Resenha Série: Orphan Black (1ª Temporada)

Imagine se você se vira e encontra uma pessoa igual a você?

Orphan Black é uma série criada pela dupla Graeme Manson e John Fawcett e produzida pela BBC canadense em parceria com o canal a cabo Space. Estreando a atriz Tatiana Maslany a série de ficção científica até o momento tem duas temporadas com a estreia da terceira prevista para o próximo dia 18 de abril. Portanto se você quiser tirar o atraso é agora!

Tudo começa quando numa típica noite londrina quando a jovem órfã Sarah Manning acaba presenciando o suicídio repentino de Beth Childs. Se aproveitando da aparência idêntica que as duas tinham, Sarah resolve pegar a bolsa que Beth deixou na plataforma com o intuito de trocar com identidade com a suicida, forjar a sua morte para despistar seu ex-namorado traficante pé de chinelo Vic, e começar uma nova vida com seu irmão adotivo Félix Dawkins e sua filha Kira de apenas sete anos de idade longe da onde moram.

Uma jovem alemã chamada Katja Obinger, idêntica a Sarah e a Beth, de repente aparece clamando por ajuda e é assassinada por um atirador de elite misterioso. Desesperada, Sarah recebe uma ligação misteriosa de uma tal de Cortana, exigindo uma maleta que estava em posse de Katja dizendo que ela era fundamental a sobrevivência de elas duas. Sarah se passa por Katja, retira a maleta do hotel em que ela estava, e descobre que ela contém análises de sangue e certidões de nascimento de outras mulheres iguais a ela, a Beth e a Katja. Esse é o início de uma trama envolta em ficção-científica, cheia de mistério, ação, conspiração de tirar o fôlego em que Sarah, ao mesmo tempo em que cada vez se vê mais envolvida nessa conspiração de clonagem ilegal, luta pela sua vida, a vida das suas clones, e pela vida de sua filha Kira.

Com alta qualidade na direção, roteiro (para exemplificar a qualidade, esse pequeno resumo que fiz cobre apenas 3 dos dez episódios da primeira temporada) e atuações, Orphan Black é atualmente exibida no Brasil pela A&E todas às quartas-feiras. Indo infinitamente além do velho esquema "mocinho x bandido", sua fodástica história já conquistou um lugar cativo na minha lembrança, aumentando ainda mais meu conceito que já tinha sobre séries produzidas pela BBC

É bom frisar que talvez toda a trama intrincada de Orphan Black seja possível pela atuação da atriz Tatiana Maslany. Além de dar vida a punk Sarah Manning, Tatiana interpreta também seus clones que são até essa primeira temporada: além da detetive Elisabeth Childs e da a alemã Katja Obinger; Alison Hendrix, uma típica mãe treinadora do subúrbio, Cosima Neihaus, uma nerd lésbica estudante de biologia evolutiva e genética, e Helena, uma ucraniana fanática religiosa treinada pelos Proletheans que são um grupo religioso que tem como objetivo exterminar os clones com o conceito de que ele são obras do demônio.

Só pela pequena lista de personagens que Tatiana interpreta, dá a noção do trabalho fantástico que ela faz; algo que é preponderante para tornar crível as múltiplas personalidades de cada clone, envolta em seus trejeitos, seus sotaques e seus modos de pensar. Tatiana, repito, dá vida a série, que não só traz um assunto atual à tona sobre os limites éticos da ciência, mas como também dá a real noção da confusão que seria termos mais de nós mesmos espalhados por aí.

A gigantesca conspiração de Orphan Black que Sarah vai descobrindo à medida dos episódios, envolve a experiência ilegal da ciência chefiada pelo Dr. Aldous Leekie em criar uma "nova espécie humana" ou Neoevolução. Esse assunto recorrente já difundido, discutido e criticado por doutores e cientistas e geneticistas em palestras no TED, se trata do poder que caberia a espécie humana de traçar uma evolução auto-dirigida, isto é, não só alterar a genética de bebês para eles nascerem com a capacidade maior para certas habilidades e estética preferida, mas através desse "cyberhacking", ser possibilitado a escolha de termos aumentada a capacidade de aprender diversas línguas, diversas artes marciais ou mesmo aumentar a capacidade de força ou regeneração. E um exemplo atual disso foi o implante de uma substância que proporcionava, mesmo que por uma curto período de tempo, sermos capazes de vermos no escuro como os felinos, o que mostra como esse assunto é cada vez mais atual, e a clonagem por consequência também será.

Sentimos uma ausência de boas histórias de ficção cientifica no cinema e na televisão, onde elas ou são fracas ou são bem restritas a amantes do gênero, no entanto, a relativamente novata Orphan Black preenche essa lacuna com toda a justiça, tanto a amantes ou não do gênero como aquelas pessoas que não acompanham muito séries num todo.

Estudante de publicidade, formado em nerdices em geral, pós graduado em Netflix, e phD em piadas idiotas. Gasto dinheiro em comida e com livros que não tenho tempo pra ler.

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