Se eu fosse a Dilma pedia pra sair, no próximo dia 15


Entendo que um povo sem acesso a educação e a cultura é um povo controlável e isso é tudo que a maioria da "classe média" protestante não é e não quer ser; algo muito conveniente para um partido que namora o poder a tantos anos tentar diminuir.

Os protestos de domingo surpreenderam muita gente (inclusive a mim) pela paz e o governo pelo tamanho, e a consequência direta que se vê é que o governo petista tem o irritante talento de justificar o bloco separatista que vemos por aí, principalmente quando Miguel Rosetto diz naquela noite que a massa protestante é somente o pessoal que não votou na Dilma - ou forma mais educada para dizer que foi a "burguesia".

Nunca fui simpatizante do petismo, mas sei reconhecer que Lula foi um bom presidente. Já Dilma não, e seu partido se provou ao logo dos tempos que também não.

O Brasil tem uma democracia jovem e ao longo de sua história teve poucos movimentos que exerceram essa democracia. Diretas Já nos anos 80, Caras Pintadas nos anos 90, Jornadas de Junho em 2013. Todos tiveram intervalos de 10 anos mais ou menos, mas isso mudou, fazem apenas dois anos que o povo invadiu às ruas.

Entendo que quando um presidente sofre com protestos e pedidos de impeachment é motivo para ele ter vergonha na cara e se retirar, já que ele não sabe exercer o poder de "unir seu país" e creio que o papel de um estadista seja esse. E Lula por mais que desagradasse a sua fiel oposição, bem ou mal, há de se reconhecer que conseguiu atingir esse objetivo.

Mas Dilma nunca. Dilma não é carismática e passa até certa arrogância nas suas dezenas de declarações quando sempre diz que está tudo bem como uma mãe conciliadora - é só ver que ela colocou dois "capangas" naquela noite de domingo para fazer um pífio balanço em vez de ela mesma ter coragem de ficar por trás do palanque... O fato é que pouco a pouco as "conquistas" sociais do petismo se ruíram, e numa combinação de fatos externos e falta de habilidade política da "presidenta" ela conseguiu ser eleita numa base de promessas que são totalmente contrárias ao que se ouviu em sua campanha. Foi o que aconteceu quando a Dilma fez seu pronunciamento para o dia das mulheres no dia 8, parece que foi proposital para desonrar a data. Os xingamentos de vaca, piranha e etc eram justificáveis, afinal, além de mais uma vez creditar a "turbulência" a crise internacional como já se ouviu em outras vezes, ela pediu paciência a um povo que não tinha e irritação que se sobrava na boca de cada um. Essa foi a deixa para se queimar de vez no fogo que brincava, e seu pedido foi atendido.

Como disse no outro texto que fiz sobre este tema, o impeachment é um fato praticamente impossível de acontecer e isso não resolveria os problemas que temos - como também não resolveria um golpe de estado que os lunáticos tanto adoram defender. Porém, há também de se reconhecer que por mais que essa não seja a saída correta, é a que acaba sendo a mais simples de se pensar pois além se tratar de uma ação que realmente mexe com as estruturas da democracia com M maiúsculo, se trata de uma corrente contra uma presidente que na sua fraqueza, não admite erro algum e reza de pé juntos para que a economia melhore em 2016 para deixar de ser vidraça.

Ao contrário do que vimos em 2013, os protestos desse último domingo foram bem mais polarizados e não um amontoado de insatisfações que virou bagunça na ocasião, e é um erro tremendo que, covardemente, a presidenta e seus ministros diminuam tanto os atos como se sua base de eleitores ainda fosse a larga maioria. Não é mais a muito tempo. Soa até como arrogância toda vez o partido levantar o assunto da reforma política como suposta solução para silenciar os irritados. Como recado: para tranquilizar-los, tenho quase que certeza de que o povo não quer o impeachment da sua presidenta; só estão com o saco tão cheio de toda a classe que está prestes a explodir e daí só essa deposição para mexer com o sistema político como deve ser feito,

Nas últimas eleições eu votei nulo, e não por campanha ou por alguma espécie ideologia anarquista, mas porque tal qual tantos milhões de brasileiros me sinto apartidário. Nem Aécio e nem Dilma me representavam, mas no fundo sabia que era um desastre que a Dilma fosse reeleita, e tem sido, afinal o seu primeiro mandato já escorregava nas ações e palavras, e essa crise hídrica aguda foi somente o estouro para escancarar a falta de habilidade para segurar o rojão. Já Aécio não sabia como poderia ser, me dava o benefício da dúvida e bem ou mal isso era alguma coisa.

A democracia não funciona lá no Congresso, mas funciona nas ruas. E aqui não é como a Argentina ou a França que a qualquer desagrado que o governo faça o povo sai nas ruas fazendo panelaço, mas o Brasil tem tudo para se tornar esse tipo de país. E que bom que isso esteja acontecendo.

Por mais que seja impossível de não existir, acho muito pobre o país ser polarizado em "coxinhas" e "comunas", e fico feliz que no protesto (salvo algumas pessoas) esse tema não tenha sido elevado á pauta. Contudo, tenho quase certeza de que isso vai se acentuar pois o ódio enorme vindo do Facebook de um monte de acerebrados é incontrolável, e se os protestos forem por essa linha se aliando a algum partido político ou força sindical, a sua essência mais uma vez se torna vazia e dá motivos para o governo tratá-la de forma revanchista em vez de uma "voz das ruas".

Eu não vou aos protestos porque em mim bate um sentimento de que eu não precise, não votei em ninguém. Para mim quem deve ir aos protestos é quem votou na Dilma e está descontente com o que anda acontecendo; e por mais que seja a "classe média branca" ou pessoas que só foram lá pra fazer número que tenham ido aos protestos, com toda a certeza eles representam muitas das pessoas que estão em casa esbravejando contra o governo que votou.

Ao contrário do que o governo pensa, todos pagam a conta no caixa do supermercado. Repito: agora realmente não é só por 20 centavos.

Estudante de publicidade, formado em nerdices em geral, pós graduado em Netflix, e phD em piadas idiotas. Gasto dinheiro em comida e com livros que não tenho tempo pra ler.

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