Resenha Cinema: Capitão América 2: O Soldado Invernal

Apesar de um bom filme e superior a vários como Thor, Homem de Ferro 2 e etc, o "Capitão América: O Primeiro Vingador" carecia de ação, na verdade, um maior embate entre o Capitão América e o vilão Caveira Vermelha. Contudo esse era um fato compreensível, já que o primeiro filme fez apenas sua parte de introduzir do personagem no universo de filmes da Marvel, precisamente na fase 1 que se encerrou com "Os Vingadores".

Seguindo essa evolução natural, nesse segundo filme tivemos um Chris Evans ainda mais a vontade com o herói, apagando de vez seu passado como Tocha Humana, e cada vez mais identificado ao Capitão ao ponto de instantaneamente relacionarmos o ator com o herói; fato que acontece por exemplo com Robert Downey Jr e seu Homem de Ferro.

Comparado a todos os outros heróis, o Capitão América era o mais difícil de ser adaptado. Não, o desafio não eram os efeitos especiais, mas sim o tratamento com Steve Rogers e seu nacionalismo muitas vezes exagerado aos olhos de outros países. O nome Capitão América por si só já não causa simpatia, e o "América" nem faz sentido, já que supostamente ele defende só os EUA. Foda né? Um dos principais relacionamentos ocultos das histórias do Homem de Ferro e do Capitão América talvez sejam esse, o crescente ódio americano, algo que o vilão Mandarim e o Caveira Vermelha representam.

Capitão América 1 ao meu ver foi bem-sucedido em nos apresentar o herói e em como ele quis se tornar assim. Vivia-se a Segunda Guerra e o maior objetivo era dar uns murros na fuça de Hitler e seus comparsas, portanto o caminho mais natural de um cidadão era ter a ideia e uma maior vontade em dar sua vida a seu país, a sua família. O Capitão América só se realizou graças ao governo americano, criado como uma arma. Mas ele é muito mais do que isso, é um herói com valores como amizade, bondade, coragem, e com o senso de heroísmo e liderança que independem de seus músculos. Nacionalista não por ignorância, mas pela bondade em defender apenas o bem. Porém, no primeiro filme vimos uma faceta mais clara do bem contra o mal, uma visão mais "infantil" e mais simples das coisas naturais daqueles tempos. Hoje, em 2012 onde habita essa segunda aventura, tudo é muito maior.

Naquele primeiro filme Steve Rogers já se questionava sobre seu propósito e sabendo de suas habilidades, resolveu salvar o mundo por si mesmo, mas o que mais lhe importava, seu amigo. Agora se encontrando em uma realidade moderna completamente diferente da que ele vivia depois de "dormir" por 75 anos. Steve trabalha para S.H.I.E.L.D., ironicamente trabalhando para Nick Fury de uma forma parecida como a de um soldado espião. E Steve também se questiona sobre isso, afinal, ele é um Capitão e esse seu senso de heroísmo foi aflorado graças aos Vingadores que Nick formou. O propósito dele é muito maior.

Na continuação, o pano de fundo é a vigilância e a guerra ao terror dos tempos atuais, em que troca-se a liberdade pela vigilância em favor da segurança - um dos principais pontos do plano da HIDRA. Ao longo da sessão, nesse emaranhado de questionamentos e desconfiança típicos de thrillers dos anos 70, você vai achar que está vendo um filme sobre conspirações, segredos do governo entre outras coisas, e é exatamente isso que o filme é, um excelente thriller de espionagem.

Como disse, o Sentinela da Liberdade trabalha agora para a S.H.I.E.L.D., mas após uma missão de resgate e do Capitão descobrir uma faceta da organização da qual ele discorda veementemente, ele entra em colisão com Nick. Como desgraça pouca é bobagem, ao mesmo tempo Nick Fury (Samuel L. Jackson) começa a ser perseguido mortalmente e é morto misteriosamente na casa de Steve, surpreso por vê-lo ali naquela situação de fuga.

As últimas palavras de Nick foram: "não confie em ninguém", é isso o que Steve faz, e isso é o suficiente para ele virar alvo nas mãos do presidente de segurança mundial Alexander Pierce (Robert Redford), supostamente ordenando uma caça ao assassino de seu amigo. O que na verdade, era a confusão suficiente para Pierce dar início as ruínas da S.H.I.E.L.D e revelar os infiltrados da HIDRA na própria organização de Nick, surpreendentemente debaixo do nariz dele e de todos os outros. Pois é.

