Resenha CD: Apocalyptica - Shadowmaker

A banda finlandesa Apocalyptica vinha de um hiato grande sem nenhum trabalho inédito. Desconsiderando o caráter especial de "Wagner Reloaded" de 2013, a banda desde "7th Symphony" não lançava um álbum inédito em estúdio, porém, no dia 20 terminou essa espera. "Shadowmaker" é o oitavo trabalho da banda formada no momento pelo trio de cellistas Eicca Toppinen, Paavo Lötjönen (estes fundadores), Perttu Kivilaakso (te amo CTRL + C, CTRL + V) e que desde 2005 também conta com o baterista Mikko Sirén em sua formação.

Bom, eu acho que quem conhece o Apocalyptica, ficou conhecendo a banda não somente pela sua característica ímpar no mundo do heavy metal que é ser uma banda formada somente por violoncelistas cabeludos, mas sobretudo pelas interpretações revirando a discografia do Metallica e outras bandas do metal. Podia muito bem o trio ter ido pelo caminho da música clássica, mas como bons fãs de gênero resolveram colocar em prática um pouco de seu grande talento pra adaptar as canções da banda mesclando ao sabor da música clássica que tanto lhes ensinou com a agitação do heavy metal.

Os pesados acordes saídos das cordas do trio de cellistas (sim, essa palavra existe) foram conquistando o mundo e aos ouvidos, e para um trio que se dedicava integralmente as músicas instrumentais, nada mais natural do que dar um upgrade ao seu som. Foi aí que em 2005, num álbum auto-intitulado, que a banda se tornou uma banda mesmo, de convidado o baterista Mikko Sirén virou membro fixo e que particularmente achei uma adição espetacular pois deu nuances ao som da banda que não poderiam aparecer sem o instrumento. Resumindo, esse foi o primeiro passo para o Apocalyptica se desvincular um pouco da música clássica e fincar os pés no mundo do heavy metal, afinal, uma bateria é o coração de qualquer banda, certo?

Naturalmente, o Apocalyptica a medida do sucesso foi colocando vozes em seu som. "Worlds Collide" e "7th Symphony" trouxeram convidados como Corey Taylor (Slipknot e Stone Sour), Till Lindemann (Rammstein), Ville Valo (HIM), Gavin Rossdale (Bush), Cristina Scabbia (Lacuna Coil) entre outros e com eles um som mais comercial, juntamente com uma incrementação visual do estilo da banda com o gótico (o citado "7th Symphony" exemplifica bem essa mudança). Porém, a banda não perdia a sua maior característica: o instrumental, e entendo que isso é uma parte fundamental de seu som e até mesmo dos instrumentos, que se são protagonistas, devem ser usados dessa forma.

Com a louvável sede por não deixar nenhum trabalho essencialmente parecido com o outro em sua discografia, o Apocalyptica traz mais uma mudança a sua formação, e por consequência a seu som. "Shadowmaker" trouxe como novidade o vocalista Franky Perez em sua formação para o álbum e sobre ele Eicca declarou: "Franky tem um timbre muito espirituoso e é capaz de cantar diferentes estilos, o que é perfeito para Apocalyptica, porque nossas músicas não caminham apenas pelo heavy metal. O nosso som é uma variedade de cores diferentes e diferentes dinâmicas e o cantor precisa corresponder isso. [...] Nós fizemos alguns shows no Canadá em agosto passado, um teste e ele funcionou perfeitamente conosco "

Com todo respeito pela declaração de Eicca, o Apocalyptica tropeçou e feio em seu próprio experimentalismo. O vocalista Frank Perez que nas palavras de Eicca é capaz de "caminhar pelo som do Apocalyptica" aparece aqui como um vocalista amarrado, sem brilho. Talvez ele sendo aproveitado em outra banda, até mesmo com a própria banda, tenha um resultado muito melhor do que mostrado aqui. Franky aparece aqui como um vocalista fraco e sem personalidade, o que contribuiu diretamente para todas as críticas em cima de "Shadowmaker".

O protagonismo dos instrumentos deu lugar a composições feitas em cima da voz de Franky que convenhamos, não é nada de mais, e aí sabemos que se não rola química é um jogo perdido. E se fosse convidado um vocalista melhor, ajudaria? Infelizmente também não e pelos mesmos motivos que eu disse nesse parágrafo. Aqui o problema foi também na composição.

Sabe quando a gente termina de escutar o álbum sem pular uma faixa e nem percebemos? Não é preciso que um seja conceitual para ter uma conexão entre as canções, basta que a sonoridade seja agradável entre a transição das mesmas, E sobre isso confesso que tive uma audição difícil para chegar até o fim do álbum. Sim, as faixas em sua maioria e na maioria dos momentos são chatas e deram sono, infelizmente.

Lembra do que eu disse sobre o protagonismo que os cellos devem ter? Em "Shadowmaker" isso se perdeu, infelizmente. A banda deixou de elevar seus cellos em detrimento de uma atitude mais radiofônica - que explicam a adição dos vocais -, e assim se igualou a qualquer banda do gênero, mas com um diferencial: os próprios cellos. A exceção da faixa instrumental "Till Death Do Us Apart" e da progressiva "Shadowmaker" que trazem muito do que conhecemos do "Apocalyptica", todas as outras faixas, que passam pelo pop televisivo como "Cold Blood", pela aceitável "House of Chains", pela balada que não convence "Hole In My Soul", e pelas experimentações eletrônicas de "Riot Light" me decepcionaram muito; mas não tanto, já que "Cold Blood" foi usada para divulgar o álbum...

Resumindo,"Shadowmaker" soa apagado diante da discografia do Apocalyptica, mesmo em álbuns com esse direcionamento mais comercial como em "7th Symphony", Triste. Agora é esperar o próximo lançamento, torcendo pra que esse seja mais um experimentalismo.

Tracklist:

01 I-III-V- Seed of Chaos
02 Cold Blood
03 Shadowmaker
04 Slowburn
05 Hole in My Soul
06 House of Chains
07 Riot Lights
08 Sea Song (You Waded Out)
09 Till Death Do Us Part
10 Dead Man's Eyes

Entre tantas coisas que eu penso, na verdade, não tem nada melhor na vida do que meus heróis, um bom rock n' roll, cerveja, fritas, e um bom papo com uma boa companhia.

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