Resenha CD: Muse - Drones

terça-feira, outubro 06, 2015


Na vida costumamos aprender, muitas vezes da forma mais dura, que quanto maior a altura, maior a queda. Exemplificando de forma melhor pra quem não entendeu. Quanto maior a expectativa, a probabilidade de uma decepção é maior ainda; e isso vale pra tudo na vida, desde aquele iogurte de embalagem bonitinha, a aquela pessoa que você se atraiu no primeiro olhar.

Para o Muse se encaixa essa metáfora. Claro que "Drones" não é um álbum ruim e ele é uma volta ao lado mais básico do power-trio do início da carreira (até a página dois, você entenderá), mas é exatamente daí que vem a inquietação ao ouvir "Drones", mas aqui falta alguma coisa, muita coisa.

Conceitual, "Drones" lida com o recorrente assunto da tecnologia se sobrepondo a humanidade que ainda contém dentro de nós mesmos e do sistema em que todos nós vivemos que prioriza resultados em detrimento do lazer em diversas vezes, ou como o líder Matthew Bellamy declarou "Drones é uma metáfora moderna sobre o que é perder a empatia através da tecnologia moderna, obviamente através da guerra de drones, é possível na verdade fazer coisas horríveis com controle remoto, a grandes distâncias, sem sentir nenhuma consequência, ou até não se sentir responsável de qualquer modo". A faixa de abertura "Dead Inside" dá logo essa dica e a seguinte "Psycho" fala sobre a revolução dentro daquele homem que perdeu a esperança.

Mas voltando a falar da qualidade musical, vou deixar claro de que são somente nove faixas, não doze, pois as outras três são "vinhetas" e/ou dispensáveis. A primeira parte que compreende a a mixtape oitentista "Dead Inside", as cansativas "Psycho" e "Mercy", passando pela ótima "Reapers" que começa à la Van Halen e dá aquela sensação de ter escutado aquele riff por aí em algum lugar, até as repetitivas "The Handler" e "Defector" mostram um álbum de altos e baixos. A partir daí o lado mais progressivo da banda volta a ativa com a "Revolt" que arranca muito do Queen, a melancólica "Aftermath", e a com mais de dez minutos "The Globalist", que alterna momentos que destaca-se a bela voz de Bellamy com um momento de um poderoso riff, mas que no final das contas não salva a música e contrapõe o próprio senso de "anti-megalomania" que "Drones" tem. Pois é, deveria ter ficado nos altos e baixos...

O Muse tem como característica mór o rock de arena e para isso "Drones" funciona muito bem, contanto, o estilo musical muito bem definido que o Muse tem desde o início da carreira mostra aqui um cansaço, como se a banda precisasse se reinventar um pouco nos próximos passos, já que "Drones" acaba se assemelhando bastante a outras músicas de outros trabalhos e dá aquela sensação natural de "já ouvi isso antes". Não, não estou dizendo como fã que isso é ruim, afinal, por eles terem esse estilo peculiar virei fã da banda. Mas o deja vú é inquestionável, portanto vale a crítica.

A impressão é de que "Drones" foi realizado no piloto automático, sem muita consistência e sem muita graça. O álbum pode se amar ou odiar. E a impressão é que se o Muse tivesse concentrado mais no lado básico que eles declararam ter voltado, o álbum provavelmente seria melhor.

Tracklist:

01. Dead Inside
02. [Drill Sergeant]
03. Psycho
04. Mercy
05. Reapers
06. The Handler
07. [JFK]
08. Defector
09. Revolt
10. Aftermath
11. The Globalist
12. Drones

Postado por André Prado
Estudante de publicidade, formado em nerdices em geral, pós graduado em Netflix, e phD em piadas idiotas. Gasto dinheiro em comida e com livros que não tenho tempo pra ler.

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