Resenha Game: Castlevania - Lords Of Shadow 2 (Xbox 360)


O primeiro episódio de Lords of Shadow na série Castlevania teve um desafio: adequar e fazer um jogo realmente digno em 3D da série. Apesar das semelhanças por muitas vezes absurdas com outros jogos como: Shadow of The Colossus e principalmente (e inevitavelmente) God of War (só para citar dois exemplos), o primeiro "Lords of Shadow" conseguiu uma identidade própria. Além de reconstruir de forma muito competente a mitologia dos Belmont, o jogo da MercurySteam e da Kojima Productions também apresentava gráficos lindos com uma jogabilidade simples e direta, aliados a um enredo muito forte. Receita perfeita!

Criticas haviam. Como por exemplo a jogabilidade, essa que "invocava" Kratos, não só por ser do mesmo gênero, mas por diversos movimentos de ataque serem absurdamente parecidos com seu irmão. O que para muitos soou como defeito, porém penso (e repetindo) que God of War estabeleceu conceitos tão definitivos sobre qualquer hack n' slash que ficaria difícil não sentirmos relação, ainda mais porque Gabriel Belmont tinha uma corrente em sua arma em formato de cruz.

Mas as críticas paravam por aí, pois deixando de lado a chatice de alguns, tivemos um dos melhores jogos já feitos da série. Então nada mais justo que essa sequência anunciada desde 2013, fosse ansiosamente aguardada não só por mim, mas como o mundo gamer também.

História

SPOILERS: Se você não jogou o primeiro game, pule essa parte.

A primeira coisa que temos que falar é sobre o ponto mais alto da série, a história. 

No primeiro game acompanhamos a saga do "membro da luz" Gabriel Belmont que, em 1047, numa época em que os mortos andavam sobre a Terra, luta para vingar a morte da sua esposa derrotando ninguém menos que o Lorde das Sombras para acabar com esse feitiço e tentar trazê-la de volta a vida. Como maldição escrita nas profecias, aquele que derrotaria o Lorde das Sombras seria tomado pelas trevas. E assim foi, Gabriel Belmont acabou se tornando Dracul. 

A premissa do segundo game é a busca de Gabriel em recuperar sua imortalidade. "Lords of Shadow 2" começa exatamente onde o primeiro game parou. 

Nos tempos modernos, o imortal Zobek avisa Gabriel de que os acólitos de Satã estão preparando seu retorno, e que eles deve pará-los antes que se vinguem de ambos. Em troca, Zobek diz para Gabriel que pode ajudá-lo a se libertar da imortalidade caso ele o ajude. E nessa busca, não só ele, mas como o clá dos Belmont (inclusive Alucard) se reúnem para combater de uma vez por todas essa ameaça.

I'am Dracul!

Como já disse várias vezes, a primeira coisa de que você se lembra quando vê para Gabriel e seus golpes é em Kratos. Em "Lords of Shadow 2" isso se torna mais evidente, mas felizmente o choque acontece só no começo. Não estamos falando só dos golpes, mas como nos próprios nomes das armas como as "Garras do Caos", até mesmo no primeiro ato do game.

Vou tentar me dar a licença de contar só um pouquinho do game aqui. Numa espécie de prólogo/tutorial, vemos Dracul em sua força máxima numa cena em que ele defende seu castelo dos anjos que pretendem destruí-lo. Ao passar do portão principal, ele vê a cidade em chamas quando surge um inimigo gigante na sua frente. Semelhanças com God of War 2? Infelizmente a marca do roteiro de o personagem estar fodão no começo do game pra depois perder seus poderes, já vimos também nesse game. Mas enfim... 

Felizmente isso não dura muito e Gabriel (mais rápido do que imaginava) recupera seus dois poderes básicos, as "Garras do Caos" e "A Espada do Vazio", que equivalem a energia laranja e azul, a primeira aumentando a força de ataque o suficiente para quebrar defesas inimigas, e o segundo para drenar sangue. Exatamente como funcionam no primeiro game, só que aqui vieram armas junto.

