Animação "A Vida Curvada" satiriza nossa relação com nossos smartphones

Quem usa um smartphone sabe muito bem que eles nos desconectam do mundo ao redor. Essa não é uma constatação de um tiozão comunista que compartilha a opinião de que o uso desses aparelhinhos que nos causam horas de distração devem ser abolidas da humanidade - aliás, não vivo sem meu smartphone tanto quanto qualquer um -, mas é algo que não é preciso uma caminhada muito longa para percebemos como essa tecnologia talvez afete nossas relações pessoais (como se elas já existissem muito antes disso).

É só perceber quando você entra em um elevador. Por exemplo, a troca de olhares sem graça entre os moradores ou colegas de empresa que nunca se viram, atualmente foram substituídas pelos pescoços curvados e olhares fixos nos seus smartphones. Obviamente que isso tem seu lado bom e eu odiava esse momento constrangedor, porém é interessante notar a distração de alguém que lhe conhece a um bom tempo não lhe cumprimentar por causa desse olhar preso a tecnologia, de numa mesa de bar seu melhor amigo parar pra responder a mensagem no WhatsApp e deixar de prestar atenção no que você está falando, ou mesmo daquele ser que anda na calçada ou atravessa a rua despretensiosamente sem olhar para onde anda, e tantos outros exemplos... Na verdade, que atire a primeira pedra quem já nunca passou por isso ou se viu a um passo da morte enquanto atravessava uma rua, pois a nossa mórbida curiosidade fez a nossa mão arrancar o celular do bolso ao invés de prestar atenção ao redor.

Curiosamente, essa animação chinesa chamada "A Vida Curvada" (terra que seja talvez a mais ligada nessa tecnologia) mostra com uma boa dose de humor negro (e uma boa dose de exagero) essa "vida curvada" que faz pessoas morrerem, tropeçarem e se trombarem, tão distraídas que nem percebem suas roupas sendo tiradas, além de outras que tiram selfie por puro egocentrismo.

Estudante de publicidade, formado em nerdices em geral, pós graduado em Netflix, e phD em piadas idiotas. Gasto dinheiro em comida e com livros que não tenho tempo pra ler.

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