Resenha CD: Royal Blood - Royal Blood

Esse 2014 foi meio parado na questão de lançamentos no mundo do rock. E antes que discordem de mim, não sou garimpador de bandas e muito menos sou daquele que adora buscar uma banda que nunca ninguém ouviu só para parecer mais descolado no meio da galera, simplesmente curto o estilo e pronto. Então sendo direto ao ponto, de grandes lançamentos dos dinossauros do rock só tivemos o AC/DC; já das bandas contemporâneas do metal, tivemos o Mastodon e Machine Head, e o Foo Fighters do lado mais pop da coisa. De cabeça lembro isso, mas infelizmente de nenhuma banda nova pra contar história; pelo menos que sentisse empolgação após a audição.

Está acabando 2014 e pelo maravilhoso Spotify (novamente provando por A+B como a livre divulgação da música é benéfica) descobri o Royal Blood. Nem precisei de dois cliques pra chegar lá, nem de pensar duas vezes pra dizer a mim mesmo: "ah sim, esse é aquele frescor que queria".

O duo inglês formado por Mike Kerr e Ben Thatcher que une toda a fúria do grunge dos anos 90 e a grandiosidade do rock dos anos 70, tem a modernidade do Muse, o blues de Jeff Buckley e a fúria Kurt Cobain como principais mentores e influências admitidas pela própria dupla, mas tudo isso aliado a uma característica bem particular: não tem guitarra. Ao contrário de outros duos como White Stripes, aqui é só baixo e bateria que provam que é sim possível fazer um bom bolo sem batedeira, assim como é possível fazer um bom rock sem uma guitarra. Tudo muito mais cru que comparações que poderiam surgir a finada banda de Jack White.

O Royal Blood recentemente foi eleita a banda de rock mais promissora em 2014 pela BBC e ganhou a admiração de artistas como Matthew Bellamy do Muse a Jimmy Page do Led Zeppelin. Nas palavras de Mike Kerr: "menos é mais", e somente esse pensamento consegue descrever o que é o som do Royal Blood.

Mike Kerr com seu timbre característico do rock inglês, não se limita aos graves do baixo, explorando todas as sonoridades que nem mesmo imaginávamos existir nesse instrumento. E certamente por termos apenas dois integrantes - nem fazendo número pra dizer que se trata de uma banda -, Ben Thatcher tem toda liberdade do mundo pra fazer da sua bateria protagonista, explorando todo o groove que há e com mão de ferro dando todo peso que o som da dupla é capaz de causar. Resumindo, ao darmos play no álbum temos a sensação mais clara de uma "banda inteira" estar tocando. Simples assim.

Ouçam a entrada com a "Out of Blood" seguida por "Come On Over" pra entender o que significa "pé na porta"..

É... 2014 ainda reservava coisa boa.

Tracklist:

1. "Out of the Black" 4:00
2. "Come On Over" 2:51
3. "Figure It Out" 3:04
4. "You Can Be So Cruel" 2:44
5. "Blood Hands" 3:07
6. "Little Monster" 3:32
7. "Loose Change" 2:35
8. "Careless" 3:21
9. "Ten Tonne Skeleton" 3:07
10. "Better Strangers" 4:12

Estudante de publicidade, formado em nerdices em geral, pós graduado em Netflix, e phD em piadas idiotas. Gasto dinheiro em comida e com livros que não tenho tempo pra ler.

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