Resenha Cinema: A Teoria de Tudo

Aos 21 anos, Stephen Hawking (8 de janeiro de 1942) foi diagnosticado com defeito no neurônio motor ou simplesmente esclerose lateral amiotrófica, uma rara doença degenerativa que gradativamente paralisa todos os músculos do corpo, sem no entanto afetar as funções cerebrais. Uma doença que no meu entendimento contradiz em certa parte o que os monges nos dizem de que "a mente não vive sem o corpo". O corpo de Hawking foi se tornando inútil, mas a sua força de vontade e sua força mental foram preponderantes para a sua sobrevivência.

Ainda na faculdade e no caminho para um doutorado em física, Hawking com apenas dois anos de vida dado pelos médicos, se viu desiludido e repentinamente obrigado a fazer uma escolha: esperar o tempo passar ou aproveitar esse curto tempo da melhor forma possível, No entanto, apesar de toda genialidade e da frieza empregada nas equações matemáticas, ironicamente foi um sentimento considerado mundano que ensinou Hawking a lutar contra sua repentina condição: o amor de Jane Wilde. 

O filme dirigido por James Marsh é uma adaptação da biografia escrita pela primeira esposa de Stephen Hawking, Jane Wilde, chamada "Travelling to Infinity: My Life with Stephen" (na tradução livre: "Viajando ao Infinito: Minha Vida com Stephen) e que conta um pouco da vida de Stephen Hawking e como ele passou a sobreviver com sua doença. Contudo, ao contrário do que se pode esperar de uma obra auto-biográfica de Hawking, não vemos aqui suas conquistas na física, aliás vemos muito pouco, sendo limitados a busca da teoria que viria a consagra-lo: o Big Bang; aqui na verdade somos apresentados a sua vida e o que se passou no íntimo da convivência nessa extrema condição que lhe acometia. 

Neste lindo filme, é contado um relacionamento, um casamento cercado de incerteza e dúvidas, em que cada minuto da vida dos dois representou uma breve e curta história de longos dois anos de vida dados pelos médicos a Stephen Hawking que vive contra todos os prognósticos lhe dados até hoje. Nessa breve história do tempo, o amor foi fundamental para que Stephen e Jane vivessem juntos contra cada minuto, e em "A Teoria de Tudo" representado através das atuações brilhantes de Eddie Redmayne e Felicity Jones passamos a entender o porquê que dizem por trás de um homem, há sempre uma grande mulher.

A escolha do diretor em retratar o lado amoroso e sentimental da vida de Hawking em detrimento das conquistas e descobertas científicas do físico e da discussão entre a ciência e a religião que poderiam serem abordadas no longa (já que Jane e Hawking tinham opiniões contrárias a existência de Deus) e que também poderiam dar mais profundidade filosófica ao filme, tornaram as atuações ainda mais fundamentais para o sucesso da cinebiografia. E felizmente o resultado foi plenamente alcançado. 

É assombroso o poder de interpretação de Eddie e Felicity no longa, principalmente de Eddie que até mesmo pela retratação necessária da gradual debilidade física de Hawking ao longo dos anos, poderia ser facilmente cercada de dúvidas. No entanto, a atuação desafiadora de Eddie como Hawking chega a ser algo que não cabem palavras pra descrever como foi fantástico em cada detalhe. Após ver o longa, entendi muito bem que o Oscar ganho por ele foi o mais justo dos últimos tempos (desculpa aí Benedict Cumberbatch, não foi dessa vez)

Ao terminar de ver "A Teoria de Tudo" logo entendi de que o título é uma equação que explica a origem de todas as coisas, mas que numa visão mais ampla sobretudo nos ensina que a teoria também retrata um grande pedaço da superação e perseverança necessárias a vida de todos nós. No tempo curto e relativo que Stephen aprendeu a entender, em "A Teoria de Tudo" vemos um ode ao saber e uma justa homenagem ao gênio playboy e filantropo Stephen Hawking ainda em vida, e que merece ser visto por todos, sejam fãs ou apenas estejam conhecendo um pouco mais de sua obra e vida. 

Confesso que subestimei o longa enquanto ele passava no cinema, sempre o deixava em segundo plano, mas agora que o vi após o hype do Oscar me senti mais que surpreendido. 

Estudante de publicidade, formado em nerdices em geral, pós graduado em Netflix, e phD em piadas idiotas. Gasto dinheiro em comida e com livros que não tenho tempo pra ler.

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