Resenha CD: Faith No More - Sol Invictus

Dizem que na vida precisamos reaver nossos projetos e sempre buscarmos as mudanças para ver o que vale realmente a pena. Foi assim com o Faith No More.

Em 2009, eles retornaram com a formação original (exceto o guitarrista Jon Hudson, pois ele somente participou de "Album of the Year") para um show histórico no Download Festival e em 2001 no finado SWU aqui no Brasil, e logicamente nem demorou muito para os fãs logo se ouriçarem querendo saber quando viria um álbum de inéditas - claro, nunca é o suficiente ouvir somente os clássicos por mais que eles sejam os mais requisitados nos shows de qualquer banda pelos fãs.

Mas no caso do Faith No More, tudo é um pouco diferente. Nas reuniões, torna-se quase que obrigação um álbum de inéditas, principalmente se tratando de uma banda tão peculiar, mas que em contrapartida se tratando do Faith No More, na verdade nem se podia imaginar que sairia algo inédito dessa reunião...

Foram assim quase seis anos após a volta envolta em muitos boatos e especulações, mas na sua velocidade - também peculiar da banda - eles anunciaram "Sol Invictus" que será lançado fisicamente dia 19, mas que hoje dia 11 foi disponibilizado via streaming no perfil da Ipecac Records no Soundcloud.

Normalmente eu espero até o lançamento do álbum para ouvi-lo em toda sua glória, mesmo quando o mesmo é disponibilizado via streaming. Contudo, não vou esconder de ninguém que sou um fã inveterado da banda e da voz de Mike Patton, e ao ver a notícia lá do computador do trabalho, foi impossível de assim que chegasse em casa, conter a ansiedade de escutar o álbum que esperei durante uma década e que muita gente esperou durante longos 18 anos. 

Música é de fã para fã, não tem como você recomendar um álbum para um amigo, colega ou mesmo um leitor distante desse mundão da internet sendo 100% imparcial. Aliás, tem como deixar um pouco de lado essa ansiedade e ataque de fanatismo para avaliar o álbum mais criticamente? É complicado e só para quem se dispõe a essa tarefa sabe disso. Bom, talvez se eu falar do álbum como obra e não analisando especificamente das faixas que o compõem isso transpareça.

Sempre quis colocar isso aqui, mas o Faith No More é o tipo de banda única e inimitável, aquela que nunca teve receio de não mudar para manter-se popular e sempre viajou entre diversos estilos e sons - até os que você não pode imaginar - tornando essa a característica principal da banda. As guitarras e baterias sempre estarão lá, mas irreverente na própria personalidade dos membros, o FNM musicalmente nunca tentou se copiar. 

Diria que pouquíssimas bandas permanecem exatamente as mesmas durante todas as décadas de carreira, na ponta da língua poderia citar Motorhead e AC\DC, mas nem gigantes Iron Maiden e Metallica permanecem os mesmos de vinte anos atrás (por mais que se esforcem pra revisitar suas raízes) por diferentes aspectos que podemos discutir. Mas entendo que a evolução tem que ser uma constante na vida e deve ser assim para as bandas que gostamos, está longe de ser uma regra a repetição. Para quem gosta de música realmente, apreciar o que é bom pra poder julgar se é ruim ou não, é fundamental se queremos fazer alguma crítica com algum fundamento. O Faith No More não permaneceu o mesmo desde "The Real Thing", porém é curioso o fato de que se olharmos mais atentamente pela internet, é realmente difícil de encontrar um fã da banda que seja viúva das raízes. Portanto, se eles conseguiram algo durante toda a carreira foi uma certa unanimidade.  

São quatro álbuns e quatro álbuns diferentes, salvo "Angel Dust" e "The Real Thing" com semelhanças, mas "King For a Day" e "Album of The Year" por exemplo, não tem nada a ver um com um o outro exceto por uma veia mais sombria e que foram suficientes pra alavancar a carreira para um status cult. E "Sol Invictus" continua esse legado de certa forma, buscando uma evolução e revisitando muito do que foi visto em sua carreira, ao mesmo tempo em que é palatável o suficiente para novos ouvintes ficando cada vez melhor a cada audição.

Analisando "Sol Invictus" mais a fundo, ele é tipicamente Faith No More, e quando digo tipicamente, é englobando todas as diferenças de propostas musicais passadas e extremismos que a banda se propôs durante os quatro álbuns lançados com Mike Patton nos vocais (considerado por mim e por muitos como o marco zero da banda), nos fazendo relembrar do principal mérito que uma banda tem como proposta. As faixas "Motherfucker", "Superhero", "Matador" e Sunny Side Up" tiram qualquer dúvida do que estaria por vir.

Talvez para os mais exigentes, se esperava algo mais marcante ou diferente do Faith No More, não muito seguro, mas "Sol Invictus" na minha (suspeita) opinião finca novamente a bandeira do Faith No More no mundo atual do rock, dando o recado para muita gente de que, apesar dos cinquentões terem passado tanto tempo na geladeira, eles estão fazendo e muito bem o melhor rock possível, o suficiente para continuar seu legado de influências que perdura há mais de duas décadas.

Tracklist:

1. "Sol Invictus"
2. "Superhero"
3. "Sunny Side Up"
4. "Separation Anxiety"
5. "Cone of Shame"
6. "Rise of the Fall"
7. "Black Friday"
8. "Motherfucker"
9. "Matador"
10. "From the Dead"

Entre tantas coisas que eu penso, na verdade, não tem nada melhor na vida do que meus heróis, um bom rock n' roll, cerveja, fritas, e um bom papo com uma boa companhia.

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