Resenha CD: Trivium - Silence In The Snow


O novo trabalho do Trivium me fez ter uma reflexão e acho que é bom dividir com vocês para melhor compreensão do ponto de vista que quero expor. 

Primeiramente ouça um álbum, qualquer álbum com mente aberta. E sendo justo, não dá e nem posso quantificar talento de uma determinada banda acerca da sua criatividade em se renovar álbum a álbum, a verdade é que tá cheio de bandas que pouco se alteram na sua sonoridade e amamos, vide Motorhead e AC/DC que são os exemplos mais óbvios. Em contrapartida, e é aí o ponto contraditório, exigimos que as nossas bandas prediletas constantemente se reinventem e adquiram novos conhecimentos musicais; contudo, se as mesmas mudam, a maioria dos mesmos fãs cabeçudos reclamam que a mesma acabou mudando e "traindo o movimento". A palavra mudar é um termo extremamente vago e cheio de possibilidades, o bom e ruim são julgamentos extremamente amplos, e o que a banda pode adorar justificando que são novos ares musicais, nós podemos odiar; e vice-versa. Partindo dessa ideia (e acho que muitos integrantes de bandas pensam dessa mesma forma) entendo porque certas bandas "estão pouco se lixando" pois é muito confuso esse paradigma. 

Dizia Zakk Wylde: "Há dois tipos de música, a boa e a ruim". Em suma, o que ele quis dizer que é que complicamos demais tudo ao nosso redor, como a música. Nos prendemos tanto a expectativas e regras que esquecemos de apreciar um álbum, na verdade, a vida.

Posso parecer filosófico demais, mas isso vale pra muitos álbuns que o povo faz questão de odiar como "Host" do Paradise Lost, "Stabbing The Drama" do Soilwork e "Load" do Metallica (o caso mais famoso). Em comum, os três álbuns são pontos fora da curva dentro das discografias das bandas, eles não têm nada (ou pouco a ver) com os trabalhos anteriores e representam uma expansão de influências musicais dos integrantes, afinal, todos nós aprendemos constantemente. Você pode questionar se esses álbuns que citei, como o caso de "Silence In The Snow" do Trivium, são tentativas de se aproximar de certos mercados estratégicos (leia-se americano) e na boa, não tem nada de errado nisso, qual o problema de ser mais pop. É uma porta de entrada, como os livros que viram filmes e acabam mudando suas capas juntamente com o lançamento da película. Mas ei, o Trivium é americano, o que ele está fazendo dentro desse exemplo? Bom, daí vale voltar à aquela questão de expansão de influências musicais.

Em "Silence In The Snow" chega a ser óbvio a mensagem que o Trivium quis passar: "soaremos mais pop, e daí?", tanto que a produção ficou a cargo de David Draiman, vocalista do Disturbed. Sua influencia no som da banda chega a ser enorme em certos momentos no uso constante dos pedais e na exploração do poder vocal de Matt Heafy, que a cada álbum se torna um vocalista cada vez mais versátil. Exemplos vão para a balada (?) "Until The World Goes Cold" e na viciante faixa-título "Silence In The Snow" que mostra exatamente o que você vai se dizer sobre o álbum: "vai ficando cada vez melhor essa porra!"

Essa versatilidade aliada ao conceito mais pop e moderno de David Draiman, propositalmente procurado pela banda para a produção, deu ao Trivium exatamente o que ele queria do seu som: alcançar novos públicos. Bom, para uma banda que na trinca "Shogun", "In Waves" e "Vengeance Falls" conseguiu alcançar o status de uma das maiores bandas da atualidade e do mundo, se arriscar tanto assim em "Silence In The Snow" mostrou-se uma jogada corajosa mostrando que o Trivium não quis se acomodar em seu trono fazendo o "Black Álbum" da nova geração.

Confesso que precisei de várias audições para deixar de "estranhar" "Silence In The Snow", mas depois de umas três audições foi aí que o barco deslanchou. Além da faixa título que começa com Matt deixando claro que aqui ele abandonou totalmente os vocais rasgados de outrora - lembrando muito o que James Hetfield quis fazer em "Load" cantando mais as músicas do que urrando. Mas "Blind Leading The Blind" vêm em seguida lembrando de que o Trivium tradicional está presente, se abrindo a novas perspectivas como "Dead and Gone" e "The Thing That's Killing Me", e despejando petardos como "Breathe In The Flame" e "Cease All Your Fire". Todas as faixas contendo a maior marca registrada do Trivium: os refrões. É impressionante como essa banda sabe compor uma música pra levantar arenas, aliás, com "Silence In The Snow" é exatamente o que o Trivium quis fazer. Sendo BEM mais simples e mais cantarolante - talvez algo que a própria arte da capa quis demonstrar.

Bom, muitos vão torcer o nariz e até com razão, os entendo. Mas se você sempre está afim de ouvir o novo álbum da sua banda predileta e estar disposto a ouvir boa música vinda dela, não coma bola. "Silence In The Snow" é um trabalho de um Trivium cada vez mais seguro de si e cada vez mais ciente do posto em que ocupa no mundo do heavy metal. Escute agora!

Tracklist:

1. "Snøfall" 1:28
2. "Silence in the Snow" 3:40
3. "Blind Leading the Blind" 4:25
4. "Dead and Gone" 3:46
5. "The Ghost That's Haunting You" 4:09
6. "Pull Me from the Void" 3:53
7. "Until the World Goes Cold" 5:21
8. "Rise Above the Tides" 3:54
9. "The Thing That's Killing Me" 3:30
10. "Beneath the Sun" 3:56
11. "Breathe in the Flames" 5:11

Estudante de publicidade, formado em nerdices em geral, pós graduado em Netflix, e phD em piadas idiotas. Gasto dinheiro em comida e com livros que não tenho tempo pra ler.

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