Resenha Animação: Os Boxtrolls

segunda-feira, abril 27, 2015

Não é segredo a ninguém que adoro filmes feitos pela técnica de stop-motion. Além se ser uma arte de paciência e por quem tem paixão pelo o que faz, quando vejo qualquer filme que se utiliza dessa técnica, quase que automaticamente remete a todos os saudosos filmes de animação que tive o prazer de assistir, como "Coraline", "A Noiva Cadáver" e "ParaNorman", e me deixa esperançoso pelo que vou ver. 

O estúdio responsável pelas animações citadas é a Laika, e ela tal qual como a Pixar, tem uma identidade própria inconfudível, tanto como em roteiro e modelagem da animação, composta pelo stop-motion e de um sinples e inteligente roteiro para adultos e crianças que não subestima em nenhum momento quem está assistindo. E saber que "Os Boxtrolls" foram realizados pelo mesmo estúdio que já proporcionou essas animações que já pude ter o prazer de assistir e que utilizam da mesma técnica, trouxe a certeza de que iria me apaixonar pelas "caixinhas troladoras". 

Dizem que temos medo do desconhecido, e esse papel de "salvador" da população de Pontequeijo cabe a Arquibaldo Penélope Surrupião. Responsável pela demonização dos Boxtrolls, ele pretende usar seu título de exterminador para chegar a selecionada mesa de degustador de queijos. 

Mas antes que pareça ruim, os "trolls" que dão nome ao filme nada mais são do que simpáticas criaturas do submundo e da noite saídos dos esgotos ao melhor estilo das Tartarugas Ninjas, mas que ao contrário delas, não comem pizza e nem querem salvar o mundo, eles apenas saem a noite da pacata cidade de Pontequeijo em busca do lixo deixado pelos humanos, o seu alimento predileto, Mas assim quando o sol se põe, essas criaturinhas se escondem da agitação do mundo dos humanos e voltam ao bueiro onde vivem, se recolhendo em suas caixas de alimentos que são trajadas como se fossem suas roupas e que também servem para dar nome as criaturinhas, como: Peixe, Chulé e Picles.

O centro de toda a história é o menino que foi criado pelos Boxtrolls chamado simplesmente de "Ovo", que é o que está escrito na caixa que lhe veste. Deixado pelo pai ainda bebê, o menino desfruta de toda inocência que a idade lhe permite e que o faz acreditar que ele nem é um menino, tal a proximidade que ele tem com os Boxtrolls e afastamento que ele tem do mundo superior. O jogo vira quando ele é descoberto pela garota mimada e esperta Winnie, que curiosa vai em busca de saber porque aquele menino está junto a criaturas tão abomináveis e que é responsável por mostrar a "Ovo" o que ele é realmente e o que não quer ser.

A animação dos estúdios Laika baseada no livro infantil de Alan Snow, "Here Be Monsters", é uma parábola inteligente sobre o que os absurdos que a luta de classe provoca, o preconceito a aparência e condição, a escolha que muitos pais tem por coisas materiais ao invés de seus próprios filhos, e dos próprios "Boxtrolls" que são seres que são relegados a só viver a noite, perseguidos e escondidos vivendo dos restos gerados pelas criaturas "superiores".

Mostrando personagens consistentes e bem construídos, "Ox Boxtrolls" trazem mais do que a fofura que se assemelha a dos Minions, mas a uma complexa reflexão se mergulharmos mais a fundo no contexto da animação, fato esse que é presente na simplicidade de toda fábula infantil e é capaz de encantar tanto a adultos quanto a crianças.

Postado por André Prado
Estudante de publicidade, formado em nerdices em geral, pós graduado em Netflix, e phD em piadas idiotas. Gasto dinheiro em comida e com livros que não tenho tempo pra ler.

Você pode curtir também

0 comentários