Resenha Filme: Débi & Lóide 2


Brincar com a nostalgia da gente é algo muito perigoso, ou o "revival" se dá minimamente bem na missão de se apresentar às novas gerações, ou essa tentativa esfacela totalmente as minguadas esperanças que nós temos de ver o "revival" de nosso filme predileto da infância/adolescência ser dignamente representado às novas gerações. Bom, há certas coisas que nem deve se mexer, ou como diria o futebolista: "não se mexe em time que está ganhando".

Nessa onda de remakes e reboots no cinema, sequências tardias também dão sua cara. É claro que é por uma questão financeira muito mais que a vontade de formular um bom roteiro, afinal, é muito mais fácil e simples para os engravatados apostarem e lucrarem em cima de uma produção que aposte diretamente na nostalgia. E no caso de "Débi & Lóide 2" a missão de ligar a nossa nostalgia e as boas lembranças de longos vinte anos atrás foi até bem cumprida e com louvor.

Assim que assistimos a cena em que Loide (Jim Carrey) prega uma peça em Débi (Jeff Daniels) sobre ter perdido a sanidade por causa do grande amor que ele perdeu a 20 anos atrás fazendo Débi ter até de ter trocado as fraldas dele, logo sabemos que tipo de filme iremos assistir e que tipo de filme a nova geração irá assistir. São 20 anos de intervalo explicados de forma bem rápida e com uma piada idiota que só a dupla saberia como fazer.

Na minha visão essa tardia sequência só deu certo porque um filme de comédia de puro besteirol e nonsense como é "Debi & Loide" não precisa de muito roteiro, é só colocar como pano de fundo uma boa história para as piadas rolarem. E tudo isso é feito de uma forma bem simples e leve, mesmo que seja por um motivo mais "sério" que no primeiro filme.

O lance é que após esses 20 anos, Débi faz uma revelação chocante para o seu amigão Lóide: ele precisa de um transplante de rim urgentemente. Então a dupla saí desesperadamente em busca de parentes e amigos, e é aí que eles encontram a amiga Freida Felcher, que não reconhecem logo de cara - talvez porque a Kathleen interpretou a mesma Freida no primeiro filme e a vinte anos atrás ela era um símbolo sexual, e... é bom saber que a atriz encara isso numa boa. De qualquer forma, Freida revela a Debi que ele teve uma filha com ela que foi deixada para adoção. Daí pra frente, seguindo o estilo road trip pelos Estados Unidos já realizado no primeiro filme, a dupla sai em busca dessa filha que ele descobriu ter. E como ela é compatível com seu sangue, logo esta é sua maior esperança de ter um transplante.

A trama feita por (pasmem) quatro roteiristas Sean Anders, John Morris, Bennett Yellin e Mike Cerrone juntamente com os irmãos Bobby e Peter Farrelly (que também dirigem o filme) não importa muito no final das contas, já que o desenrolar dela é bem sem noção e os astros são Débi & Lóide. O importante mesmo é que eles se metam em muitas confusões, façam muitas caretas e contem piadas sobre pum, não é mesmo?

Me diverti com o filme principalmente porque ele é feito de um humor besta e despreocupado, com uma simplicidade e humor que mal existe hoje em dia.

Logicamente a burrice dos dois são evidentes a todo mundo, mas o que também colabora muito pra acharmos graça do filme é que me nenhum momento a dupla é ridicularizada por isso ou cercada de pessoas que demonstram ter um intelecto superior a eles. Os coadjuvantes como a filha de Débi, Penny (Rachel Melvin), também tem seu lado deliciosamente inocente. Talvez com essa visão, o roteiro dos irmãos Farrelly talvez nos digam que há um pouco de Débi & Loide em todo mundo, e bom, isso é a pura verdade. =D

Claro que nem todas as piadas são certeiras e ver a bunda do Jeff Daniels tantas vezes não é tão legal assim, mas é bom rever o Jim fazendo suas caretas que o deixaram famoso (até mesmo porque esse é o melhor papel que eles fez na última década) e o Jeff tão solto novamente em um papel (sendo este muito bem estabelecido na série The Newsroom). Aliás são os dois que literalmente carregam o filme nas costas, não somente porque eles interpretam os personagens principais, mas sobretudo porque deu para ver que a dupla de atores cinquentões de divertiu pacas pra fazer o filme. O que proporcionalmente deixa o mesmo tão legal e gostoso de se ver.

Felizmente "Débi & Loide 2" entrega uma avaliação positiva apesar da desconfiança e indiferença de uma sequência realizada vinte anos depois, atacando diretamente a nosso coração nostálgico. Aliás só de ver eles encontrarem o icônico carro de cachorro já vale o dia.

Lembro de a vinte anos atrás, quinze na verdade, ter visto pela primeira vez o primeiro filme da dupla no falecido Cinema em Casa (e mais umas dez vezes depois) e morri de rir com as besteiras dos dois. Pra caralho mesmo. Com o segundo filme confesso que apenas ri, ri bastante, mas apenas ri. Bom, foram vinte anos de lá para cá e meu humor amadureceu e fiquei mais "chato", o que é natural. pois adquirimos um senso crítico maior e o que era tão engraçado a quinze anos atrás, agora não é mais, e se ainda é, damos um sorrisinho apenas. Só que sei reconhecer muito bem os méritos de um filme, e o segundo filme de Debi & Lóide fez muito bem ao meu coração e aos meus dentes.

Estudante de publicidade, formado em nerdices em geral, pós graduado em Netflix, e phD em piadas idiotas. Gasto dinheiro em comida e com livros que não tenho tempo pra ler.

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