Resenha Livro: "Histórias de Horror - O Mito de Cthulhu" (H.P. Lovecraft)

O autor famoso pelo oculto e sobrenatural, tem nas entranhas de seus contos o medo como a principal força motriz do ser humano. Medo do sobrenatural, do desconhecido, medo da morte, de nós mesmos; o medo que caminha lado a lado com a curiosidade. Precisamos saber, pois não sabemos de tudo.

Nunca saberemos.

A coisa mais misericordiosa do mundo é, segundo penso, a incapacidade humana em correlacionar tudo o que sabe.

Na versão pocket que li da Martin Claret, temos quatro contos: "O Chamado de Cthulhu", "O Horror em Dunwich", "Sussurros na Escuridão" e "O Assombrador das Trevas". 

Numa interpretação psicanalítica, Cthulhu, como criatura que surge das profundezas do oceano, se encaixa perfeitamente ao inconsciente coletivo proposto por Carl Gustav Jung. A entidade se alimenta da criatividade humana, enquanto atrai as pessoas misteriosamente através de locais e artefatos como um "semi-transe". A interpretação é totalmente válida e logo aí fascina qualquer fã de terror.

Entendo que "O Chamado de Cthulhu" não foi o conto que mais me impactou (o que entendo que cabe a uma interpretação muito pessoal), mas é com toda certeza o carro chefe do livro; um chamariz que me deixou enfeitiçado pela mística criatura. Funcionando como um cartão de visitas, o conto notadamente curto de 35 páginas dado a sua complexidade contidas em tão poucas palavras, se expande.

Os contos de Lovecraft não só são meticulosos e são geniosamente bem detalhados, Lovecraft foi capaz de construir um personagem complexo e o mais importante: expansível, fazendo com que o autor o explorasse assiduamente ao longo dos anos construindo assim uma das mitologias mais ricas do mundo da literatura. O que é fascinante. Os contos do livro interligados pela mistica misteriosa e aterrorizante, tem em comum sempre o tom documental envolvido numa aura conspiratória, de relatos, diários pessoais e investigativos, que até hoje são impressionantes e são uma inspiração pra qualquer escritor ou mero leitor que admira as histórias de terror. Cthulhu se torna uma entidade pra quem o lê, mas Lovecraft mostra que o susto não se faz valer como medo, e sim que o próprio medo é o maior horror que será capaz de existir.

A edição e a tradução feita pela Martin Claret são muito agradáveis, assim como a capa belíssima que traduz bem a aura do livro. Os contos são curtos e a leitura facilmente flui apesar do alto detalhismo, apesar de certo cansaço no final do livro pela certa similaridade empregada nos quatro contos, principalmente para quem não está familiarizado. Li o livro por dias numa tacada só, mas muito bem se pode deixá-lo de lado para revistar em outra hora (é até recomendado), Talvez como áudio-livro ele deva funcionar melhor. 

Morbidez e insanidade. "O Mito de Cthulhu" é indispensável em qualquer cabeceira de fã de literatura e de terror. Do verdadeiro terror. 

  • Bom, e como se pronuncia essa palavrinha Cthulhu? De acordo com o autor, a linguagem dos antigos não é compatível com qualquer linguagem humana. Quando sugeria uma maneira de pronunciar o nome do mais famosos dentre os seres por ele criado, Lovecraft não era muito consistente, sendo o "Khûl-lhoo", com uma vocalização gutural na primeira sílaba, a forma mais citada. Entretanto, essa não é a pronúncia mais comum entre os fãs, sendo esses que preferem "kuh-THOO-loo". Eu meio que acabei adotando o "Ktulu" - pronúncia que é tirada do título da música do Metallica dedicada ao mito e uma forma de facilitar a escrita -, ao mesmo tempo que tento utilizar também a forma anterior. Como se pronuncia mais correta ao tentar pronunciar o impronunciável? Então não fique com vergonha se não conseguir pronunciar o nome corretamente. Aliás essa é a intenção e nos contos do autor você entenderá melhor isso.

Bonus track

Quem é um headbanger que se preze, já deve ter ouvido falar de Howard Philips Lovecraft, ou somente H.P. Lovecraft. O autor que inspira tantas e tantas músicas de Iron Maiden, Metallica, Black Sabbath (falando das mais conhecidas) e até uma de classic rock dos anos 60 que se chama H.P. Lovecraft mesmo.

Então vou linkar duas músicas das bandas citadas aqui (mas leiam essa matéria no Nerd Geek Feelings que tá bem completinha) pra servir de trilha sonora pra quem quer se inspirar nos contos do autor.



Entre tantas coisas que eu penso, na verdade, não tem nada melhor na vida do que meus heróis, um bom rock n' roll, cerveja, fritas, e um bom papo com uma boa companhia.

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