O luto pelo fim do Mega Filmes HD

domingo, novembro 29, 2015


A pirataria sempre terá dois lados: de um lado a visão romântica aponta que toda manifestação de arte deve ser livre, de outro, o lado dramático de que as pessoas que produzem esse conteúdo deixam de lucrar o que poderiam, justamente pra produzir mais conteúdo pra gente e... pra encher os próprios bolsos.

Por avareza ou por uma simples constatação nossa de justiça, nos perguntamos: "por que devo pagar pelo que eu consigo de graça?". Mas o ponto crucial é que quem fornece conteúdo, não faz esse conteúdo chegar a todo mundo; aí o que parece ser ilegalidade, ganha outra visão motivada pelo romantismo e pela 'justiça' social de quem quer chegar até o conteúdo deve conseguir ver o que quer ver ou escutar o que quer escutar sem pagar nada por isso. Só que a batida da Polícia Federal na operação Barba Negra que fechou o site, descobriu que os donos lucravam até 70 mil reais por mês nisso. Lembra do lance romântico de compartilhar pois toda forma de arte deve ser livre? O compartilhar por compartilhar? Pois é, esqueça isso. Há sempre alguém sabendo como lucrar com algo.

A real é que o site que era a "Netflix gratuita" fechou, mas a internet é invencível e os seus usuários arrumarão outra forma de assistirem o que querem. Steve Jobs deu a luz e a dica a indústria com o iPod e o iTunes ao distribuir música por um valor módico porque sabia da força da internet tinha, não era preciso lutar e sim saber jogar, e sabemos ele era um gênio por justamente pegar o que tinha e revolucionar a ideia que tínhamos pra aquele uso. Com o tempo isso se provou. Disseram que os downloads iriam matar indústria, mas o que vemos agora é que não matou, e serviços como o Spotify e o próprio iTunes são um sucesso estrondoso capaz sim de alavancar artistas, e a Adele está aí para não me deixar mentir. O que os engravatados precisam é saberem mexer com o que tem nas mãos. A TV e o cinema são os próximos já que cada vez mais a Netflix se aventura produzindo seu conteúdo próprio.

Nos tempos atuais tudo o que não queremos é dor de cabeça, só queremos sentar no sofá e nosso filme ou série predileta estar ali, o conteúdo vai agora ao encontro da gente sem esforço com um ou dois toques no controle remoto. Tudo evolui e a indústria tem que acompanhar quem a consome, e não ao contrário. É só pagar uma mensalidade e pronto. Essa ideia libertária de serviços como o Spotify e o Netflix só vem ao encontro da sociedade moderna e em como temos que também pensar diferente, principalmente nós aqui do Brasil.

Revoluções podem acontecer, mas as experiências não irão mudar. Você pode baixar de tudo hoje em dia, mas nada troca a experiência de pegar um livro, de ouvir música numa vitrola ou assistir um filme ao cinema. E falando no cinema, fica claro que dessa revolução streaming do conforto de casa, só reforça como estamos fartos de algumas coisas. Além do brasileiro ser alguém mal educado por natureza, junte ao fato da sacanagem que é a extorsão de pagar 40 reais num ingresso 3D com o número crescente de filmes dublados e blockbusters que estreiam a cada semana, roubando salas de filmes que poderiam ser uma opção pra quem não quer navegar nesse barco. Isso vai emputecendo e estragando a experiência de quem realmente se preocupa em ter opções.

Eu não estou sendo pago (quem dera) e nem fazendo propaganda da Netflix de graça, mas pessoalmente acho que pirataria dá trabalho e qualquer um que constantemente faz isso sabe que dá trabalho. Como disse, queremos chegar em casa e não termos dor de cabeça pra procurar assistir alguma coisa, na Netflix tudo está ali, não temos que procurar torrent se preocupando com vírus, e nem se frustrando sincronizando legendas. Temos que dar muito mais valor a um serviço desses que revoluciona a indústria do que ficar lutando horas pra fechar anúncios pra ver um filme com qualidade porca.

Além de poder pagar meros R$ 19,90 por um serviço que te disponibiliza com qualidade realmente HD e sem anúncios uma gama de filmes e séries que você nem sonharia em ter nas mãos, colaborar assinando um serviço on demand ajuda a fortificarmos ainda mais o que pode e está revolucionando a indústria. Foi uma conclusão que tive ao assinar o serviço a dois meses atrás e que você terá ao fazer o mesmo.

A verdade é que a pirataria na palavra fria é errado, mas ela se torna alternativa em países que não fornecem ao seu povo a demanda do que ele precisa, e leia-se dinheiro. É caro pra cacete se manter com tudo original. Queremos agir certo, mas é um absurdo ver um game sendo vendido por mais de 200 reais na prateleira e um CD na plena era do download por 30 reais e ficar sem procurar algo que não judie seu bolso. Tudo depende de ponto de vista e tudo depende do dinheiro, ele acaba sendo no final das contas a razão de tudo. E como disse, a indústria tem que acompanhar seu público e não ao contrário. Bom, se o CEO da HBO disse que Game of Thrones sem a pirataria a série não teria o tamanho que tem, quem sou eu pra julgar?

Postado por André Prado
Estudante de publicidade, formado em nerdices em geral, pós graduado em Netflix, e phD em piadas idiotas. Gasto dinheiro em comida e com livros que não tenho tempo pra ler.

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