Bolsonaro não me assusta no que diz e sim quem o apoia secretamente



Dia se passou e agora dá pra fazer uma análise mais fria da (mais uma) polêmica que o Senhor deputado Jair Bolsonaro se meteu.

Ele declarou que "jamais estupraria a Maria do Rosário, porque ela não merecia"

Bom, a declaração tem duas interpretações básicas e uma que uma pessoa normal faria:

Ele simplesmente deu a entender que realmente tem quem mereça ser estuprada, pura e simplesmente. Ou ele se quis entender que nenhuma mulher merece ser estuprada, pois se a deputada Maria do Rosário "não merecia", logo não tem quem mereça (e que se foda os "esquerdinhas" se ele foi mal interpretado por isso).

Bom, a minha interpretação do que esse senhor disse de forma agressiva, é que ele disse o que nenhum ser humano poderia dizer, não dessa forma. Certa ou errada, a declaração correta seria ele calar a boca, já que com muito esforço consegue-se interpretá-lo de forma mais serena. Mas para aparecer irritado e mandão, vale qualquer esforço pra inflar o ego e ele consegue. Há cerca de quatro anos nem sabíamos quem esse cara era, então graças ao espaço na mídia que ele soube ganhar com suas declarações exageradamente agressivas e desnecessárias, está aí protagonizando casos como esses e discussões acaloradas entre direitas e esquerdas de Facebook.

Hoje ele declarou que "a palavra é a principal arma dele no congresso" - realmente o é, já que o congresso é feito das discussões -, mas Tio Ben já dizia que com grandes poderes há grandes responsabilidades, portanto como ser bem esperto que é, ele sabe muito bem que fazendo tais declarações com duplas interpretações atinge tanto o lado de quem o apoia e tanto o lado de quem não. Entre amor e ódio, a palavra tem poder.

É a estratégia do falem mal de mim, mas falem; daí entendo bem porque ele também declarou hoje que não se arrepende das ofensas. Entre esses discursos, ele futuramente tentará uma candidatura a presidência apoiado nos votos da incidência assustadora de pessoas que concordam ou tendem a concordar com ele. Ainda tem 16% que queriam a volta da ditadura (grande parte nem sabendo o que ela foi), portanto não me assustaria se ele chegasse num segundo turno calcado em que o apoia cegamente e na esperança de outra parte da população de "fazer a limpa no país".

Dizem que o Congresso é um reflexo do povo. Ouvi isso por aí, em lendas e cantigas. Mas não deixa de ser verdade e isso é o que me assusta. Quatro partidos entraram com representação pedindo a cassação dele e os vinte outros nada fizeram. No final das contas, quem cala consente. O povo reclama, mas merece o que tem, de Bolsonaros, Felicianos, Malufes, Collores, Calheiros e Dilmas, até a enorme corrupção apoiada em desvios e desmandos de tantos outros peixes menores.

Parabéns!

Entre tantas coisas que eu penso, na verdade, não tem nada melhor na vida do que meus heróis, um bom rock n' roll, cerveja, fritas, e um bom papo com uma boa companhia.

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