Resenha Game: Uncharted 2 - Among Thieves (Playstation 3)

A tecnologia evoluiu e os games por consequência evoluíram também. Ficou mais caro produzir games. E pelo modelo que o capitalismo prega: para cobrir seus gastos, você precisa de lucro. Então não basta só um bom game, é fundamental que ele "se pague" sozinho. Então quanto mais a produtora vender seu filé para mais empresas que puder, significa que seu game terá um lucro maior; possibilitando sequências (o modo mais simples de dar mais a quem quer e faturar mais trocados fáceis) e maior reconhecimento. Por exemplo, se você pensar em quem era a Betheseda a anos atrás, não irá lembrar.

Porém, contrário a esse modelo capitalista de ser, felizmente acaba proporcionando o inverso aos olhos da empresa que detém os consoles. Numa geração cada vez mais parecida, é fundamental apresentar um diferencial. A Nintendo ainda usa sua própria criatividade (o que vem mostrando ser pouco) e a Sony usou todo seu cacife para bancar uma grande biblioteca de jogos exclusivos ao seu PS3, ao contrário de seu rival da Micro$oft, que apresenta uma lista pobre de exclusivos para seu console. Alan Wake é o único que me recordo.

Mas enfim, esse tralalá nessa introdução gigantesca, é para explicar que se não fossem os preços exorbitantes dos consoles e jogos de vídeo-game aqui no Brasil, o PS3 pra mim seria o vencedor dessa geração, mas que por causa da pirataria, o Xbox 360 acabou vencendo aqui no Brasil em consoles vendidos. E assim foi a trajetória do PS3, relegado a segunda opção por causa da pirataria e dos impostos. 

Dentre ótimos games como Heavy Rain, God of War, InFamous, Ratchet & Clank, Last of Us, Def Jam, Gran Turismo, Uncharted e tantos outros, resolvi recentemente adquirir um PS3 após ter um Xbox 360 em casa, por causa desses games exclusivos. O fator secundário que falei, e que diretamente beneficiou a Sony em vendas em todo o mundo. 

Mas chega de enrolação, vamos falar do excelente Uncharted 2.

Enredo

A aventura de Nathan Drake é buscar um misterioso artefato indicado pelo lendário explorador Marco Pólo. Se aliando a dois sócios para encontrar pistas desse "tesouro" e por consequência, ganhar um boa graninha por essa busca, depois de aceitar o negócio  Drake (obviamente) verá que nem tudo será simples assim, e é essa a hora que a verdadeira aventura começa.

Nathan Drake: O maior herói fora das HQs

O destaque claramente não é o enredo, afinal, nesse roteiro cinematográfico, você meio que imagina como tudo ocorrerá. Contudo, o destaque principal de Uncharted é a forma como ele conta tudo isso e principalmente no trabalho meticuloso da Naughty Dog em dar imersão aos seus personagens.

Se estivéssemos na pele dele, era fácil perder o bom humor. Mas Drake mesmo fodido como um bom aventureiro, tira de letra com uma piadinha a cada cutscene que aparece. É emblemático aquela piada mesclada na verdade de que  "tudo que ele toca vira merda". Pois é, Nathan Drake se ferra e muito ao melhor estilo John McClane em Duro de Matar. Não há pausa pro pobre coitado. Esse roteiro cheio de reviravoltas traz sempre uma surpresa indigesta pro herói a cada passo que ele dá. E tal sensação de fragilidade do personagem é vista não só ao longo da aventura, mas logo de cara quando ele é obrigado a escalar um trem em destroços a ponto de cair num precipício; sensibilidade que também é vista em pequenos detalhes como Drake tentando se aquecer no frio esfregando as mãos. Essa criatividade na construção dos personagens faz falta em muitos filmes de Hollywood.

Enfim, é impossível não se envolver emocionalmente com Drake e torcer a cada minuto para que no fim tudo dê certo, não só através da trama, mas pelo carisma dele. Confesso que depois da humanidade que Drake teve ao num dos mais intensos conflitos do game, ao carregar o câmera-man que acompanhava Elena no meio do tiroteio, resistindo a insistência de Chloe e mesmo ele próprio sabendo que o câmera dificilmente iria sobreviver do tiro que levou, foi um dos momentos mais valorosos do game.

