Resenha Série: The Flash (1ª Temporada)

quinta-feira, dezembro 24, 2015


Até pela enxurrada de filmes e mais recentemente de séries provocadas pela Marvel, é fácil para o cara um pouco mais leigo em relação ao mundo de super-heróis acabar indo atrás de qualquer coisa que o estúdio lance de novo, até porque da DC tivemos muito pouco nesses últimos tempos, e o que tivemos - à exceção de Batman e Superman - a Distinta Concorrência fracassou bem fracassado (lembram de Lanterna Verde?) na inserção de um universo semelhante à sua concorrente. No entanto, sabendo desse jogo "ganho" a DC foi esperta em decidir primeiro por conquistar um espaço na televisão, lugar aonde a Marvel não tinha investido e que a DC já tinha conquistado um público nos altos e baixos de Smallville.

Nos próximos anos veremos uma luta sangrenta no cinema entre as duas editoras e enquanto isso não acontece, vamos usufruindo de grandes trabalhos na televisão. Enquanto a Marvel optou por um caminho um pouco mais adulto e obscuro se formos olhar para Demolidor e Jéssica Jones, a DC apostou lentamente na formação de um universo que vive dentro de suas séries, e que ao contrário do que sua concorrente escolheu, por enquanto não terá nada a ver com o que veremos nas telinhas. 

De certa forma o que pode ser um passo atrás, isso proporciona uma maior liberdade criativa e de escolhas. Além de uma opção da DC/Warner em ligar uma série a outra - e futuramente quem sabe mais personagens aparecerão -, Arrow apresentou Barry Allen pro mundo antes mesmo de dar tempo pro pessoal mais chato torcer o nariz pra ele, o que foi ótimo para a familiarização do público. 

Séries que tem 23 episódios numa temporada sinceramente não despertam minha confiança, se The Walking Dead tendo 16 numa temporada não consegue manter uma constância que dirá séries tão longas assim? Felizmente The Flash me surpreendeu muito positivamente nesse quesito.


“Passei a minha vida procurando o impossível. Agora, eu me tornei o impossível”.


Em Arrow já tínhamos aprendido que Barry Allen (Grant Gustin) é um cientista forense que trabalha para a polícia de Central City e tem um apreço especial por coisas inexplicáveis, onde ele participa de um episódio convenientemente batizado como "The Scientist", em que Barry ajuda a polícia de Starling City a resolver um caso aparentemente impossível por notar semelhanças com um caso parecido que aconteceu na sua cidade Central City. Essa paixão por coisas inexplicáveis se dá pelo assassinato da sua mãe sob tais circunstâncias culminando na injusta prisão de seu pai, e desde então Barry se dedica a crença do impossível, que seria suficiente para ajudar na inocentação de seu pai, reconstruindo assim parte de sua família.

Após os eventos inexplicáveis de 15 anos atrás, Barry foi adotado pela família Allen formada pelo policial Joe (Jesse L. Martin) e Íris (Candice Patton), a grande paixão da sua vida que ama o parceiro de seu pai na delegacia, o detetive Eddie Thawne (Rick Cosnett). No piloto da série além de sermos apresentados ao cientista nerd Barry, conhecemos as circunstâncias que cercaram o seu acidente. Neste momento passamos a saber que seus poderes foram causados por uma pane do Acelerador de Partículas após seus ligamento e que fora construído pelo genial Dr. Harrison Wells (Tom Cavanagh) e pelos seus fieis parceiros, Dra. Caitlin Snow (Danielle Panabaker) e Cisco Ramon (Carlos Valdes) nos laboratórios S.T.A.R.

Como disse, 23 episódios são um número que deixa uma pulga enorme atrás da orelha em quem assiste, pois abre muitos precedentes para que os roteiristas coloquem aqueles episódios que servem só para distrair seu público e arrastar mais um pouco a construção da temporada; uma decisão que desafia a capacidade crítica do espectador e irrita qualquer um. Mas felizmente The Flash não seguiu esse caminho e chamou atenção justamente pelo contrário, apresentando uma história central bem interessante mesclada a um clima episódico que deixou a série bem leve e divertida pra se assistir. 

Essa sensação de história em quadrinhos se dá pelo entrosamento do elenco e principalmente por Grant Gustin, um ex-Glee, ter se encarnado tão bem com o herói (que em relação ao humor, é praticamente uma cópia do cabeça de teia - ou seria ao contrário?). Outro personagem fundamental para a história é o Dr. Harrison Wells, que encarnado por Tom Cavanagh teve uma perfeita construção da sua dúbia personalidade misteriosa aliada uma paternalidade com Flash, Caitlin e Cisco que nos faz ao mesmo tempo amar e muitas vezes odiar o personagem.

Enfim, toda boa série de heróis tem que ter bons vilões, e isso em The Flash sobra. Após a explosão do Acelerador de Partículas seria natural que a larga maioria dos afetados não teriam a boa índole de Barry Allen, então para dar o tom episódico da série, eles aparecem para causar aventuras do barulho para o pessoal dos laboratórios S.T.A.R. e para a polícia de Central City. Logicamente o nêmesis de Flash é o Flash Reverso, mas vale dar uma atenção especial para o "Capitão Frio" (Wentworth Miller) que curiosamente não têm poderes, mas tem em posse uma arma capaz de derrotar até o Flash e com idas e vindas permanece presente ao longo de uma grande parte da temporada, e pro Nuclear Man que tem uma concepção realmente interessante.

Com uma trama leve, divertida, com ótimos personagens, viagens do tempo e crossovers com Arrow mas se distanciando de qualquer comparação que possa surgir entre as duas séries. The Flash tem uma história surpreendente recheada de efeitos especiais (ver as corridas entre o Flash e o Flash Reverso é um show à parte) e é uma série obrigatória para quem gosta de ver seu herói predileto crescer e aprender o peso de sua responsabilidade, recomendadíssima para os amantes dos super-heróis em geral e até para os que torcem o nariz a ouvir essa palavra, afinal quem não gosta de assistir algo divertido e ao mesmo tempo tão heróico? 

Postado por André Prado
Estudante de publicidade, formado em nerdices em geral, pós graduado em Netflix, e phD em piadas idiotas. Gasto dinheiro em comida e com livros que não tenho tempo pra ler.

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