Resenha Cinema: Kingsman - Serviço Secreto

Me lembro como ontem de tantas e tantas tardes sentado em frente ao sofá vendo a Sessão da Tarde, mas ironicamente não era como uma religião, eu não assistia na maioria das vezes porque realmente queria, mas porque sabia que naquele horário iria passar algo que me fizesse sentar e parar pra ver. Posso não ter visto todos os filmes que marcaram um e outro naquela época, mas temos um fato em comum: aquele tempo marcou nossa vida.

Os filmes da nossa infância, sejam eles ruins ou bons na vista do olho crítico, tem em comum uma sensação que poucas vezes nos é trazida novamente: a nostalgia, a repetição, a marca registrada. Entende o que quero dizer? Nos divertíamos assistindo aqueles filmes e os atores pareciam que estavam se divertindo atuando lá no outro lado. E agora já adulto e com o olhar crítico que adquiri e que muitas vezes não deixa desligar o meu cérebro, fui ao cinema ver "Kingsman - Serviço Secreto" e tive essa sensação de volta depois de tantos e tantos anos, e o melhor, eu não precisei desligar o cérebro em nenhum momento. Melhor, meu cérebro explodiu! Conte nos dedos as vezes em que você teve essa oportunidade. Garanto que não você não enche a mão.

Quando Harry Hart (Colin Firth) foi salvo de uma explosão pelo pai de Eggsy a muitos anos atrás em uma missão secreta, deu a Eggsy ainda criança uma lembrança de agradecimento: um colar, para que Eggsy quando se encontrasse em problemas o usasse para chama-lo, Porém, a fatalidade da morte de seu pai devastou a família de Eggsy e nada seria suficiente para mudar esse futuro, tanto que hoje na adolescência ele vive numa pensão com a mãe beberrona e depressiva casada com um homem violento e marginal. 

Garoto rebelde e esperto, Eggsy vive nas ruas da Inglaterra entre gangues e roubos, e numa dessas desventuras, Egssy é pego pela polícia e quando se vê numa enrascada que envolvia a proteção de sua mãe e anos de prisão, ele resolve finalmente usar seu colar a fim de que alguém o resgatasse, como Harry ensinou a tantos anos atrás. Para a sua surpresa, instantaneamente ele é libertado da cadeia pelo elegante e discreto agente Galahad ou Harry Hart, que vendo potencial no garoto, o resolve convidar Eggsy a ingressar na "Kingsman", a agência supersecreta a serviço do Reino Unido que ele presta seus serviços e a que seu pai trabalhava. 

Nesse meio tempo, o vilão e gênio da tecnologia Richmond Valentine (Samuel L. Jackson vai colocando em prática seu plano que dizimará (de forma bem bizarra) metade da população do planeta com a desculpa de salvar o planeta em que vivemos, e cabe a agência Kingsman a salvação do mundo. 

Assumindo um tom mais sério e didático no começo a partir do momento em que Eggsy ingressa no treinamento, com um bom humor vamos assistindo e nos apegando ao esforço de Eggsy para se tornar um agente secreto. E é a partir daí que "Kinsgman" se torna o melhor da mais pura fanfarronice, comédia e ação. 

Samuel L. Jackson está realmente impagável como o vilão megalomaníaco e da língua presa Richmond Valentine, talvez ele é o principal causador de risadas do filme com seu jeitão ameaçador e largadão de ser, aliás ele tem a capanga mais estilosa e mortal dos últimos tempos capaz de dar um frio na espinha a cada vez que ela revela suas armas. E Colin Firth como o agente Galahad chuta mais bundas do que eu poderia imaginar. O almofadinha Firth prova aqui que foi a escolha perfeita para o papel, apenas ele seria capaz de dar toda a leveza de um agente secreto que sabe bater com a elegância necessária de um bom inglês.

Pode não parecer com o vilão e o herói roubando a cena, mas Eggsy na pele do desconhecido e jovem Taron Egerton é o personagem principal. Seu personagem não é capaz de sobressair no filme de cara, contudo, seu papel é fundamental no desenvolvimento da trama, mas com competência e carisma, Taron encarnou o rebelde e molecão Eggsy na sua jornada para se tornar agente da "Kinsgman". No final das contas, não existiria a "Kingsman" sem ele, e claro, também aproveitou pra ficar com a garota no final como o velho James Bond faria. ;)

Para quem não sabe (inclusive eu), "Kingsman" é uma série de HQs de Dave Gibbons e Mark Millar lançadas em 2012 e 2013 apenas nos EUA e que é inédita aqui no Brasil (até agora), e sua adaptação tem de tudo para quem quer um cinema pipoca. Ela é lotada de cenas estilosas, personagens bem construídos, lutas muito bem coreografadas, e de cenas absurdas e sangrentas que fariam Quentin Tarantino se orgulhar.

O filme também é muito bem dirigido por Vaughn, especialmente nas sequências de pancadaria, com belos closes e quebras de câmera, capazes de nos dar a real sensação de dor da cena ao mesmo tempo em que nem nos incomodávamos com isso, ao contrário de tantas outras produções do gênero (quem lembrou da vertigem de "Quantum Of Solace" levanta a mão). A cena totalmente sem noção da igreja exemplifica bem, aliás, ela já valia o ingresso com o melhor uso da "Free Bird" de todos os tempos!

Vaughn acertou na mosca em deixar "Kingsman" o mais exagerado possível como um bom filme de ação e espionagem deve ser, porém sem nunca cair ridículo, suficiente para nos trazer todas aquelas lembranças que faltam no cinema atual da despreocupação aliada a um bom roteiro. Cheiro de anos 80 e 90 saca? Indo bem ao contrário dos filmes de James Bond, Jason Bourne, Jack Bauer, Ethan Hunt e cia que são legal pacas, mas não trazem o que "Kingsman" trouxe ao gênero: a capacidade de rir de si mesmo. E uma prova de que o mundo da espionagem que girava apenas entre esses nomes, ainda tem muito a dar ao cinema.

Enfim, poderia enumerar várias cenas em que dei gargalhadas com esse filme ou que simplesmente levantei da cadeira e gritei "hell yeah" mentalmente como a muito tempo não fiz. Literalmente minha cabeça explodiu com esse filme e se você adora esse tipo de filme descompromissado, vai explodir a sua também! 

Estudante de publicidade, formado em nerdices em geral, pós graduado em Netflix, e phD em piadas idiotas. Gasto dinheiro em comida e com livros que não tenho tempo pra ler.

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