente, e as dublagens te levam toda a dramaticidade do momento de uma forma bem convincente e realista. Falando da primeira especialmente, cada capítulo do jogo tem uma trilha sonora de encerramento, bem naquele esqueminha de episódio, que entre outros tem Roy Orbison, Nick Cave e David Bowie! 

Departure (O final)

"Alan Wake" é dividido em 6 episódios que são: "Nightmare", "Taken", "Ransom", "The Truth", "The Clicker" e "Departure", tendo ao final de cada um deles, uma trilha sonora especial. Como se fosse uma série de televisão ou mesmo uma série de livros, já indo pelo gancho de que Alan é um escritor e ele mesmo escreveu a história do jogo e não lembra. O jogo tem um charme todo especial e traz um clima que poucos jogos foram capazes de proporcionar, o transformando no melhor exclusivo do Xbox 360 e que todo fã do console que se preze deveria o ter em sua coleção.

Defeitos? "Alan Wake" sinceramente não tem. Talvez eu possa citar que o jogo é deveras curto, porém por outro lado é isso que o torna tão bom. O que poderia se tornar maçante, tanto na história como na jogabilidade, não é possível justamente tanto por um como pelo outro serem bem condensados na medida certa. É como o Breaking Bad ter terminado na sua quinta temporada, apesar de sua audiência crescente, saca? 

Depois de jogar Alan Wake, nunca amei tanto a luz como agora. 

Postado por André Prado
Estudante de publicidade, formado em nerdices em geral, pós graduado em Netflix, e phD em piadas idiotas. Gasto dinheiro em comida e com livros que não tenho tempo pra ler.

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