Resenha Cinema: Os Vingadores: Era de Ultron

A equipe aqui continua basicamente a mesma: Capitão América (Chris Evans), Thor (Chris Hemsworth), Homem de Ferro (Robert Downey Jr), Hulk (Mark Ruffalo), Viúva Negra (Scarlett Johansson) e Gavião Arqueiro (Jeremy Renner) e eles continuam exatamente onde o primeiro Vingadores parou, em torno do cetro de Loki e a gema do infinito contida nele. 

Dois anos depois da batalha de Nova York, os heróis vão a Sokovia, onde num posto avançado da HIDRA onde o poderoso cetro de Loki está em poder do Barão von Strucker. Com ele finalmente recuperado, o gênio, playboy e filantropo Tony Stark e o cientista-zen Bruce Banner descobrem uma inteligência artificial contida no cetro, e com isso eles realizam estudos acerca desse poder misterioso para aprimorar e finalizar a inteligência artificial que Tony quer colocar a serviço dos Vingadores chamado "Ultron" (voz de James Spader). Após muitas tentativas e erros de Stark e Banner, Ultron inesperadamente desperta, e ao refletir sobre sua missão designada de proteger o mundo, ele, como uma inteligência artificial, conclui que para o mundo finalmente alcançar sua paz, a raça humana precisa ser destruída. 

A Era de Ultron traz uma discussão maior acerca da sobrevivência humana. Loki no primeiro filme tinha simplesmente suas motivações cerceadas pela vingança, mas Ultron não. Em comum, os dois refletem que para a raça humana alcançar sua paz é algo impossível e ilógico, mas ao contrário do primeiro longa em que Loki entende que a humanidade precisa de uma ditadura de uma raça superior, entendendo que guerras e destruição em busca de um suposto "bem maior" é pura bagunça e burrice. No segundo longa, Ultron nasce entendendo que a subserviência a que ele é dirigida pelo humano Stark também para a inteligência Jarvis, é algo inaceitável, já que não é preciso esforço pra entender a hipocrisia enorme de Stark por ter financiado as armas da guerra e agora querer a paz. Principalmente por isso, Ultron chega a extrema conclusão de que não há solução, é necessária a extinção em massa da raça humana, pois ele entende que só através dela há a evolução. 

Detrás de suas frases de efeitos bíblicas e tiradas dos contos de fada infantis, percebi que Whedon apresentou Ultron como Lúcifer, o anjo que se rebelou contra seu Pai por Ele dar tanta importância a uma raça tão imperfeita e ao mesmo tempo tão hipócrita, que tinha livre-arbítrio mas tinha como "dever" acreditar em seu Pai; e como Pinóquio, o boneco que cria vida através de seu criador Gepetto, no caso Stark. A cena do um Ultron todo desajeitado, recém-liberto de seus fios, onde ele diz "there are no strings on me" (não há cordas em mim) ao som do clássico tema do Pinóquio (que você pode ouvir no vídeo abaixo), e também da frase "dessa pedra farei meu castelo" ao ele tomar posse do Vibranium são bem emblemáticas comprovando essa referências que dei, E sobre elas confesso que se tornaram épicas ao aplicadas ao vilão Ultron. Joss Whedon foi muito bem usando a Disney a seu favor!


Continuando a falar sobre a trama, Whedon corrigiu um dos principais defeitos que poderíamos apontar no primeiro filme: a falta de desenvolvimento dos heróis. Claro que a Marvel não é a DC e apresentar o lado humano dos heróis com um toque dramático não é com ela, além do fato de Os Vingadores ser a "reunião" e que os filmes solo tem o papel de desenvolver seus heróis, contudo, se por causa do primeiro filme fomos obrigados a intitular o Gavião Arqueiro como o Aquaman dos Vingadores, em a Era de Ultron, o diretor Joss Whedon brinca e faz piada disso, mostrando o Gavião Arqueiro não só como o Legolas do grupo, mas sobretudo como Clint Barton, que no meio de tantos deuses é capaz de trazer para si o "problema" de unir e consolar o grupo em cada derrota e acalmando os ânimos envoltos em uma tensão cada vez maior entre Tony Stark e Steve Rogers. 

Sobre isso, sabemos que os dois tem ideias completamente opostas acerca da tecnologia e como ela poderia ser benéfica aos Vingadores, e o fato de Tony ter desenvolvido Ultron em segredo do grupo, só desencadeou definitivamente esse conflito que podia ser notado levemente desde o primeiro filme e terá sua conclusão no terceiro filme do Capitão América: Guerra Civil. O papel de Clint Barton é fundamental por sempre colocar na mesa de que apesar das divergências, salvar pessoas é o que importa. Falando nisso, é ele que diz aos dois novos personagens, Pietro (Aaron Johnson) e Wanda (Elizabeth Olsen) aka Mercúrio e Feiticeira Escarlate respectivamente, o que importa e o que eles devem fazer na batalha os fazendo entender como são importantes na batalha.

