Resenha CD: Arch Enemy - War Eternal

Confesso que hoje em dia não sou tão ligado ao Arch Enemy como era a um tempo (não muito distante) atrás, isso se deve muito a álbuns que não me agradaram muito como o "Ryse Of The Tyrant" de 2007, "Root of All Evil" de 2009 e o último álbum com os vocais da Angela Gossow, "Khaos Legions" de 2011.

Aliás a entrada da jornalista (sim, jornalista) em 2000 no lugar de Johan Liiva foi um divisor de águas para o Arch Enemy. Claro que a banda já tinha ganho uma notoriedade tendo Liiva nos vocais, inclusive com clipes na MTV e relativo sucesso no Japão, mas depois da entrada de Angela a coisa decolou. Liiva foi convidado a se retirar da banda pelo guitarrista e líder Micheal Amott por sua "falta de energia" no palco. Bom, quem conhece Angela Gossow e o Arch Enemy sabe que esse problema foi totalmente sanado, e se Liiva já tinha ótimos vocais para o gênero que a banda se encaixa (death metal), Angela por ser mulher deu um toque totalmente diferente e pioneiro (pelo menos até onde me lembre) visto no heavy metal, o que com o tempo e sucesso, encorajou muitas outras mulheres e bandas a se aventurarem nesse terreno "incomum"; como a (linda de morrer e futura substituta) Alissa White-Gluz. E o Arch Enemy cresceu junto com Angela, ganhando cada vez mais qualidade e notoriedade, e como vinho a vocalista alemã melhorou a cada álbum, não só melhorando a potência vocal, mas ganhando cada vez mais simpatia com seus fãs, em entrevistas e shows.

Nesse ano Angela Gossow anunciou sua saída do Arch Enemy por motivos simplesmente pessoais. "Entendi que é a hora de passar o bastão" ela declarou. E assim a ex-The Agonist, Alissa-White Gluz, foi escolhida sua substituta, e foi assim que a curiosidade sobre "War Eternal" aumentou.

Quando temos um substituto pra algum integrante consagrado de uma banda, é notório que aumenta muito mais a curiosidade sobre a mesma. E primeiramente, pra desmistificar logo qualquer curiosidade sobre o desempenho da novata em "War Eternal", é preciso se desvencilhar de qualquer comparação mais próxima com Angela Gossow. Claramente a segunda tem mais potência e qualidade em comparação com a primeira, porém se muitos temiam uma banda que desse liberdade a Alissa como nos seus tempos de The Agonist onde ela usava vocais urrados alternados com vocais limpos, fique totalmente tranquilo. O Arch Enemy graças a liderança de Micheal Ammott continua pisando em terrenos firmes e inalterados em seu "death metal melódico" praticado.

Pesadíssimo e moderno com as guitarras marcantes como sempre, o Arch Enemy usa e abusa das melodias nas suas 13 faixas de "War Eternal". Depois de uma breve abertura (nada que martele tanto como "Tears Down The Wall"), o álbum começa logo com um potencial single. "Never Forgive, Never Forget" tem riffs tão grudentos quanto bacanas e é candidatíssima a ser o próximo hit dos shows da banda. Na faixa seguinte temos o single que serviu para apresentar Alissa White-Gluz ao público, a "War Eternal", que começa com a dupla de guitarras num riff pesadíssimo mas no todo não apresenta nada diferente do que já vi em tantos outros trabalhos da banda. Outro single é "As The Pages Burns", tipicamente Arch Enemy, mas é uma faixa que melhora bastante se compararmos a anterior. E outra música já conhecida era a "You Know My Name" que ganhou um lyric vídeo. Mais melódica, ela é somente é uma música que preenche o álbum de forma competente. 

No todo temos um álbum bem coeso, pesado e melódico como esperaria, com ótimas músicas e refrões grudentos. Como o Arch Enemy poderia fazer, e na minha avaliação bem melhor que os últimos trabalhos com a Angela nos vocais - o que deu uma estreia bem segura de críticas que poderiam vir a Alissa. Das faixas com um brilho maior temos a rápida "Stolen Life", a moderna "On a On", e a que curti mais, "Avalanche".

E terminando "War Eternal" temos a instrumental e doom "Not Long For This World", continuando com a tradição da banda em sempre ter faixas assim em seus álbuns.

Como disse lá no início do texto, não sou mais tão ligado ao Arch Enemy como antigamente. Acho que a medida que fui amadurecendo fui ficando mais exigente com certas bandas que eram inquestionáveis pra mim, e com outras que gostava e não gosto mais. Círculo natural da vida. Então qualquer gênero do heavy metal e especialmente o death metal melódico da qual o Arch Enemy é um dos pioneiros, pra mim precisa ter aquele Q a mais; como a trinca master pra mim da carreira da banda "Wages of Sin", "Anthems Of Rebellion" e "Doomsday Machine". E na comparação com o passado, o Arch Enemy estava perdendo na jogada. Contudo, a sensação que tenho ao terminar de escutar "War Eternal" é de satisfação, e em clima de Copa do Mundo, ver que a banda virou o jogo e agora voltou a ganhar de goleada.

Para fãs de sons mais extremos, "War Eternal" é um álbum que não deixaria de fora da minha cabeceira.

Tracklist:

1. "Tempore Nihil Sanat (Prelude em F minor)" 1:12
2. "Never Forgive, Never Forget" 3:44
3. "War Eternal" 4:16
4. "As The Pages Burn" 4:01
5. "You Will Know My Name" 4:06
6. "No More Regrets" 4:37
7. "Graveyard Of Dreams" (Instrumental) 1:10
8. "Stolen Life" 2:59
9. "Time Is Black" 5:24
10. "On And On" 4:05
11. "Avalanche" 4:39
12. "Down To Nothing" 3:48
13. "Not Long For This World" (Instrumental) 3:29


Estudante de publicidade, formado em nerdices em geral, pós graduado em Netflix, e phD em piadas idiotas. Gasto dinheiro em comida e com livros que não tenho tempo pra ler.

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