André e o Rock: A minha história com opiniões e saudades

quarta-feira, julho 16, 2014


Como comemoração a essa semana do rock que se iniciou no último dia 13, resolvi dividir com você um pouco da minha experiência com o rock, e como cresci e aprendi com um estilo que é muito mais que alguns acordes. É um jeito de ser.

Costumo pensar que um rockeiro não nasce, é concebido. Pais rockeiros tem filhos rockeiros, é quase uma máxima absoluta. Superando o fato de crianças serem meras "esponjas" de ensinamentos e gostos, pra ganhar um significado ainda maior, e por isso esse gênero que tanto amamos é um estilo de ser. Permanece por toda a vida; exceto daqueles que o transformam em uma muleta para seus erros juvenis numa suposta conversão religiosa. A classe do rock n' roll tantas vezes mal vista por gente preconceituosa (principalmente por essas pessoas que citei), é cercada de mística justamente por isso, e passa através de gerações intacta. Modas vem e vão, mas o rock fica por mais que se diga que ele está morto - e creio que o propósito da geração passada é fazer o coro da crítica a qualquer coisa que se oponha ao seu gosto particular: a moda.

Bom, quando nasci a 26 anos atrás vivíamos a época dos LPs, o crescimento vertiginoso dos vídeos-clipes e anos mais tarde a ascensão do que viríamos a conhecer como o já obsoleto CD. Nesse tempo ainda fazia sentido ouvir a rádio, menos popular e mais democrática, já que o rock naquela época de início dos anos 90 vivia num de seus auges comerciais. Era a época do "Grunge" famigerado e apedrejado por muitos, mas lembrado com carinho por pessoas que nasceram nessa época. Fora desse nicho lembro que tocavam muito na época Guns N' Roses, Faith No More, Skid Row, U2, Roxette, The Cure, The Police, Bon Jovi, Queen... mais tarde Nirvana, Pearl Jam, Soundgarden e Stone Temple Pilots se juntaram a esse grupo, era o auge dessas e tantas outras bandas que estouravam com um hit só. Na parte nacional quem roubava a cena era o Cazuza, Titãs, Paralamas do Sucesso, Lulu Santos, Ultraje a Rigor e Legião Urbana.

Falando nela, grande parte da minha formação e iniciação musical no gênero se deve a ela (uma das poucas coisas boas que ela me passou...). Ela não era de ficar andando de preto e cortando o cabelo à la Robert Smith. Ela era eclética na medida certa, apreciava o rock e o pop da época, tanto que gostava da Madonna e New Kids On The Block - curiosamente de Michael Jackson nem tanto. De camiseta de banda ela tinha uma branca com a capa do álbum debut do Pearl Jam, Ten, e só. Entretanto, como disse, ligar na rádio naquela época era outra conversa. A saudosa 89FM vivia também seus grandes momentos, e ela costumava ligar o nosso som 3 em 1 e colocar essa rádio pra tocar enquanto limpava a casa. Se você é mais novo, o 3 em 1 é simplesmente a junção de vinil, fita K7 e rádio, e ele era tão antigo que precisava colocar pilhas na parte de trás do aparelho se você quisesse memorizar as rádios. Coisa impensável de existir hoje em dia. Bom, a tecnologia evoluiu e hoje vinil é peça de colecionadores e entusiastas e a fita K7 virou nostalgia.

Voltando ao assunto, diversas vezes durante as fins de semana com sol na maioria das minhas lembranças, minha mãe colocava na rádio e enquanto tomava sol na varanda gravava fitas K7 que muitos anos antes do MP3, serviam para fazer nossas coletâneas. Dava trabalho se você quisesse "pegar" música de graça seus noobs! E ela seguia o mesmo processo quando gravava os vídeo-clipes na fita VHS. Naquele tempo a MTV acabava de nascer e muita gente nem tinha, então os clipes se retinham a TV aberta e grande parte da popularização dessa mídia audiovisual se deve ao saudoso Clip Trip da TV Gazeta, que trazia além de clipes, trazia também artistas ao palco da emissora. Era a MTV daqueles tempos, mesmo quando essa dava seus primeiros passos!


