Vivemos uma síndrome de falsificação no rock


A uns anos atrás vi junto a um amigo, um cover sensacional de Led Zeppelin e Deep Purple executados com maestria pela mesma banda, e adolescentes na época, nos perguntamos ao caminhar de volta para casa: Por que esses caras não têm a coragem de investir em um som próprio? Seria falta de criatividade? De teor musical? Falta de talento e coragem mesmo? Pelas boas influências e pela habilidade dos músicos reluto em apostar que não. E isso foi a anos atrás, quando não vivíamos esse "movimento" das casas rock que sobraram em São Paulo em apostar em dezenas de shows covers de qualidade duvidosa, ao invés de um festival de bandas que teriam a chance lá de agradar o público ou não num verdadeiro teste de fogo e amadurecimento. 

Temos uma cena de um monte de bandas sem nome que de bares em bares almejam serem minimamente conhecidas somente por "homenagear" dignamente o trabalho de sua banda preferida; e a pobre e eterna realidade é que no fundo acabamos indo em casas assim, não só pelo line-up da noite (pra talvez nos dar a lembrança de um tempo bom na música), mas sobretudo por causa do ambiente em que somente um show ao vivo é capaz de fornecer - tem coisas que a Mastercard não compra, concorda? 

A cena rock brasileira está pobre, agonizante, saudosa pelos seus tempos passados sem ser capaz de olhar para frente. E isso passa tanto pelas bandas que mesmo com talento relutam a se arriscar com um som próprio, tanto pela falta de qualidade daquelas que se arriscam, e um tanto pelo pouco impacto que o gênero causa na cena atual, Talvez eu mesmo ao exercitar minha sagacidade "homenageasse" minha banda predileta e pegasse meus trocados, porque a coisa não tá fácil não... 

O melhor cantor brasileiro eleito recentemente foi Luan Santana, isso ajuda a explica a falta de reconhecimento que bons músicos ainda tem. Obviamente não vou discutir o tamanho do talento dele, mas discuto a falta do mesmo se compararmos a tantos outros artistas principalmente do passado. A oportunidade está na mão desses caras. E isso não é culpa deles para deixar bem claro, o sucesso do sertanejo só existe por causa do público, assim como qualquer outro gênero em qualquer outra década na história. Ele que manda. 

Portanto, penso que esse fenômeno aconteça não somente pela vontade das bandas, mas pela vontade do seu público e principalmente das casas que as contratam. Ninguém quer saber tanto de uma banda que está começando, mas sim em uma banda que toque o som que você gosta, cabendo aos fãs e amigos que acabam sabendo da banda autoral pela propaganda de boca a boca o público que elas têm naquela noite. O retorno vem no bolso mais rápido tocando uma banda de sucesso, e isso passa tanto pela falta de coragem da banda em apostar em si mesma, como pela falta de honestidade que há muitas vezes nas grandes rádios e gravadoras. O dinheiro sempre acaba sendo o ponto final de tudo, mesmo que pouco. Então todos acabam ficando no meio termo e por isso há tantas bandas cover, esse é o meio termo seguro pra todo mundo.

Felizmente ao contrário de outros tempos em que isto seria um agravante, há a internet para garimpar e possibilitar uma chance maior de visibilidade a nós de bandas que não teriam isso a tempos atrás, no entanto, se a quantidade aumenta, a qualidade cai. E talvez isso seja um dos fatores que justifiquem a curta vida de cantores, bandas e grupos que na hora do vamos ver, descobrimos que tem a validade de um álbum só, além do próprio retorno imediato que eles são obrigados a fornecer.

Deu pra entender o que quero dizer?

O ponto é que vi diversas bandas cover talentosas e algumas capazes de levantar o público, cheias de energia, carisma e com alta execução técnica dignas de uma banda formada, mas que no final das contas acabam apostando na boa e velha zona de conforto de um som seguro ao invés de se arriscar, criar, alçar voos mais altos e fundamentar uma carreira que vá além de casas de shows. Isso é deprimente se pararmos pra pensar, e ainda mais se pararmos pra analisar as minguadas casas rock que sobraram em São Paulo capazes de dar voz a esse gênero que não anda falando muito.

Estudante de publicidade, formado em nerdices em geral, pós graduado em Netflix, e phD em piadas idiotas. Gasto dinheiro em comida e com livros que não tenho tempo pra ler.

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