Nessa realidade inesperada que muda a vida de muita gente no filme, o caçado Capitão América e a Viúva Negra descobrem toda a treta e um embate ainda maior do que contra o próprio Soldado Invernal, um plano que começa ainda na Segunda Guerra com o cientista Armin Zola (Toby Jones) revelando ali todo plano da HIDRA de dominação global.

Diferente do primeiro filme, a continuação acertou em cheio nas curvas dramáticas, se comparando facilmente aos melhores thrillers do gênero. Mas felizmente o filme não é só isso, ninguém aqui vai sentir falta da ação com sequências de luta que são de levantar os braços para o alto (como aquela épica do elevador ou quando Steve vai atrás do Soldado Invernal), e claro uma dose de humor que não poderia faltar; tudo fabulosamente na medida certa. Além é claro, da aparição do vilão que nome ao título do filme, o Soldado Invernal (Sebastian Stan). Esse que se revela apenas uma arma no filme, pois o pano de fundo é uma batalha muito maior do que o próprio Steve Rogers, Natascha Romanoff/Viúva Negra (Scarlett Johansson) e Sam Wilson (o Falcão interpretado por Anthony Mackie) imaginavam.

Seguindo a fase 2 dos longas-metragens da Marvel após "Thor 2: O Mundo Sombrio", Capitão América 2 é sem sombra de dúvidas o melhor filme da Casa das Ideias. Mostrando que a Marvel deu mostras de que aprendeu com seus erros em filmes passados, além de justificar que a fase 1 era apenas uma introdução de seus heróis e que a fase 2 e 3 da Marvel tem muito mais a mostrar. Logo, tretas maiores com uma maior exploração do arco de histórias, como essa, do Soldado Invernal.

Além de no final do longa entender perfeitamente o propósito do primeiro, tive a impressão de que a Marvel soube aprender com os erros que por exemplo tivemos no terceiro Homem de Ferro. Explicando mais a fundo, é ver o abismo que foi a adaptação do arco "Extremis" do Homem de Ferro comparado a esse.

Enquanto no Homem de Ferro 3 tivemos modificações desnecessárias na história original "Extremis" das HQs, aqui em Capitão América 2 a dupla de roteiristas Christopher Markus e Stephen McFeely souberam como adaptar fielmente um dos arcos mais famosos do Capitão, sem se render a "truques" baratos de roteiro ou licenças "poéticas". Ponto principal esse que dá para perceber claramente no tratamento ao Soldado Invernal comparado ao Mandarim. Enquanto o primeiro teve uma apresentação gradual, sem atropelos, o segundo foi prejudicado por um roteiro que causou um clímax gigantesco, para no final ter uma revelação que causavam algumas risadas.

A Marvel soube como ninguém construir minuciosamente seu universo de filmes e com planos futuros até 2022. E em Capitão América 2 além de trazer diversas referências a heróis futuros como Stephen Strange (Doutor Estranho) mostrando ele já na mira da S.H.I.E.L.D, o filme revisita o passado em personagens como Howard Stark e Peggy Carter (Hayley Atwell) e introduz personagens como o Falcão, Brock Rumluw/Ossos Cruzados (Frank Grillo), Batroc (George St. Pierre) - sim, o campeão de MMA - e Sharon Carter, a Agente 13, que terá bastante participação em histórias futuras do Capitão. Tudo conspirando já para o terceiro filme programado para 2016 e mostrando desde agora como fazer um ótimo filme de super-heróis.

- Como sempre ao final dos filmes da Marvel tem uma cena ao final dos créditos, e essa cena revela uma importante informação sobre o vindouro filme dos Vingadores: A Era de Ultron. Relacionando diretamente a organização HIDRA aos "vilões" Mercúrio e Feiticeira Escarlate (Wanda e Pietro Maximoff) no auge da Segunda Guerra.

- Stan Lee como sempre faz uma ponta no filme, e ela é uma das cenas mais engraçadas do filme. =D

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Estudante de publicidade, formado em nerdices em geral, pós graduado em Netflix, e phD em piadas idiotas. Gasto dinheiro em comida e com livros que não tenho tempo pra ler.

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