Resenha CD: Muse - Drones


Na vida costumamos aprender, muitas vezes da forma mais dura, que quanto maior a altura, maior a queda. Exemplificando de forma melhor pra quem não entendeu. Quanto maior a expectativa, a probabilidade de uma decepção é maior ainda; e isso vale pra tudo na vida, desde aquele iogurte de embalagem bonitinha, a aquela pessoa que você se atraiu no primeiro olhar.

Para o Muse se encaixa essa metáfora. Claro que "Drones" não é um álbum ruim e ele é uma volta ao lado mais básico do power-trio do início da carreira (até a página dois, você entenderá), mas é exatamente daí que vem a inquietação ao ouvir "Drones", mas aqui falta alguma coisa, muita coisa.

Conceitual, "Drones" lida com o recorrente assunto da tecnologia se sobrepondo a humanidade que ainda contém dentro de nós mesmos e do sistema em que todos nós vivemos que prioriza resultados em detrimento do lazer em diversas vezes, ou como o líder Matthew Bellamy declarou "Drones é uma metáfora moderna sobre o que é perder a empatia através da tecnologia moderna, obviamente através da guerra de drones, é possível na verdade fazer coisas horríveis com controle remoto, a grandes distâncias, sem sentir nenhuma consequência, ou até não se sentir responsável de qualquer modo". A faixa de abertura "Dead Inside" dá logo essa dica e a seguinte "Psycho" fala sobre a revolução dentro daquele homem que perdeu a esperança.

Mas voltando a falar da qualidade musical, vou deixar claro de que são somente nove faixas, não doze, pois as outras três são "vinhetas" e/ou dispensáveis. A primeira parte que compreende a a mixtape oitentista "Dead Inside", as cansativas "Psycho" e "Mercy", passando pela ótima "Reapers" que começa à la Van Halen e dá aquela sensação de ter escutado aquele riff por aí em algum lugar, até as repetitivas "The Handler" e "Defector" mostram um álbum de altos e baixos. A partir daí o lado mais progressivo da banda volta a ativa com a "Revolt" que arranca muito do Queen, a melancólica "Aftermath", e a com mais de dez minutos "The Globalist", que alterna momentos que destaca-se a bela voz de Bellamy com um momento de um poderoso riff, mas que no final das contas não salva a música e contrapõe o próprio senso de "anti-megalomania" que "Drones" tem. Pois é, deveria ter ficado nos altos e baixos...

O Muse tem como característica mór o rock de arena e para isso "Drones" funciona muito bem, contanto, o estilo musical muito bem definido que o Muse tem desde o início da carreira mostra aqui um cansaço, como se a banda precisasse se reinventar um pouco nos próximos passos, já que "Drones" acaba se assemelhando bastante a outras músicas de outros trabalhos e dá aquela sensação natural de "já ouvi isso antes". Não, não estou dizendo como fã que isso é ruim, afinal, por eles terem esse estilo peculiar virei fã da banda. Mas o deja vú é inquestionável, portanto vale a crítica.

A impressão é de que "Drones" foi realizado no piloto automático, sem muita consistência e sem muita graça. O álbum pode se amar ou odiar. E a impressão é que se o Muse tivesse concentrado mais no lado básico que eles declararam ter voltado, o álbum provavelmente seria melhor.

Tracklist:

01. Dead Inside
02. [Drill Sergeant]
03. Psycho
04. Mercy
05. Reapers
06. The Handler
07. [JFK]
08. Defector
09. Revolt
10. Aftermath
11. The Globalist
12. Drones

Entre tantas coisas que eu penso, na verdade, não tem nada melhor na vida do que meus heróis, um bom rock n' roll, cerveja, fritas, e um bom papo com uma boa companhia.

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