Resenha Livro: Atemporal (Rodrigo Mendes)

Já fui em diversas Bienais, eventos e exposições. Felizmente meu tio tinha a consciência de como esses "passeios recreativos" de domingo de manhã eram importantes para a formação cultural de um indivíduo. Hoje com 26 anos, o agradeço muito por essa oportunidade dada a tantos anos de poder, mesmo que não tivesse a noção do tamanho e da importância daquilo na época, ter boas lembranças e adquirir uma boa dose de conhecimento.

Falando especificamente da Bienal, ela acontece a cada dois anos (dã) e ano passado pude levar minha namorada a esse evento, e com a satisfação pessoal de ser a primeira vez que ela pode ir. O orgulho foi instantâneo, tanto quanto a lembrança dos tempos que tive a tantos anos atrás com meu tio. Principalmente quando ouvi dela: "pensei que eram só algumas estantes, tipo um sebo". Claro que a empolgação bateu em mim, por vê-la assim nessa inocência e deslumbre, mas também por finalmente participar de uma Bienal já com uma boa noção e interesse pelo que estava acontecendo, algo além da satisfação em só poder sair de casa no fim de semana quando era criança.

No meio tempo, em que percorria os estandes da editoras com ela e lia as contra-capas dos livros atrás de uma história interessante pra poder levar pra casa, um simpático escritor chamado Rodrigo Mendes nos surpreendeu e conversa vai e conversa vem (inclusive com foto), ele nos convenceu a comprar seu livro chamado "Atemporal", autografando o livro e tudo.

Olha só como estamos bonitos!
O livro "Atemporal" conta inicialmente a história Henrique e André, uma dupla de policiais investigadores que em 1983 tentam desmascarar uma organização criminosa em São Paulo que entre diversos crimes traficava crack pela cidade, no entanto, durante a investigação, após uma festa que André teve que se ausentar (nos breves momentos de descontração), o mesmo desaparece e Henrique depois de muito correr atrás do paradeiro do seu amigo, o encontra morto, só que o mais estranho é que não há sangue e nem rastro algum que possam ajudar no caso.

Passados quarenta anos depois, o filho de Henrique ou "Rico", Lucas, é um jovem policial que acaba encontrando evidências desse antigo crime não solucionado, um misterioso colar que tem a data gravada: 24 de julho de 2023. Como poderia a cena de um crime ter uma evidência de quarenta anos depois? É o que Lucas juntamente a seu pai "Rico" tentam desvendar em uma verdadeira corrida contra o tempo, que não só traz a possibilidade de elucidar o caso da morte de André em que Henrique se culpa até hoje, como a descoberta de uma conquista científica sem precedentes: a invenção da máquina do tempo. Porém, as consequências por envolver-se nesse intrincado caso, poderão trazer a Lucas mudanças inimagináveis a todos a seu redor.

Os personagens podem até não serem dos mais carismáticos e complexos, até porque o próprio ritmo e gênero da história não proporciona conhecer a fundo pra poder se identificar com eles, no entanto, cada um deles se destaca do seu jeito e são peças imprescindíveis para a história. Como um bom autor nacional, ele nos transporta para lugares que, mesmo no futuro, trazem uma sensação de lugar-comum a quem lê, o que me agradou muito, afinal, a gente acaba sentindo falta desse "conforto" em lermos histórias que se passam no lugar que a gente mora

Aliás, "Atemporal" poderia se encaixar muito bem como uma série global. Não sei se foi correto, mas de cara acabei relacionando Lucas, diretamente com Cauã Raymond, personagem principal das últimas boas séries policiais da emissora. LOL

A primeira impressão ao ler o livro é que se trata de uma história ágil e fácil de se ler, escrito por alguém que realmente é apaixonado pelas histórias policiais, e fácil de conquistar aquela pessoa que procura uma boa história para se iniciar na literatura. Construído em capítulos curtos e numerosos, traz três histórias em paralelo que se entrelaçam em um final que me surpreendeu, mostrando como as escolhas são necessárias para proteger quem se ama. Pra se ter uma ideia, em cerca de um fim de semana terminei o livro. Não só fisgado pela ansiedade de saber o que viria nos capítulos seguintes, mas também pelo fato de eles serem, como disse, bem curtos, o que nos induz inconscientemente a "ler mais um capítulo e mais um" e assim por diante. Entende o que quero dizer? =)

Enfim, "Atemporal" é uma boa surpresa entre as boas lembranças que a Bienal do ano passado me proporcionou. Com uma história policial com toques de ficção científica, o livro de estreia do paulista Rodrigo Mendes é muito bem escrito e conta com uma história que realmente prende o leitor. Recomendo e sem pensar duas vezes!

PS: O livro em questão está no site do Extra e bem baratinho, se eu fosse você não perdia essa oportunidade! É só clicar aqui.

Entre tantas coisas que eu penso, na verdade, não tem nada melhor na vida do que meus heróis, um bom rock n' roll, cerveja, fritas, e um bom papo com uma boa companhia.

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