Resenha Livro: Drácula (Bram Stoker)

sexta-feira, outubro 31, 2014

Para comemorar esse dia 31 de outubro de Halloween, vou resenhar para vocês uma das melhores experiências na literatura que tive e um dos principais livros que tiveram a missão de definir o mito de terror dos vampiros.

Tão fundamental quanto necessária para fãs de vampiros, esta obra de terror gótico atemporal do romancista irlandês Abraham "Bram" Stoker foi a responsável direta por influenciar absolutamente tudo o que conhecemos da mitologia desses seres. Stoker não inventou o vampiro, apenas se inspirou na figura de Vlad III - O Empalador, mas somente foi após "Drácula" que o mito se solidificou e inspirou várias outras obras e adaptações ao longo do século XX, como teatro e cinema - este último que teve em 1992 uma adaptação por Francis Ford Coppola. Então muito antes de Crepúsculos e derivados, de vampiros sexys que brilham, amam e se socializam, mostrando poder, força e riqueza, lembre-se que Bram Stoker começou tudo isso, e que ler essa obra se torna fundamental pra quem quer entender como se iniciou a força desse mito.

Apesar de a história original ter sofrido muitas licenças poéticas ao longo dos anos, a história basicamente todos conhecem.

Jonathan Harker, um jovem advogado enviado ao castelo do Conde Drácula na região da Transilvânia, que está interessado em adquirir algumas propriedades em Londres. No entanto, Jonathan nota não só a estranheza do ambiente que o cerca, mas como do próprio anfitrião, e logo sua condição de prisioneiro se torna evidente com lembranças e situações horrendas que Jonathan nem quer recordar,

Jonathan tem uma noiva chamada Mina Murray, da qual frequentemente se comunica. Em Londres e finalmente libertado da situação horrenda da qual sobreviveu, Jonathan acaba por trazer consigo seu pesadelo: Conde Drácula, e seus caminhos acabam se cruzando na figura da melhor amiga de Mina, Lucy Wenstenra, que em um de seus ataques de sonambulismo é atacada pelo vampiro e se transforma na criatura. É aí a principal diferença do livro de Bram Stoker e a adaptação de Coppola. Apesar de bem fiel (adoro esse filme), Drácula vai a Londres atrás de Mina com o intuito de reavivar o amor encarnado que um tem pelo outro, e este acaba sendo seu motor de ação. Quando no livro, Drácula é mantido apenas pela sede de vingança pelos seres humanos, uma alma sem redenção, um monstro.

"Seja bem-vindo a minha casa – repetiu – , entre livremente, regresse são e salvo e deixe aqui um pouco da felicidade que traz consigo.” (pág. 22)
Antes de Lucy se transformar, foi lentamente apresentando diversos sintomas muito estranhos como palidez e dois enigmáticos orifícios no seu pescoço. Então os seus amigos, notoriamente aterrorizados pela suposta doença, o Dr. Seward, Quincey Morris e Arthur Holmwood, recorrem ao auxílio do Dr. Abraham Van Helsing, médico e cientista reconhecido da época, famoso pelos seus métodos nem um pouco ortodoxos e especialista no mundo sobrenatural. Sabedoria essa que lhe apresenta o triste e sombrio diagnóstico: ela foi mordida pelo Conde Drácula.

Narrado em forma epistolar, que dizer, em formato de diário que dá vozes ao seus personagens, o romance tem um ritmo ainda único nos tempos atuais tratando do que o vampiro representa, e não como um simples personagem ativo de uma história, Drácula não faz parte disso, ele é somente um monstro sem alma. Simples assim. Essa denotação mais simplória do mito para os leitores mais novos acostumados ao vampiro mais introspectivo (que graças a Anne Rice se tornou famoso) inserido numa trama de ação e romance, é quase que uma certeza de decepção. Mas é como disse, essa obra é o ponto zero, é o que definiu o mito, então essa obra de 1897 é mais que fundamental para quem quer entendê-lo melhor e entender sua origem sem os anseios mais modernos de hoje em dia.

Apesar de relacionarem o mito do vampiro comumente ao terror, tanto que sua face enfeita festas de Halloween pelo mundo, o clássico livro de Stoker não se trata especificamente de uma obra do gênero. Bram Stoker não escreveu uma obra assustadora, mas o ar gótico de apreensão e horror diante ao monstro está impregnada em cada página e em cada palavra, forma documental essa, que no final das contas só serve para solidificar esse sentimento em cada um que lê a obra.

Entre relatos assustadores e personagens cercados pelo de medo e terror. Drácula é livro de cabeceira para qualquer amante da literatura, e obviamente para qualquer um que queira se iniciar ou se interesse pelos tão famosos mitos fascinantes dos vampiros modernos. Em suma, o ritmo mais lento que não tem em Drácula como vilão mortal e sangrento que poderia me desagradar, apenas fez por me apaixonar mais pela literatura.

Postado por André Prado
Estudante de publicidade, formado em nerdices em geral, pós graduado em Netflix, e phD em piadas idiotas. Gasto dinheiro em comida e com livros que não tenho tempo pra ler.

Você pode curtir também

0 comentários