Nunca julgue o Queen pelo Adam Lambert

segunda-feira, julho 13, 2015




Somos inundados por todos os tipos de reality shows hoje em dia; e salvo a discussão sobre qual deles é mais "útil" ao público, a verdade é que todo mundo (sim, inclusive você) se interessa na vida alheia mesmo que um pouquinho, ainda mais quando essas pessoas estão competindo por algum prêmio por seu próprio talento.

Falando especificamente dos famigerados reality shows musicais que tomaram conta da televisão, eu pessoalmente acho bem questionável o nível de qualidade dessa atrações e se realmente elas são capazes de revelar alguém pro estrelato, afinal, o mundo da televisão é de plástico e nos emburrece, e daí é natural a gente ficar com pé atrás se aquele cantor ou grupo tem um real talento por trás de um playback ocasional. Mas o formato adotado num "Superstar" ou mesmo no "The Voice" agradam se pensarmos pelo lado de que artistas (por mais chatos que sejam como Carlinhos Brown ou Sandy) estão trocando experiências com quem almeja o estrelato que o seu ídolo têm. Então é meio que com um "meh" a gente acaba aceitando, mas no fundo a gente também nem dá muita bola pra um vencedor dos realitys que citei, e ainda menos para o bem sucedido reality gringo "American Idol" (que é tipo um show de calouros para quem não conhece "ma oe"). E como nesse país em que vivemos o segundo lugar não vale nada, que tal então saber que o "novo" vocalista de mais uma reunião do Queen foi o segundo lugar daquela edição? 

Quando Brian May e Roger Taylor anunciaram uma turnê e um álbum inédito juntamente com Paul Rodgers com a alcunha Queen + Paul Rodgers, ficou evidente desde ali o que significava o + adotado. Como é natural haver comparações entre o antigo e o novo vocalista, no caso Paul com Freddie (o que é totalmente estúpido), May e Taylor com o + procuraram evitar isso e as ideias de que eles fariam uma reunião somente por dinheiro. O + era um respeito pelo passado. Em outras palavras, o Queen faz parte daquele rol de bandas especiais, totalmente inalteráveis, como um mecanismo de um relógio suíço. São aquelas membros e só aqueles membros, o que na verdade significa que Freddie tem um sapato muito apertado pra caber no pé de qualquer um e Adam Lambert chega a ser uma heresia aos ouvidos de tais fãs como eu. 


Bom, Paul Rodgers é um ótimo vocalista de rock e gostei bastante da pegada e do espírito que May e Taylor tiveram com ele, mas sempre faltou aquele brilho que Freddie tinha e que dava pro Queen; algo que Rodgers nunca iria ter nenhum pedacinho e naturalmente Adam pra mim nunca iria ter até fazer esse mea culpa

O "pop" significa ser "popular" e esse é o principal ensinamento que posso dar hoje. O gênero deu ao Queen todo o reconhecimento e a segurança de seguir qualquer caminho que ele quisessem seguir. É como se a banda tivesse ficado tão grande a ponto de não caber no rock que foi preciso fazer seu próprio estilo. E o Queen sempre foi uma banda do rock. Mas com seu nome solidificado nesse gênero, o pop só serviu para aumentar a zilhões de níveis a mais aquilo que Freddie mais sabia ser: performático. Ele era o show, ele sabia ser O show, justamente tudo e mais um pouco que falta hoje em dia.

Freddie Mercury é e sempre será a voz absoluta do que entendemos por rock n' roll. Em outras palavras, simplesmente foi o homem que com sua voz, seu talento, e seu carisma impressionante (se formos pensar que ele foi uma das pessoas mais tímidas que se teve notícia), foi capaz de transitar com total segurança entre o rock n' roll e o pop; sim, o pop que pra mim e pra você é útil somente para validar uma banda ou cantor de vendida, de descartável, como uma Britney Spears ou o Restart das vidas. Mas o Queen é justamente tão interessante por isso, Freddie era. 

A pressão é naturalmente enorme, afinal estar na mesma posição do palco que Freddie estaria é uma cobrança e tanto, são compreensíveis os temores da reunião que virá aqui pro Rock In Rio este ano. Mas por outro lado se pensarmos bem, a rejeição com o cara não é um tipo de preconceito bobo por ele ter vindo de um famigerado reality show?

Bom, Dave Grohl tem a opinião (de que concordo) de que não se ensina música e que a ideia de um empresário "zilionário" ficar sentado julgando as pessoas de boas ou ruins no que fazem não é nem um pouco útil. Mas recuperando o assunto do começo do texto, é interessante que esses mesmos reality shows bem ou mal acabam por revelar e mostrar ao mundo de que tem muito talento espalhado por aí. É só ver as apresentações do jovem Adam pra perceber que realmente ele tinha algo especial consigo, e foi ver um show dele com o Queen tive que reconhecer como foi justa a sua escolha pro tão pesado "cargo" que ele teve que assumir. 

Sou um fã do Queen, e fico feliz a cada vez que um clássico do grupo é tocado como todo mundo nos karaokês da vida. Com certeza May e Taylor sabem bem o que significa esse sentimento e acho que por esse motivo eles fazem tais reuniões e nunca deixam de tocar essas músicas. É dar vida a música que Freddie deixou.

Dizem também que o Queen desde a morte do Freddie se tornou um cover de si mesmo, o que não deixa de ter sua ponta de verdade, mas no meu ponto de vista somente Adam Lambert ao lado de George Micheal souberam representar Freddie no seu melhor que trazia consigo: o poder de com sua voz ser o show, E por mais lúdico e exagerado que pareça, eu senti um pouco do Freddie ali no palco com Adam, no seu lado performático que ele tinha e na sua voz rasgada e grave. Me emocionei e me arrepiei com o "Somebody To Love" - felizmente não de frio.


Tive que fazer o mea culpa.

Postado por André Prado
Estudante de publicidade, formado em nerdices em geral, pós graduado em Netflix, e phD em piadas idiotas. Gasto dinheiro em comida e com livros que não tenho tempo pra ler.

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