20 anos sem Ayrton Senna


Em 1º de maio de 1994 foi um dia estranho e sombrio, um dia que numa abrupta e rara batida, a morte encontrou um esportista e um vencedor. Foi o primeiro e raro contato de alguém que nada tinha a ver comigo, morrer e eu sentir que uma parte da minha família se foi também. Aquela alegria de todos os domingos que nunca mais se preencheu.

Impossível não cair em lágrimas na sua vitórias mais marcante, o GP do Brasil de 1991. Nessa prova que de "tranquila" se transformou em "puro drama". A vinte (!) voltas do fim, Senna perdeu a quarta marcha. Depois, nenhuma marcha funcionava sem que tivesse que segurar a alavanca de marchas para que ela permanecesse engatada. Ele precisou segurar a alavanca de câmbio com a mão direita e pilotar com a esquerda!

Ao final, Senna tinha somente a sexta marcha funcionando. A duas voltas do fim, chuva! Cruzou a linha de chegada aos berros e precisou de ajuda para sair do carro, tamanha era a dor que sentia. No pódio, mal conseguia levantar o troféu de sua primeira vitória no Brasil pilotando um F1. Que piloto faria isso hoje em dia com seus super-carros?


Ayrton Senna foi imortalizado no seu instituto, numa rodovia e num túnel aqui em SP. Mas imortalizou em nossas memórias. Penso que até o Galvão Bueno deixou de narrar F1 frequentemente porque Senna se foi, vai saber.

Senna era um piloto, era um apaixonado, era um louco, era calculista, era falho, era humano. Mas não era um herói, e penso que é exageradamente fantasioso achar que ele dava esperança ao Brasil - como alguns brasileiros acham. Entendo que para alguém ser herói, era preciso fazer muito mais do que ele fez como apenas um piloto; a palavra herói era muito maior e sua morte repentina só ajudou a construir sua imagem dessa forma, tal como um cometa que passa na órbita.

Contudo, numa geração atual que vale mais a pena o marketing do que a verdadeira paixão, e da arrogância em detrimento da humildade. Senna se imortalizou na história porque exerceu uma das principais qualidades do ser humano: abaixar a cabeça e aprender.

Ele foi capaz de fazer uma nação enlouquecer em pulos de alegria nas suas vitórias, e ficar em luto na sua morte, incrédulos como não me recordo. Construiu assim, um nome que se tornou mais que um simples nome. Virou um mito.

Tinha uns 6 anos quando ele morreu. Lembro de todos os brasileiros, não importando sua classe e sua idade, levantando cedo no domingo apenas esperando mais uma vitória sua. Não só de um piloto que era brasileiro e que tinha chances reais de vencer o mundial do esporte. Não. Mas pela sua determinação e paixão pelo o que fazia; e que ele como brasileiro, sabia que através de cada vitória passava a imagem de que era possível também vencer na vida, como ele venceu ao chegar até aonde chegou.

Talvez ele tenha sido o único, talvez ele tenha sido o último grande ídolo. Felizmente nasci na geração certa em que pude vê-lo e mesmo em entender muita coisa, torcer e com alegria comemorar suas vitórias.

Resta dizer: Senna, o Brasil sente saudades.

Estudante de publicidade, formado em nerdices em geral, pós graduado em Netflix, e phD em piadas idiotas. Gasto dinheiro em comida e com livros que não tenho tempo pra ler.

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