Os velhos pensamentos de um velho ano

quarta-feira, dezembro 31, 2014


Sim, como em todo final de ano nos encontramos cansados de quase tudo da vida. Os meus dedinhos coçam pra escrever alguma coisa. Chega o final de ano e novamente digo a mim mesmo que preciso de férias, férias das pessoas. Férias da falta de educação e hipocrisia alheia, daquela falsidade, de gente sem noção do ridículo, e daquela gente que tromba ou pisa no seu pé sem pedir desculpas. Férias do país cômico em que vivo e das velhas políticas que me cercam. Férias do estresse, do politicamente correto, e da disfarçada tristeza que toma conta da gente a cada final de ano. e às vezes de mim mesmo, de não praticar nem metade das boas coisas que dizem que aconselho me queixando dos meus próprios erros e chatices. Mas é somente um cansaço, tipo de querer acordar meio-dia e virar a noite no vídeo-game pra esquecer um pouco as responsabilidades e daquilo que a gente deixou de fazer e de ser. Quem nunca? Reclamar a gente reclama sempre mas a constatação final é de crescimento, de amadurecimento, de agradecer por continuar amando as mesmas pessoas e quem sabe conhecer tantas outras que, estando por uma hora ou por um ano, marquem de alguma forma feliz o momento em que lá estive. Sempre haverão aquelas que procuram isso tanto quanto eu, na verdade, que como eu, apenas cuidam de seu jardim esperando que om 2015, 2016... seja sempre melhor.

Anteontem voltei pra casa após cinco dias curtindo o Natal, pensando em tudo que se passou, pensando em acordar meio-dia, pensando nessas segundas-feiras em que a gente percebe o quanto é difícil voltar a rotina; não só porque estamos a porta do novo ano - que dá uma preguiça do caralho - mas em ter que retornar ao som dos votos de boas festas alheios, muitas vezes não tão sinceros quanto se aparenta. Passei um Natal bom, de lembranças e cheio de carinho, mas repetindo a mim a reflexão necessária de ano novo de que não somos os mesmos do anos anteriores portanto as promessas ou metas nunca deveriam ser as mesmas. É errado, pois sou uma eterna mutação, uma metamorfose ambulante. As coisas mudam pra melhor ou pra pior, simplesmente mudam, mas devemos nos adaptar. A vida é isso.

Lá se vão quase duas semanas de festas com a mente mais pra lá do que pra cá, das velhas metas de pessoas - e da gente mesmo - que estão vazias por dentro, desperdiçando energia nos estouros dos fogos e bebedeiras pensando na academia pro verão e pensando em como o ano passou rápido sem se dar conta de que ele tem 365 dias sempre. Estamos a reclamar e se lamentar do futuro pouco se importando com o que pode acontecer. Não em apenas fazer, em ser.

Eu não acredito que exista ano novo e ano velho, pois inevitavelmente carregamos o passado e esquecê-lo é o pior erro de todo ano. Como diria o saudoso Cazuza: "o tempo não para". Então meus desejos e suas realizações devem ser o saudável conformismo de que a vida simplesmente continua. Pense em você e cuide de você, a vida é sua. Não é um tipo de niilismo, é somente uma constatação de que nossa parte cabe a adaptar e a absorver. O filme que passa em nossa mente ao final de cada ano, deve ser sempre relembrado com esse objetivo.

Como diz um caro amigo meu: "a vida é uma estrada sem retrocesso".

Postado por André Prado
Estudante de publicidade, formado em nerdices em geral, pós graduado em Netflix, e phD em piadas idiotas. Gasto dinheiro em comida e com livros que não tenho tempo pra ler.

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