Em Uncharted você raramente estará sozinho, sempre haverá algum personagem para te fazer companhia na aventura. Seja os "pares" Chloe e Elena, o sarcástico senhor Sully, o guia fodão Tenzin, e o fdp traidor Harry Flynn; todos eles são imprescindíveis pra história, contam com personalidades próprias e ótimas dublagens e caracterizações. 

Gráficos e Jogabilidade

Os gráficos são um dos mais belos que já vi nos games. Boa parte da aventura de Uncharted se passa no interior de construções antigas ou na pura poeira causada pelo tiroteio. Mas quando o game se mostra nas paisagens mais "vivas", nas geleiras, montanhas e matas, principalmente no seu final na Árvore da Vida. Apesar que acredito que você não vá parar muito pra apreciar por causa de sua agitação.

A sua jogabilidade também é excelente e não faz feio a games não só de aventura, mas de shooters também. 

Não tenho muita base pra falar de jogos de tiro, até porque joguei poucos na minha vida, mas a inteligência dos inimigos agrada, como a ótima variedade de armas. Como em Gears of War, você tem a opção de escorar e atirar as "cegas" se quiser, mas se a situação apertar e um inimigo te surpreender nas suas costas você pode partir pra boa e velha porrada. Felizmente o ataque corporal não se resume somente a porrada, o inimigo se defende e apertando triângulo Drake dá um belo contra-ataque. As animações dos golpes são excelentes e bem realistas, mas que impedem o jogador de querer resolver tudo dessa forma. Sendo assim, é fundamental ter esperteza e boa velocidade de raciocínio para saber o momento certo de usar a arma certa.

O game é linear. Nada de grandes explorações para achar segredos e nada de itens escondidos para resolver certos puzzles. Tudo aqui é muito direto com os itens se limitando a artefatos colecionáveis que você encontra ao longo da aventura, e isso me agradou muito, pois a Naughty Dog não escolheu o caminho fácil de aumentar a duração do gameplay colocando um monte de itens ao longo do game, o que é comum hoje em dia.

Saca aqueles jogos que indicam o caminho quando você aperta certo botão? Em Uncharted não temos dicas evidentes como um traço no chão, mas mais discretas como dicas que esses parceiros te dão do que fazer em certa situação, ou mesmo se você ficar muito tempo parado com o personagem aparecer a dica apertando cima no direcional pad. Em outras palavras, ele te faz usar a cabeça. O senso de observação é fundamental. 

Um ótimo game sempre esconde os defeitos

Os defeitos aqui são praticamente nulos e se limitam as partes de tiro em um pequeno desacerto quando vamos escorar em uma parede, e outro, que já acho problema da Sony, que é do direcional do Dual Shock 3 ser "muito sensível" comparado ao do Xbox. O que implica na mira. Em vários momentos me vi naqueles "toquinhos" no direcional pra tentar acertar a mira de forma mais precisa, o que te faz perder momentos preciosos que são bem curtos no meio daquele tiroteio todo. Mas como disse, esse é um problema da Sony, portanto é um detalhe que não tira nem um pouco do brilho que o game tem.

Conclusão

Cinematográfico e de forma competente como poucos games que vi, a aventura de Nathan Drake te faz ficar vidrado na tela da tv. Cheio de traições, reviravoltas e ação, dignas, como disse, das melhores aventuras do cara de chicote e chapéu criado por Spielberg e George Lucas. Uncharted 2 é uma das melhores aventuras da história dos games. 

Parabéns a Sony e a Naughty Dog, pois são esses games que te fazem vender seu console. Experiência inesquecível e imperdível!

Entre tantas coisas que eu penso, na verdade, não tem nada melhor na vida do que meus heróis, um bom rock n' roll, cerveja, fritas, e um bom papo com uma boa companhia.

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