Resenha CD: Paradise Lost - The Plague Within

Fã é um barato engraçado, nunca sabe bem o que quer. Se a banda permanece a mesma é acusada de ter falta de criatividade, se a banda adquire novas influências e tenta colocá-las em prática é acusada de ter se "vendido" ou perdido a mão em fazer o som que lhe consagrou. Como vê, é muito difícil de equilibrar os ânimos e é tão comum de encontrar fãs da "fase antiga" ou "fase nova" de certa banda do que dinheiro na cueca de político.

Daí quando qualquer banda anuncia uma "volta às raízes" tem dois objetivos bem claros: a da real tentativa, e a da auto-promoção. Afinal, qual a tática melhor de alardear os fãs do que dizer que o seu próximo álbum tão aguardado é uma volta às raízes? É aí que temos dois caminhos bem claros nessa sinuca de bico: ou se opta pelo mais seguro que é agradar tanto aos fãs mais novos e aos mais antigos - o Metallica atualmente se encaixa bem nesse quesito "em cima do muro" -, ou simplesmente se cumpre o que "prometeu" porque era o que a banda queria mesmo, é o lado que exemplifica bem o novo álbum do Paradise Lost.

"The Plague Within" cumpre com cada promessa - mesmo que não tenham sido muito numerosas - sobre uma volta às raízes do doom metal extremo que consagrou a banda no começo da carreira, e mostra ter sido uma jogada corajosa, pois mesmo que o pessoal comandado por Nick Holmes já tenha flertado com a volta dos vocais guturais mais frequentes e guitarras cada vez mais pesadas, é aqui em The Plague Within" que se consolida o a pá de cal na fase gótica/eletrônica que a banda.passou pelos anos 90/00.

"Beneath Broken Earth", e "Sacrifice The Flame" são bons exemplos do que estou dizendo e da coragem de dar um passo realmente sincero às raízes do Paradise Lost, as faixas fazem parte do rol de um doom metal dos bons que surpreende o ouvinte mais distraído. Já tendendo bem mais pro death metal (dos bons também), temos a "Terminal", "Flesh From Bone" e "Victim Of The Past", que cara, é para aplaudir. E pra você ter uma ideia de como o Paradise Lost não veio pra brincadeira aqui, se temos faixas mais "boazinhas", somente a "Cry Out" e o single "No Hope in Sight" vem ao caso, as duas são as mais cantaroláveis do álbum (guardadas as devidas proporções).

Sem ter muitos refrões, mas altamente contagiante para quem sempre espera uma boa pedrada no ouvido do Paradise Lost, o trabalho da banda chega a ser primoroso em todo o álbum. Nick Holmes urra como a duas décadas não se ouvia, e a linha precisa da bateria de Adrian Erlandsson juntamente com as guitarras muito bem afinadas e sincronizadas de Aaron Aedy e Gregor McKintosh tornam o álbum melhor a cada audição, repetição que é fundamental para se perceber melhor as melodias empregadas e como elas foram fundamentais pra construção de todas as doze faixas de "The Plague Within".

"The Plague Within" é um álbum que em nenhum momento está para abraçar o lado mais "pop" que a banda teve na época dos anos 2000, e que conquistou muitos novos fãs certamente, inclusive este que vos fala. O álbum dá um verdadeiro soco na cara de quem estava esperando algo na linha do excelente "Tragic Idol" de 2012. Aqui é um Paradise Lost ainda mais pesado, denso, soturno, violento; portanto não é um álbum para agradar a "massa" que se acostumou com a banda de "Host", "One Second" e "Symbol of Life", esses igualmente geniais a sua forma. Mas desculpe, "The Plague Within" é uma obra-prima.

Tracklist:

1. "No Hope in Sight" 4:54
2. "Terminal" 4:28
3. "An Eternity of Lies" 5:58
4. "Punishment Through Time" 5:13
5. "Beneath Broken Earth" 6:09
6. "Sacrifice the Flame" 4:42
7. "Victim of the Past" 4:29
8. "Flesh from Bone" 4:19
9. "Cry Out" 4:31
10. "Return to the Sun" 5:44

Estudante de publicidade, formado em nerdices em geral, pós graduado em Netflix, e phD em piadas idiotas. Gasto dinheiro em comida e com livros que não tenho tempo pra ler.

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