Resenha CD: Anathema - Distant Satellites

Depois de muito escutar "Distant Satellites", décimo álbum de estúdio da banda inglesa Anathema, eu consegui defini-lo de duas formas: emoção e sentimento.

Apesar de as duas palavras soarem parecidas - e realmente elas caminham muito próximas derivando de um só lugar: a mente subconsciente -, analisando mais profundamente não é difícil perceber que os dois tem sim uma boa diferença.

Numa pesquisa rápida no Google, a definição de emoção basicamente é resumida em ação e reação, ao mesmo tempo mental e orgânica. Enquanto o sentimento abrange diversos elementos intelectuais e emocionais, como se fosse um álbum musical da qual as emoções são faixas do mesmo, no sentimento há uma elaboração maior de espiritualidade e racionalidade, ao contrário da emoção que é definida pelos instintos e inferioridades.

No parágrafo anterior, comparei que o sentimento para a emoção é como se fosse um álbum. Talvez essa seja a definição mais precisa que encontrei para não só definir a banda em si, como o recente "Distant Satellites".

O Anathema em toda sua evolução musical ao longo dos anos, do simples doom metal ao progressivo ou ambient rock (que seja), se notabilizou em conseguir expressar musicalmente sentimentos que, ao ouvi-los, também não conseguimos expressar. É como se fosse uma via de mão dupla, em que ninguém diz nada, e imagens e lembranças mergulhadas em nossa mente são apenas transmissões entre banda e ouvinte.

Em mera inexistência de um rótulo mais preciso para a banda, e nas diversas nuances que o Anathema apresenta, "Distant Satellites" é marcado pela maturidade, onde a banda não se conteve em ir além, improvisar e se aperfeiçoar. E mais do que isso, é uma provação de curiosidade sonora. É preciso ouvi-lo várias vezes para o absorver de uma forma mais precisa e expressar uma opinião.

A emoção é definida pelos instintos, numa ação e reação mental e orgânica, em que ao ouvir determinada música nos faz compartilhar-las imediatamente no perfil do Facebook ou de qualquer outra forma que a tecnologia e a amizade nos proporciona, e essa é a reação que tive em cada faixa de "Distant Satellites". A intensidade marca as composições de Danny Cavanagh e o feeling marca a dupla formada mais uma vez por Vincent Cavanagh e Lee Douglas. As três partes de "The Lost Song" são simplesmente comoventes (principalmente a parte 2 cantada por Douglas) e se igualam perfeitamente a magnificiência de "Untouchable" do álbum passado.

Diria que a partir da música "Anathema" e sua dramática atmosfera que sintetiza tudo aquilo que a banda proporcionou esses anos - soando como uma auto-homenagem mais que justa -, começa a segunda parte de "Distant Satellites". Apesar de experimentações eletrônicas aparecerem, dando um toque mais moderno e até pop ao som da banda, não é absurdo dizer que as faixas (surpreendentemente) complementam o álbum perfeitamente. Adentrando um gênero que só o Muse sonharia em alcançar um dia (especulando um pouco), a faixa-título "Distant Satellites" é a que mais se destaca das demais na doce voz de Vincent Cavanagh.

É impressionante e admirável que mesmo após 25 anos de carreira e dez álbuns gravados, o Anathema ainda tenha uma quase que incontrolável ânsia de se inovar e se renovar. Não bastou o ápice que a banda atingiu no magnífico "Weather Systems", é preciso sempre mais, provar que mesmo no mesmo caminho é possível o percorrer de forma diferente.

"Distant Satellites" é nem melhor nem pior que "Weather Systems", apenas diferente. Mais uma vez.

Tracklist

1. "The Lost Song, Part 1" - 5:53
2. "The Lost Song, Part 2" - 5:47
3. "Dusk (Dark Is Descending)" (D. Cavanagh, Vincent Cavanagh) - 5:59
4. "Ariel" - 6:28
5. "The Lost Song, Part 3" - 5:21
6. "Anathema" - 6:40
7. "You're Not Alone" (D. Cavanagh, Jamie Cavanagh, John Douglas) - 3:26
8. "Firelight" - 2:42
9. "Distant Satellites" (D. Cavanagh, Douglas) - 8:17
10. "Take Shelter" - 6:07

Entre tantas coisas que eu penso, na verdade, não tem nada melhor na vida do que meus heróis, um bom rock n' roll, cerveja, fritas, e um bom papo com uma boa companhia.

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