Poderes do mal

Como Dracul, Gabriel em tem que estar "foda", então além desses dois poderes temos as velhas adagas que com um desses poderes ativados, se transformam em bolas de fogo ou de gelo, servindo para abrir certas barreiras e acertar inimigos que estão no alto da tela. Ainda sobre os poderes, Dracul também pode virar névoa e possuir certos inimigos.

Tal qual como "Devil May Cry", cada golpe é passível de compra, como no primeiro game, e agora de evolução. Isso incentiva o jogador a praticar golpes mais variados se quiser evoluir ditos cujos, assim evoluindo o próprio poder da arma. Confesso que essa opção é dispensável a jogadores mais habilidosos, mas em dificuldades mais altas pode ser útil. Evoluí o "chicote" até o nível dois e foi o suficiente para fazer um belo de um estrago. Evoluindo uns 4 golpes já é possível fazer um upgrade na arma.

Falando em upgrades, eles estão bem mais fáceis de se achar. No primeiro game, pergaminhos se misturavam a runas para aumentar o HP e MP, já no segundo game isso foi bem facilitado. Os pergaminhos se resumem aos soldados, enquanto as runas podem ser encontradas separadamente em itens brilhantes no cenário. 

O maldito Stealth

Eu sinceramente não sei porque isso existe aqui. Como uma novidade, principalmente pensando que Dracul é um cara foda e faz tudo. Gabriel certos momentos se transforma em rato. Isso é útil e obrigatório pois Gabriel não pode com os "guardas", por maiores que eles sejam e mesmo que Gabriel lute contra inimigos mais poderosos que eles. Coerência pra que né? Não é possível nem esquivar! Apesar que não se preocupe, há morcegos para te ajudar, além da própria possessão que falei.

Essa parte furtiva quebra o ritmo do game em diversos momentos, principalmente quando se enfrenta parte com guardas. Apenas em uma situação achei que a furtividade poderia ser bacana e achei que ela realmente fez sentido: no Labirinto do Fauno. Essa é uma parte irritamentemente chata, mas te dá um alívio quando você passa, ao contrário das missões que citei.

A opção de se transformar em ratos, também serve para passar algumas partes do cenário, assim como para achar alguns itens. Algo totalmente desnecessário no andamento do jogo.

Os vampiros foram amansados

Sinceramente, eu não sei bem se eu como fechei o primeiro game e já tinha uma boa noção dos golpes, tornei o jogo mais fácil ou foi a própria Mercury Steam. Acho que foram as duas coisas, mas principalmente a segunda. "Lords of Shadow 2" é mais fácil do que o primeiro game, o que é um sacrilégio se tratando de Castlevania que sempre foram famosos por trazerem uma dificuldade alta, vide os do Nintendo DS. "Lords of Shadow 1" também não tinha uma dificuldade alta, mas apresentava uma boa diferença do segundo episódio. Aqui, com uma boa habilidade é possível passar não só de fases, mas de chefes com uma certa facilidade, apenas usando aquele esquema de esquiva-ataque-esquiva com TODOS, inclusive Satã, que claro que dará mais trabalho.

Outro ponto é que Castlevania apresenta diversos bugs. Não sei também se fui muito xereta e se estou sendo chato, mas não foi preciso muito para ficar preso em escada flutuando no ar. Num exemplo, no caminho para a Basílica, não estava encontrando o caminho correto e seguindo a seta no pequeno mapa, passei meio que na marra por um cano caindo numa água esquisita. Só que parece que essa água era tóxica, pois nem podia me mover que morria e voltava exatamente no mesmo lugar, o que me obrigou a reiniciar toda a missão. Coisa assim não se encontrava no primeiro "Lords of Shadow". Esse é um problema que incomoda aqui nesse segundo episódio: seus cenários confusos. 

