Resenha CD: Machine Head - Bloodstones & Diamonds

terça-feira, dezembro 30, 2014

O mais recente álbum do Machine Head "Bloodstones & Diamonds" é um álbum barulhento, pesado, um verdadeiro chute no saco típico do Machine Head em seus lançamentos; mas sobretudo não é apenas isso. O que é ótimo!

Inicialmente aviso que B&D é um álbum longo, com mais de 1h e com a maioria das músicas ultrapassando os sete minutos. Esta é uma característica do Machine Head e a banda emprega isso muito bem, entretanto em algumas músicas isso soa cansativo principalmente para quem não está tão acostumado com esse ritmo da banda. A duração de algumas músicas soa até como um excesso, mas é bem vindo em favor do resultado final de muita bateção de cabeça.

Se "Unto The Locust" foi tão espetacularmente bom que tirou até as palavras desse humilde headbanger que vos escreve e "The Blackening" foi tão pesadamente violento que estourou os meus headfones. tenho prazer em dizer que "B&D" não perde em nada disso, mas é bem mais diversificado, contendo mais melodias que seus álbuns anteriores como nas "In The Comes Flood" e "Take Me Through The Fire" .

Mais uma vez unindo peso e melodia do jeito que só o MH saberia fazer, a banda abre o álbum com os singles "Now We Die" e "Killers & Kings" que são a síntese do que o Machine Head mostrou nesses últimos anos. Duas músicas prontas pra estarem na boca dos fãs nos shows, a primeira com arranjos mais épicos - mostrando que a banda está disposta a sempre arriscar em seus trabalhos - e a segunda com fáceis refrões e com riffs simples e matadores.

O MH apresentou em B&D um lado sombrio que não conhecia tão bem, mas sem deixar o lado extremo de lado, o que só mostra grande capacidade dos caras em se renovar e dar uma cara distinta em cada ponto de sua discografia. Cheiro de novidade permeia o ar enquanto a banda flerta com o stoner metal do Black Label Society principalmente na "Beneath The Silt", e na psicodelia de faixas como a "Damage Inside" e "Sail Into The Black". Rob Flynn nessas faixas desfila o seu poderoso vocal e o MH só cresce como banda a colocar essas influências em jogo.

Destaque também para as excelentes pedradas "Night Of The Long Knives" que dá um verdadeiro soco no estômago e "Game Over" no melhor estilo punk de ser.

Viciante e um álbum que melhora a cada vez que clicamos no play, Bloodstones & Diamonds é como se fosse uma boa mistura do tudo que o Machine Head fez em seus últimos trabalhos, mas ainda conseguindo adicionar um tempero que é sempre difícil de se achar. Já virou fichinha dizer que o MH fez um álbum digno de estar entre os melhores da década no metal.

O Machine Head criou uma fórmula matadora que é difícil achar alguma pisada na bola, bandas consagradas não conseguem atingir o patamar que o MH alcançou e não é besteira dizer isso. Passa longe de ser coincidência que a trinca de clássicos ("The Blackening", "Unto The Locust" e o dito cujo) aclamados pela crítica e pelos fãs que a banda lançou em sequência seja algum tipo de sorte, pelo contrário, devemos bater palmas para os caras pela competência!

Agora resta a pergunta que sempre nos acomete depois de um álbum tão bom que ecerra meu ano com chave de ouro: O que vira em seguida?

Tracklist:
  1. Now We Die
  2. Killers and Kings
  3. Ghosts Will Haunt My Bones
  4. Night of Long Knives
  5. Sail into the Black
  6. Eyes of the Dead
  7. Beneath the Silt
  8. In Comes the Flood
  9. Damage Inside
  10. Game Over
  11. Imaginal Cells (Instrumental)
  12. Take Me Through the Fire

Postado por André Prado
Estudante de publicidade, formado em nerdices em geral, pós graduado em Netflix, e phD em piadas idiotas. Gasto dinheiro em comida e com livros que não tenho tempo pra ler.

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