Outro dia vi uma discussão na televisão sobre porque consideramos os vilões tão legais e eu respondo: - oras, porque eles são tão legais quanto os heróis! Infelizmente, apesar das boas referências, Ultron não é esse vilão. Contudo, temos que ser justos que a característica da Marvel para com seus vilões é de bem contra mal simplesmente, e que a queixa de que o roteiro pode ser batido é pela inteligência artificial é um roteiro batido se formos falar sobre filmes pré e pós-apocalípticos. Sobre isso Os Vingadores: A Era de Ultron é um belo e recheado bolo de chocolate. Não tem como você fazer um bom filme se você somente jogar todos esses ingredientes esperando que no fim deem certo, entende o que quero dizer? A vertente dos Vingadores é a pancadaria, e a vilania é uma "desculpa" para amarrar o enredo e dar aos heróis o dever de ser heróis, deixando para eles mesmos fortalecer as características com o objetivo final de também fortalecer os conflitos morais entre eles que são necessários para uma história maior, vide Guerra Civil. 

A sensação que tive ao sair do cinema foi de empolgação e de coito interrompido, algo natural de segundo filme ou meio da história, mas é esse o propósito de A Era de Ultron existir, que é de nos deixar a par para o que vai acontecer. Pra mim o maior mérito da Marvel é dirigir seus filmes a um maior público possível sem deixar pontas para aqueles que não acompanham quadrinhos, e referências suficientes para deixar os fãs da editora muito bem entretidos acerca da história, sem choramingar muito porque "tal filme não é parecido com os quadrinhos" . Acredito que isso traga satisfação do caralho!

Nas aulas de português nós aprendemos que pra uma boa dissertação é necessário três fatores: o começo, o meio e o fim, e eles estão presentes nessa resenha que estou fazendo, no livro que você está lendo, e assim como nos filmes que você assiste. Resumindo: tal qual que na vida temos a alegria, a convivência e as lembranças, é nessa parte da convivência, nesse meio, que é sempre cercado de drama, percalços e de superação, o caminho é tortuoso e de desenvolvimento e é assim que se evolui para um evento maior. Apoiado sobre isso, o segundo filme dos Vingadores passa pela provação que tantas outras trilogias passaram ou passarão, que é superar a excelência do primeiro filme, entreter o espectador suficientemente para que ele o considere melhor que o primeiro, e fazer com que esteja animado o bastante para a terceira parte. Os defeitos da primeira parte continuam presentes, mas as qualidades também e aumentadas. 

Em a Era de Ultron temos o terreno perfeito para o que virá na terceira parte das Guerras Secretas em que Thanos finalmente dará as caras. Um novo grupo de Vingadores dará as caras e o Pantera Negra vem por aí, ou você não percebeu que Wakanda é citada pelo Bruce Banner?

  • Se você é uma das duas pessoas que não viram o filme, sim, há a cena pós créditos, não se preocupe.
  • Como em todo longa baseado nos quadrinhos da Marvel, o mito Stan Lee aparece mais uma vez e é hilário! =D

PS: Outro ponto criticável é que eu sabia mais ou menos o que ia acontecer no filme. Obviamente grande parte disso era dedução, mas a crítica vai para a Marvel em mostrar demais sobre o filme na internet a ponto de que não ficamos nem um pouco surpreendidos, por exemplo, na batalha da Hulkbuster de Stark e Hulk na África do Sul em que sabíamos o que ia acontecer, aonde acontecer e a destruição que iria ocorrer. Posso estar sendo chato, mas foram 44 vídeos promocionais desse filme divulgados no canal do YouTube, é demais né? Essa linha de teasers de trailers e de partes divulgadas dos filmes blockbusters na internet como promoção é da mesma antipatia que seu melhor amigo contar o filme que você quer assistir. Você vai ver porque você quer ver e os roteiros de qualidade da Marvel nos induzem a isso. Contudo, sinto falta daquele mistério dos trailers que somente mostram o suficiente para você se sentir mais curioso sobre a história, sei lá, talvez isso se perca nos filmes de ação... Aí você pode dizer: "oras, não assista aos trailers então". Mas como conseguir isso numa internet que lota de informações que você se recusa a saber, mas acaba sabendo? =/

PS 2: Não vou falar sobre o Visão (voz de Paul Bettany). Ele é espetacular, sem mais.

Estudante de publicidade, formado em nerdices em geral, pós graduado em Netflix, e phD em piadas idiotas. Gasto dinheiro em comida e com livros que não tenho tempo pra ler.

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