Ela costumava dizer que enquanto ela grava as fitas VHS dela, eu ficava quietinho até quando estava no berço escutando as músicas, e gostava principalmente do clipe com o "cara na montanha". Bom, é esse:


E assim fui me criando, crescendo e com a MTV ao lado, felizmente numa época que tocavam melhores músicas capazes de criar uma maior nostalgia. Nessa época, já criança, acompanhava assíduamente o canal. E na sua época mais saudosa de Astrid, Cazé, Marina Person, Sabrina Parlatore, João Gordo, Edgard Piccoli, Cuca Lazzaroto, Chris Nicklas e Chris Couto, Gastão Moreira, Fábio Massari e tantos outros, formou musicalmente muitas cabeças e colocou muitos programas na história. Vendo o canal fui capaz de aprender o que era música, coisa que essa geração que acompanhou os últimos dias confusos do canal e formavam o coro contra seu fim, não foram capazes de saborear. Todavia, o canal acompanhou o declínio da música num todo... sacomé.

O primeiro clipe de rock eu vi muito antes dessa época, mas o primeiro clipe de metal que vi foi do Metallica, nos anos de 1996 com "The Memory Remains". Na época não entendia muita coisa do que estava acontecendo, mas era legal ver aquilo. Quando dizem que os vídeoclipes foram uma revolução musical da indústria se trata justamente disso, você pode nem compreender muito bem a música, mas a comunicação que o vídeo faz com você, o faz vê-lo e revê-lo de novo. E foi assim com esse clipe de certa forma. Talvez por isso tenha tanto carinho por essa época do Metallica mais "coxinha".


Pulando um pouco da história, demorou vários anos para eu voltar ao Metallica. 

Tudo começou com dois grandes amigos, no começo dos anos 2000. Na época temia-se o bug do milênio, mas o que surgiu foi a moda do Nu Metal, a mistura de Metal com Hip Hop ou alguma coisa assim ainda odiada por muitos. Na época estava no colégio e vira e mexe ia a casa de um dos meus amigos (chamado Cássio) para jogar o vídeo-game da época. O irmão dele, Diogo, curtia muito esse estilo e principalmente Metallica, e graças ao Estevam fui apresentado oficialmente a banda e ao gênero que nunca mais deixei. Num belo dia que não lembro qual, o Estevam foi na minha casa e ele me emprestou uma coletânea da banda gravada em CD. Não sei como e nem quem ao certo gravou ou comprou, mas o que eu sei que o CD era do Diogo. Não lembro também porque o Estevam me emprestou, acho que nem pedi, ele apenas apareceu com o CD da banda que já era fã. 

Nesse buraco na minha mente, entre fatos que lembro e que eu não lembro, lembro até hoje dessa coletânea do Metallica. Se tratava de um CD branco, simples, prensado com os títulos das músicas e com um logo da banda. Lembro também até hoje vagamente a sequência que abria o CD: "Enter Sandman", "Sad But True", "Wherever May Roam" e "Nothing Else Matters", coloquei tanto pra tocar no meu Discman que até decorei.

Adorei o Cd e aquela energia da banda. Não existia YouTube na época, então era aquela sensação perdida de não só ter somente aquele CD como registro, mas mal ter um lugar pra buscar material a mais da banda. Na época que isso acontecia era 2001 ou 2002 acho, e em 2003 o Metallica lançava a porcaria mal produzida chamada "St.Anger". Como a banda estava em evidência por isso, lá ia eu pedir para minha mãe os dois primeiros álbuns de metal da minha vida: o próprio "St Anger" do Metallica e o "Dance of Death" do Iron Maiden, outra banda que tinha lançado álbum na época. 



