Resenha Filme: Mad Max - Estrada da Fúria

segunda-feira, setembro 14, 2015


Até esse ano a maior ligação que eu tinha com "Mad Max" era a música da Tina Turner "We Don't Need Another Hero", saca?


E claro com o Mel Gibson na flor da juventude e da fama... 

Mais nada.

O diretor australiano George Miller sofreu e muito para que o quarto filme da franquia fosse realizado. Lá se foram quase 25 anos desde o terceiro filme e quando todos nem esperavam mais, e já julgavam o projeto de Miller uma espécie de "Chinese Democracy das telonas devido aos contratempos absurdos indo de tempestade de areia, vegetação e falta de grana, a desistência do astro-mór Mel Gibson há 15 anos atrás, George Miller resolveu seguir, com muito esforço, com a sua ideia de renascer a franquia esquecida; e em 2015 "Mad Max; Estrada da Fúria" finalmente viu a luz do dia.

Reviver franquias virou moda ultimamente em Hollywood. E partindo daí há dois sentimentos extremamente conflitantes: o primeiro é a sensação de nostalgia e o desejo de que a geração mais nova veja o porquê admiramos tanto a tal franquia, e o segundo ponto é o medo de que tudo isso seja estragada em duas horas em favor de nosso suado dinheiro... Bom, com a maioria das execuções dessas "ideias nostálgicas" fracassadas no tempo recente, imagino que para fãs da franquia, foi bom que "Mad Max" tivesse ficado escondido atrás dos holofotes. E ao ver o filme entendemos o porquê que podemos julgar o filme de Miller como uma ideia. Uma ótima ideia de um homem persistente. Ideia que precisava ser vista pelas novas gerações sedentas por ação e por gente como eu.

"O futuro pertence aos loucos."

Num futuro distópico não tão distante assim onde os recursos foram praticamente esgotados ou contaminados, a sociedade foi totalmente diluída e o ser humano foi relegado a ter apenas um instinto: o da sobrevivência. Nessa terra arrasada, o que temos de mais abundante é areia e o único símbolo de poder e autoridade são as máquinas envenenadas. Água? Quem detém isso é rei. E esse título cabe ao imperador Immortan Joe (Hugh Keays-Byrne), que com sua pose de Darth Vader messiânico, controla Cidadela com mãos de ferro tendo posse de absolutamente todos os recursos naturais ainda existentes.

E Max? Bom, o homem ex-policial e que enlouqueceu por sua filha e sua mulher terem sido assassinados por uma gangue de motoqueiros criados por esse mundo louco, foi obrigado a andar sozinho para tentar esquecer o que houve no seu passado e em relação ao próprio mundo. Em "Estrada da Fúria", Max Rockatansky foi capturado pelos Kamicrazys de Immortan Joe por causa de um bem muito valioso: seu sangue O negativo. Usado como mera "bolsa de sangue" (tanto que é assim que o chamam), Max acaba escapando na perseguição da traidora de Immortan Joe chamada de Furiosa (Charlize Theron), que cansada de ver as mulheres usadas como meros objetos, decide fugir com justamente os maiores tesouros de seu Imperador - as suas esposas. 

Ao contrário do que sugere o título, Max é somente o coadjuvante que liga todos os personagens. A verdadeira protagonista aqui é Furiosa. Uma personagem com o símbolo maior da trüeza (com direito a trema e Motörhead na trilha de fundo), mas que nesse filme tão machista ainda encontra a sensibilidade exata para transparecer como o real símbolo da esperança desse mundo pós-apocalíptico e do pouco que ainda resta de sanidade nela mesma.

Simples, direto e sobretudo na medida certa, "Mad Max: Estrada da Fúria" é um show visual impressionante com sequências de ação de tirar o fôlego e talvez o único filme de ação que consigo lembrar que usa perfeitamente os clichês em favor de seu próprio bem. Sem romances, sem enrolação. Insano como sociedade futurística que Miller criou nos desertos australianos, e que usa e abusa das metáforas que caberiam muito bem na possível sociedade futurista que podemos criar com as prováveis guerras futuras pelo o que ainda restaria no planeta, reduzindo a pó os valores e as conquistas, como os Kamicrazys, e tendo nos carros o único símbolo de poder. 

Como você pode perceber pelo roteiro, somos simplesmente jogados a ação sem tempo algum para retomarmos o fôlego, e não sei se sou só eu, mas adoro filmes de ação que nos "jogam" na... ação sem firulas e nem perdendo tempo em explicações além do básico. Se você também gosta disso, em "Estrada da Fúria" você encontrará seu lugar. Filmaço de cabeceira!

...

E você pequeno gafanhoto que adora perguntar: mas e o cara da guitarra que solta fogo? Por que ele está ali? Bom, ele está ali porque... está. É a trilha sonora perfeita para o caos, e George Miller acertou na mosca em encaixar uma alegoria tão non-sense como essa!!!

Postado por André Prado
Estudante de publicidade, formado em nerdices em geral, pós graduado em Netflix, e phD em piadas idiotas. Gasto dinheiro em comida e com livros que não tenho tempo pra ler.

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