Muitos games atualmente apresentam esse tipo de problema, vários deles tem bugs bizarros. Mas se tratando de um game que teve anos de desenvolvimento e inclusive um adiamento, bugs tão simples não deveriam haver. Veja a dificuldade que é encontrar esse bug da física no Far Cry 3:


Se o jogo não te pega na mão nessas situações, exigindo observação e um pouco de paciência pra perceber que o caminho(muitas vezes óbvio) "é por ali". Em diversos outras situações o jogo te pega muito pela mão, como nas escaladas. Quando não souber por onde ir, basta aguardar a révoa de morcegos aparecer indicando o próprio lugar a se pular. Mesmo no chão ao se aproximar, eles farão barulho pra você.

Outro ponto que me incomodou foram os loadings. Eles são deveras longos muitas vezes, e paraquem tá naquela fúria de passar daquele chefe ou fase, isso meio que brocha. 

Jogabilidade e gráficos

Os cenários são lindos e embasbacantes, principalmente as partes dos arredores do castelo. Mesmo nas partes no mundo moderno são muito bem feitas também e fazem jus ao jogo. O porém é que tornaram também o jogo mais "cinzento". 

A jogabilidade é simples e fluída, mas tem uma parte ruim. O botão de defesa é o mesmo da esquiva, o que é desastroso. Para praticar a defesa perfeita é necessário um tempo perfeito, naquele último momento de o golpe inimigo acertar em você. Ao praticar essa "defesa perfeita", a câmera fica lenta e começa um tipo de contra-ataque, quer dizer, praticando essa defesa você desestabiliza seu oponente durante um período de tempo e assim pode aumentar consideravelmente a possibilidade de fazer um combo completo, seja com o X ou Y.

Até que seria uma boa se você ficasse parado, mas isso é praticamente impossível, ainda mais quando se está enfrentando um chefe. Por vezes essa defesa irá acontecer, mas será simplesmente sem intenção alguma, já que o mesmo botão serve pra se esquivar. Bom, é algo que incomoda se formos mais críticos, mas se você é como eu e usa mais a esquiva do que defesa, não afetará o andamento do game.

A câmera foi algo melhorado aqui e temos (finalmente) uma câmera de livre movimentação. A câmera fixa do primeiro "Lords of Shadow" chegava a irritar em alguns momentos e era algo bizarro por si só, afinal todo jogo 3D do universo apresenta câmera livre por mais podre que seja.

Vale a pena jogar?

Sim, claro que vale. Não pense você que por causa dos defeitos que citei, "Lords of Shadow 2" é um jogo ruim, pelo contrário, estamos aqui falando de um jogo muito bom. Pior que o primeiro, mas ainda assim a altura desse. Não só a jogabilidade fácil e intuitiva te prende e te motiva a tentar sempre mais uma vez, mas como a própria história que remonta muito bem todos os parentes do clã dos Belmont. Você sempre está disposto a ver o que vai acontecer na próxima cutscene.

O segundo episódio de "Lords of Shadow" é um jogo de detalhes. Tudo aqui, desde as mortes numa espécie de "fatality" que não economizam no sangue, até o próprio loading e cutscenes sempre com tom cinematográfico são muito bacanas de se ver. Mas um ponto que melhoraria seria os cabelos dos personagens, eles me parecem meio plásticos, tipo como peruca de carnaval, principalmente do Gabriel e Alucard. Esse que pra mim perdeu sua imponência com seu visual 3D...

Com legendas em português, "Lords Of Shadow 2" é um game imperdível, que enaltece os principais acertos do primeiro episódio da série, incrementa-se em detalhes e visual, mas peca nas supostas novidades e na sua facilidade extrema em muitos momentos (o chefe Mestre dos Brinquedos é uma vergonha). 

A trilogia formada pelos dois "Lords of Shadow" e pelo "Mirror of Fate" lançado para DS, posteriomente na Live e no mês que vem para PCs, encerrou a história por aqui feita pela Mercury Steam. Mas pelo final (meio chocho) do "Lords Of Shadow 2" é bem possível de termos uma sequência, afinal a Konami gosta de dinheiro também. Sinceramente torço pra isso.

Entre tantas coisas que eu penso, na verdade, não tem nada melhor na vida do que meus heróis, um bom rock n' roll, cerveja, fritas, e um bom papo com uma boa companhia.

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