Bom, acho que todo mundo começa pelos maiores expoentes do estilo e eu não fui diferente né? 

Lembro que curti muito esses dois novos presentes que ganhei, mas a medida que a internet foi chegando e o meu gosto foi ficando sedento a mais bandas, esses dois álbuns ficaram cada vez mais em segundo plano. Hoje não tenho mais os dois CDs, vendi os dois em rolos por aí, mas mesmo musicalmente eles não me agradando mais, ainda ocasionalmente paro pra dar uma olhada nos dois e lembrar um pouco da história que ajudaram a construir.

Como disse, a internet chegou e com isso mais bandas adentraram meu catálogo. É um mundo mais fácil e mais globalizado, e na mesma onda de igualdade que democratiza e dá a qualquer pessoa o direito de usufruir da música de um determinado artista como bem entender. Deixando o lado das gravadoras e legalidade, por outro lado isso foi o que acabou afetando a música de mainstream de certa forma. Hoje cada vez mais um artista que chega ao topo das paradas é descartável. É simples descartar um artista já que a internet logo coloca um outro em seu lugar, não é mais necessário batalhar para ganhar seu "lugar ao sol" como em outros tempos. Hoje sem muito trabalho se faz música profissional e com qualidade de estúdio, e essa falta de "luta" foi o que empobreceu a qualidade do mercado na minha visão. A qualidade virou quantidade. E essa queixa deixou de ser apenas um chororô de saudosismo, mas onde apenas comparando décadas a décadas, vê-se claramente que não existem mais tendências e que o talento musical diminuiu consideravelmente.

Com essa ferramenta da internet meu "leque" de opções abriu consideravelmente, e mesmo naquela internet discada que a gente tinha antigamente com aquele barulhinho que nos enfurece, eu suportava as quedas de linha, e como todo brasileiro esperava pelos corujões pra usar a internet de graça após a meia-noite. Outra coisa impensável em tempos atuais de internet a cabo, de meus 35mb, e um tipo de impaciência tecnológica que nunca mais me abandonará.

Hoje lembro daqueles dias com saudade, saudade da minha paciência que monges teriam inveja, pra baixar uma música de cada vez de artistas que acabava de descobrir. Às vezes até álbuns inteiros naquele ritmo vagaroso comemorado, quando deixar o computador ligado a noite inteira era rotina. Pobre do meu Compaq Presario.

É quase que impossível dizer a vocês todos a bandas que baixei, mas asseguro que fui o cara mais "metaclético" que conhecia. Não tinha cabeça fechada a nada, indo do Speed Metal do Stratovarius até o Black Metal modinha: Cradle Of Filth. Só tinha receio da gritaria do Death Metal, mas aos poucos fui me acostumando com bandas como Children Of Bodom e Arch Enemy que apresentavam um som mais melódico e "amigável" aos ouvidos que ainda se iniciavam nos guturais potentes. Tudo que meu amigo Patrício me apresentou. 



Daquela época até hoje deixei de gostar de muita coisa, de Cradle of Filth a Iron Maiden, de Helloween a Stratovarius, de Nightwish a Epica, e de Linkin Park a Korn. Como qualquer pessoa, amadureci e selecionei melhor o rock que queria ouvir. O clássico de bandas como Queen, Scorpions e Led Zeppelin sempre permaneceu, aliado ao moderno e alternativo que se ouve num Mastodon e Opeth hoje em dia, ao virtuosismo de um Dream Theater, e do peso cavalar do eterno Pantera. No final, entre tantas idas e vindas, gostos e críticas, o rock sempre permaneceu em minha vida, e me mostrou quantas milhares de nuances, emoções e balanços se precisa ter para permanecer eternamente na minha história.

E você, qual sua história com o rock?

Postado por André Prado
Estudante de publicidade, formado em nerdices em geral, pós graduado em Netflix, e phD em piadas idiotas. Gasto dinheiro em comida e com livros que não tenho tempo pra ler.

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