Resenha CD: Ghost - Meliora

sexta-feira, setembro 18, 2015


Ser relevante dentro do mundo musical do rock pra mim, é saber equilibrar as suas influências e as suas escolhas, a sua e a do ouvinte. Não basta atirar na nostalgia e na agressividade para se destacar, o diferencial é ter elementos que justifiquem sua imparidade nesse mar de bandas que nem sabemos por onde começar a escutar, em outras palavras: talento e criatividade. Acredito que hoje em dia e desde que o mundo é mundo tão poucas bandas de rock e de heavy metal sabem desse equilíbrio, e essa salada de tanta técnica e agressividade acaba no final das contas deixando todas essas bandas parecidas uma com as outras. Nessa, o Ghost tem se destacado como ponta fora da curva em saber que não é preciso nem ser rápido e nem ter vocais agressivos, na verdade, beber da fonte da época clássica do que chamamos de rock n' roll sem parecer um mero cover.

Quando o Ghost surgiu (e tardiamente eu ouvi) com "Opus Enonymous" em 2010 me perguntei o que era isso, se simplesmente era mera nostalgia, algum tipo de nova "salvação do rock" (por causa da alavancagem social que a banda alcançou por ter figurinhas como James Hetfield e Dave Grohl como fãs confessos, até pra esse último o Ghost abriu turnê) ou simplesmente mais uma banda que parecia com um Mercyful Fate da nova era por chamar atenção pela sua maquiagem cadavérica e também por suas batas católicas e mortes simbólicas de seus Papas Emeritus inaugurando uma nova fase da banda a cada trabalho.

Felizmente não era isso, e o segundo álbum (prova de fogo para vermos se uma banda realmente é boa) "Infestissumam" me agradou muito principalmente pela banda se desgarrar um pouco do rock setentista e se aventurar no agradável pop. Sim, eles tinham conteúdo.

O lance é que a banda de maquiados tem em "Meliora" o álbum que sintetiza melhor o lado rock abraçado por "Opus Enonymus" e o a aventura pelo lado mais pop da coisa em "Infestissumam", e acho que até a banda pensa assim pois "Meliora" vem do latim e significa "melhor".

Essa qualidade em mesclar diversas influências se prova pelas duas faixas iniciais "Spirit" e "From The Pinnacle To The Pit", enquanto o single "Cirice" e a belíssima "He Is" contrapõem o peso apresentado apresentado logo no começo para quem sentiu falta das guitarras em "Infestissumam". E vale também a lembrança por "Deus In Absentia" que encerra o álbum de forma magnífica.

Lotado de refrões, solos e melodias bem trabalhadas que em nada justificam as vaias do público presente na edição passada do Rock In Rio (não me conformo com isso) somente porque a banda era uma ilustre desconhecida por aqui. "Meliora" por si só, como qualquer outro trabalho do Ghost, não é do tipo de álbum que você vai gostar logo de cara e nem vai te chamar a atenção de primeira. Eles não "reinventam a roda" mostrando um som que você nunca ouviu antes. É preciso paciência e um pouco de força de vontade para mergulhar na melodia criada com as guitarras e nos vocais agradáveis de Papa Emeritus III para resolver esse "problema" apertando repeat várias vezes, percebendo assim que o álbum se trata de um dos melhores lançamentos de 2015 se tornando essencialmente delicioso de se ouvir. Eu passei exatamente por essa experiência e recomendo vocês a fazer o mesmo.

Acho que é justamente isso que mostra o conteúdo além do óbvio e explica o ponto fora da curva que o Ghost é (longe de uma crítica as outras bandas pois cada uma tem sua peculiaridade), mas o lance de todo esse "trabalho extra" se dá pela admiração de um álbum e em ouvi-lo diversas vezes para perceber a sua real qualidade. Tipo coisa de LP. Não são músicas soltas.

Tracklist:

1. "Spirit" 5:15
2. "From the Pinnacle to the Pit" 4:02
3. "Cirice" 6:02
4. "Spöksonat" 0:56
5. "He Is" 4:13
6. "Mummy Dust" 4:07
7. "Majesty" 5:24
8. "Devil's Church" 1:06
9. "Absolution" 4:50
10. "Deus in Absentia" 5:37

Postado por André Prado
Estudante de publicidade, formado em nerdices em geral, pós graduado em Netflix, e phD em piadas idiotas. Gasto dinheiro em comida e com livros que não tenho tempo pra ler.

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