Resenha Livro: A Batalha do Apocalipse (Eduardo Spohr)

Segue a sinopse:

"Há muitos e muitos anos, há tantos anos quanto o número de estrelas no céu, o Paraíso Celeste foi palco de um terrível levante. Um grupo de anjos guerreiros, amantes da justiça e da liberdade, desafiou a tirania dos poderosos arcanjos, levantando armas contra seus opressores. Expulsos, os renegados foram forçados ao exílio, e condenados a vagar pelo mundo dos homens até o dia do Juízo Final.

Mas eis que chega o momento do Apocalipse, o tempo do ajuste de contas, o dia do despertar do Altíssimo. Único sobrevivente do expurgo, o líder dos renegados é convidado por Lúcifer, o Arcanjo Negro, a se juntar às suas legiões na batalha do Armagedon, o embate final entre o Céu e o Inferno, a guerra que decidirá não só o destino do mundo, mas o futuro do universo.

Das ruínas da Babilônia ao esplendor do Império Romano; das vastas planícies da China aos gelados castelos da Inglaterra medieval. A Batalha do Apocalipse não é apenas uma viagem pela história humana, mas é também uma jornada de conhecimento, um épico empolgante, cheio de lutas heróicas, magia, romance e suspense."

Eduardo Spohr além autor do livro A Batalha do Apocalipse lançado em 2010 pela editora Verus, é professor, jornalista, professor, blogueiro e podcaster (ufa). Carioca de nascimento, Spohr nasceu literalmente "viajado", já que seus pais trabalhavam em profissões que eram relacionadas com aeronática, sendo sua mãe comissária e seu pai piloto de aviões. Em vista disso, é fácil imaginar o porque de Spohr logo em seu primeiro livro ter escrito uma obra tão grandiosa, cheia de referências históricas e religiosas. 

O boom em sua carreira se deu por esse livro, principalmente pela forte divulgação pelo site Jovem Nerd - da qual ele trabalhava como colaborador - e pela velha propaganda do boca-a-boca, afinal Spohr, antes de ter seu livro pela editora Verus, divulgou independentemente A Batalha do Apocalipse através do selo NerdBooks e na loja Nerdstore. Então sabe como é: "nerds unidos jamais serão vencidos", Spohr teve esse boom na sua carreira como escritor e tem até agora mais três livros publicados, sendo que ano passado publicou a segunda parte da série Filhos do Éden.  

Voltando ao que interessa, A Batalha do Apocalipse é uma obra grandiosa; e como vocês puderam ler na sinopse, trata da luta final entre anjos e demônios que decidirá o futuro do Universo. 

Yahweh, como é chamado Deus no livro, repousa em sono profundo após a criação. Assim, seus filhos foram designados para governar o planeta. O Arcanjo Miguel vê os humanos como "o único erro do Pai", então tomado pelos ciúmes e inveja do amor que seu Pai tinha pela sua criação, ordenou a destruição em massa dos humanos. Entretanto os Renegados, anjos que foram incubidos do plano de Miguel se recusaram a fazer tal atrocidade, sendo assim expulsos do Paraíso e condenados a viverem como anjos caídos na Haled, ou Terra.

Um desses anjos Renegados e protagonista, Ablon no ano de 2012, reside no Rio de Janeiro e presencia uma espécie de Terceira Guerra Mundial entre as nações do planeta desencadeando os sete selos do Apocalipse. Lúcifer, a Estrela da Manhã e do Alvorecer, se revoltou contra as ideias de Miguel, e em razão de sua cobiça, foi condenado a comandar o seu próprio reino nas profundezas do inferno. 

Nas vésperas do último dia do Planeta, Ablon é convidado por Lúcifer ao inferno com a (suposta) intenção de juntar forças com Ablon para impedir o Juízo Final e se vingar de seu irmão Miguel, tentando convencer Ablon a governar o planeta junto a ele. Contudo as coisas não são tão simples assim, e Ablon sabe muito bem disso. 

O livro contém três partes: A Vingadora Sagrada, A Ira de Deus e A Flagelo de Fogo, contendo flashbacks contando a saga de Ablon pela história e na busca da sua humanidade e razão de ser. Oscilando de inúteis a fascinantes e reveladoras, esses flashbacks vão até os tempos antigos da criação e queda da Torre de Babel, a destruição de Sodoma e Gomorra, e nas ruínas da Babilônia. Sempre com junto a seu verdadeiro amor: a feiticeira de En-Dor: Shamira, que descobriu a magia da imortalidade e desde então acompanha Ablon nessa paixão milenar.

Um dos pontos negativos no livro é o que tornam ele tão longo, são os tais "flashbacks". Na minha opinião eles poderiam ser resumidos e não tão abruptos, o que melhoraria a minha impressão final pelo livro. Apesar de A Batalha do Apocalipse ser um livro inegavelmente fantástico, ele sofre justamente por esses pontos que o transformam em várias partes em uma leitura maçante e lenta. Na obra, nota-se uma clara influência do RPG e da fantasia que Spohr sempre esteve envolvido, mas no começo da leitura, mesmo para quem está acostumado a designações que transformam cada personagem em mais uma peça de um roteiro cinematográfico, a designação de diversos codinomes aos Anjos e Arcanjos acaba atrapalhando um pouco para a designação de cada personagem no começo da história. No entanto, logo eu me acostumei a isso e a leitura se tornou mais fluida. 

Ablon, apesar de sua saga e sua determinação em chegar a seu objetivo, não é um personagem carismático. Já Shamira por sua vez em diversos momentos rouba a cena, dona dos diversos sentimentos mais valorosos do ser humano, Shamira é peça-chave na história, muito mais que Ablon. A mim até passou a impressão de que se Shamira fosse uma renegada ao invés de Ablon, a empatia seria diferente. 

Eduardo Spohr, no mercado brasileiro carente de obras desse gênero, foi corajoso em "tapar" um buraco na literatura fantástica nacional, até então um mercado ausente em 2010 e que incentivou outros bons autores como Affonso Solano e Leonel Caldeira. A Batalha do Apocalipse, mesmo com esse flashbacks abruptos e o final previsível e passando até a impressão de ter sido um pouco apressado, é uma obra muito bem escrita em suas 581 páginas e muito bem ambientada, numa estreia fantástica de um autor que só estava no seu primeiro livro. E apesar de altos e baixos pela leitura e um final um pouco brochante, é uma obra grandiosa com pesquisa e conhecimento profundo da mitologia que ao final cabem ao entendimento e a sensibilidade de cada um. 

A Bienal do Livro começa no Anhembi nesse sábado, e Eduardo Spohr estará lá no dia 30 (mais conhecido como sábado que vem) fazendo uma sessão de autógrafos no espaço da Bienal, das 15h às 20h. Porém no domingo (31), Spohr, além do tradicional bate-papo com os leitores, à partir das 14h, estará no estande da Record fazendo mais uma sessão de autógrafos e até o último leitor! O evento está no Facebook, e confirme sua presença lá para acompanhar as últimas novidades. =)  

Acompanhem também seu blog, o Filosofia Nerd

Estudante de publicidade, formado em nerdices em geral, pós graduado em Netflix, e phD em piadas idiotas. Gasto dinheiro em comida e com livros que não tenho tempo pra ler.

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