Resenha Série: The Walking Dead (5ª Temporada)

terça-feira, março 31, 2015

The Walking Dead foi a série responsável por transportar a moda dos zumbis dos cinemas para a televisão definitivamente, no entanto, em todos esses 5 anos de exibição da série de "Rick and Friends", ela sofria de uma inconstância latente alternando episódios que eram fundamentais a trama e outros em que apenas eram pra encher linguiça. E um bom exemplo é a primeira temporada que graças a greve dos roteiristas teve apenas 6 episódios e para muitos (inclusive para este que vos fala) foi a melhor de toda a série.

Daí pela frente os altos e baixos foram uma constante - o que para muitos foi causada pela saída de Frank Darabont da direção -, e em que passamos pela fazenda de Hershel (que trouxe os momentos mais tediosos da série), e pela da saga do Governador, que apesar de ter durado praticamente três temporadas culminando na morte do velhinho que citei, não desenvolveu o personagem como deveria o transformando apenas em mero vilão no embate contra o mocinho Rick e nos trouxe uma season finale bem fraquinha na quarta temporada.

A ideia da série é ser não só uma série de zumbis e sim ser focada no drama humano de sobreviver em meio a aquele apocalipse, portanto entendia que TWD nunca poderia ser reduzida a um mero tiroteio. No entanto, o embate decepcionante entre Rick e o Governador nos trouxe algo importante deixando claro pra ele e pra nós de que os zumbis não são a ameaça, e sim os próprios humanos (sempre eles), o que trouxe a série o contexto da reinserção gradual da ideia da civilização e seus velhos questionamentos sobre moral e governança ao invés da mera sobrevivência.

A morte sempre rondou o grupo de Rick, que desde Shane, seu até então melhor amigo, foi obrigado a entender da pior forma possível que somente os mais fortes sobrevivem, Sendo assim a luta de Rick é sempre alimentar a esperança de alguma forma em favor de sua família que ainda restava representada pelo filhos Carl e a ainda bebê Judith, levando seu grupo a inverter o espaço de uma prisão para chamar de casa e a tentar viver em uma comunidade novamente em Woodbury. O mistério de Terminus ao final da quarta temporada e a vaga esperança no Hospital já na quinta temporada e que culminou na morte de Beth Greene, poderiam ser esses lugares, mas como sempre o grupo de Rick foi obrigado a lutar seguidamente por sua sobrevivência. Essas seguidas decepções não só aumentaram a desconfiança de Rick na humanidade que ainda restava nele próprio e no mundo, mas cansava a ele e a todos do grupo que em todo esse tempo se viram a um triz da morte.

Basicamente metade da quinta temporada nos fala sobre essa exaustão psicológica e a outra metade sobre a nova esperança que somos levados a crer em Alexandria. Aliado a tentativa de se reinserir novamente no que chamamos de sociedade, Alexandria como sociedade acaba incluindo todas as mentiras, sorrisos falsos e assuntos que somos obrigados a ouvir na vida e isso é algo que não faz mais parte desse novo mundo - a olhada no espelho de Rick após fazer a barba (tava parecendo um mendigo) é emblemática nessa questão. O grupo passa por um processo de um presidiário ou ex-combatente de guerra que anos depois é obrigado a agir como se tudo daquilo pudesse ser reduzido a pequenos fragmentos de histórias, sempre deixando a pulga atrás da orelha, tanto ao grupo e ainda mais a quem assiste. Somos pessimistas por natureza, e como disse, a série nos ensinou que é quase impossível confiar nos humanos. O mundo apocalíptico ao mesmo tempo em que anula as diferenças, as acentua, e ao final da temporada em Alexandria entendemos bem o porque da a frase "the world gonna need Rick Grimes" que parecia somente ser um traço de liderança reforçado na mid season.

As mortes e os embates contra os zumbis deixaram de ser um pouco o foco da série pra ser o algo a mais, aquilo que estava no DNA de TWD desde o começo que era se focar no drama humano ao invés dos zumbis lembra? A quinta temporada nos trouxe aquele sentimento de apego por cada personagem, principalmente pelos que foram mortos (até pela Beth olha só), e cada um dos personagens do grupo acentuaram seus traços de personalidade levando os conflitos de ideias serem mais debatidas em Alexandria. O cansaço da vida moribunda que o grupo vivia reflete na liderança de Rick, no sentimentalismo da Michonne que passa a ser o alicerce moral de Rick, no traço badass que passamos a conhecer em Carol, em Abraham que vê aquele lugar como a substituição de Washington, no amadurecimento cada vez maior de Glenn que também se transforma no alicerce moral de Rick, e até no "selvagem" Daryl que acaba reencontrando um pouco da sua humanidade ao mesmo tempo em que desconfia de todo aquele lugar.

Com diálogos marcantes (como aquele entre Glenn e Rick "não me sinto como eles" "mas somos eles!"), reflexo do psicológico do grupo e da vontade de vencer a desconfiança e permanecer em um lugar, somos introduzidos a novos personagens como o durão Abraham, ao projeto de Sheldon Eugene (provando que até os nerds sobrevivem), ao misterioso padre Gabriel, e a Noah (eterno Chris) que tem a morte mais gore de toda a série levando os fãs de George Romero a loucura.

Ao contrário de outras temporadas o desenvolvimento dos personagens e o roteiro bem amarrado foram trazidos pra série e muito bem vindos. Em outras palavras, TWD perdeu aquela "gordura" dos episódios que davam a sensação de apenas contar o "dia seguinte" do grupo, e para quem viu Breaking Bad sabe muito bem como é perfeitamente possível cada episódio ser muito bem amarrado no seguinte sendo fundamental para elucidar a trama. A série conseguiu isso na quinta temporada, finalmente conquistando em mim aquele sentimento de algo a mais que faltava em toda temporada da série e que ano a ano a assistia esperando isso acontecer.

E não, não sei o que significa os Wolves e muito menos o que o retorno de Morgan trará na trama, só sei que esses acontecimentos levarão a destruição de Alexandria, ao confronto, e ao possível retorno de Rick e sua turma a batalha diária de sobrevivência - algo que não é muito difícil de já compreender. Bom, TWD precisava "virar a chave", o cansaço do grupo de Rick era também de espectador que já não aguentava mais o embate deles com os zumbis, no entanto, isso mudou na quinta temporada dando a série a profundidade da trama que muitas vezes faltava a ela. Resta saber se a série agora na quinta temporada saberá manter isso.

Postado por André Prado
Estudante de publicidade, formado em nerdices em geral, pós graduado em Netflix, e phD em piadas idiotas. Gasto dinheiro em comida e com livros que não tenho tempo pra ler.

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