Ser babaca não é ser engraçado, viu Pânico?

quarta-feira, dezembro 09, 2015


Se você não mora no meio do mato, deve ter percebido que a internet foi tomada de assalto pela lamentável matéria do Pânico na Band na Comic Con Experience, causando o banimento da equipe de todas as futuras edições do evento. Bom, até aí nenhuma novidade, pois o Pânico é PhD em mandar uma bunda enorme com um par de peitos com um zé ninguém para fazer piadinhas sem graça aonde quer que aconteça um evento, mas dessa vez na CCXP passou dos limites do bom senso.

Assista a matéria abaixo caso você não tenha visto:


Primeiramente, claro que não vou ser hipócrita, humor tem sim que passar por desrespeitoso às vezes fazendo piada de algum defeito ou mesmo de algum esteriótipo, mas sobretudo tem que também se prestar a um tratamento de igualdade e de respeito. O tal bom senso. Saca o seu amigo deficiente sem uma mão da qual você tem intimidade pra dizer a ele "dá uma mão aqui?", creio que até ele faça piada consigo mesmo com a situação. Penso que humor é humor quando não se é apelativo, quando iguala a condição das pessoas, e quando não se é desrespeitoso. É difícil explicar o que é humor e qual o limite dele (nem é o caso aqui), mas temos certeza que bullying é coisa séria e preconceitos também no mundo em que vivemos.

Pode-se acompanhar na matéria várias tosquices. Além o Pânico mandar um zé ninguém chamado Lucas "Selfie" e um par de peitos pra cobrir o maior evento nerd/geek do Brasil - o que mostra a total indolência e amadorismo da produção do programa que está mais preocupado na piada e na audiência provocada pela bunda da panicat -, mostraram na matéria também uma total falta de responsabilidade e de bom senso em mexer com jovens que estão em seu ambiente de diversão tratando-os como gente infantil desprovida de inteligência e de namorado(a) simplesmente por gostarem de celebrar seus personagens da cultura pop, construindo assim para seu público na maioria adolescente a imagem de que é certo esse tratamento se eles encontrarem alguém assim na rua. Já encheu o saco essa piada do "nerd virgem" mais do que a "do pavê ou pra comê, e essa ainda é de bom senso.

Sem contar o mico mór de poder ter a honra de apertar a mão do Frank Miller, e acabar perguntando o que ele bebeu pra ter a inspiração pra criar o Batman (sendo que Bob Kane criou o personagem), me fazendo ter vontade de bater na porta da Band no Morumbi pra socar aquela mina burra. Bom, se eu fosse jornalista ou mesmo se alguém me enviasse pra fazer uma matéria iria me informar pelo menos um pouco do assunto pra não passar vergonha, começa por aí. Fora as piadinhas sem graça alguma que deixavam os próprios "entrevistados" realmente sem graça porque se percebia logo que a piada em si era só pra ofender, até o puro desrespeito de lamber uma garota por causa de seu "bronzeamento mal feito" num Cosplay (que é fantasia pra eles) bem feito da Estelar, integrante do Jovens Titãs, incitando um verdadeiro assédio moral. Aliás, gostei da resposta do Felipe Castanhari que disse não ter o ego de ficar famoso, querer aparecer, o que o Pânico sempre quer da pior forma.

Bom, acredito que para qualquer veiculação de alguma matéria televisiva é enviado alguém que entende do assunto, ou que mesmo sendo um programa humorístico em sua índole, busque minimamente apresentar ao público o ambiente a que se propõe a cobrir e que tenho certeza que grande parcela do seu público não conhece. Enfim, o Pânico nunca se levou a sério, aliás já ultrapassou o limiar do ridículo e apelativo diversas vezes, porém como programa de televisão ele tem sim alguma responsabilidade, e simplesmente se prestar a fazer humor apelando a chacotas e preconceitos não é o caminho de quem diz que procura ter alguma seriedade. 

O Omelete logo após o ocorrido soltou uma nota de repúdio ao acontecido cheia de elegância e digna de aplausos: "O Omelete, que integra a organização da CCXP, repudia com indignação a postura inaceitável do Pânico na Band porque ela desmancha esse encanto do qual depende qualquer convenção de cultura pop. Mas os cosplayers, os nerds, os gamers, os cinéfilos e os leitores de quadrinhos são maiores, mais unidos e mais fortes. E um dia o contrato social de tolerância que estabelecemos dentro dessas convenções vai se espalhar porta afora, como um coro". E o Pânico oficialmente deve apenas se pronunciar cheio de razão sobre a liberdade de expressão através do Emílio Surita nesse próximo domingo, mas revolta mesmo a parte dos repórteres e da própria produção que não está nem aí para o tipo de piada que fazem. 

Obviamente não está em jogo brincar e sim ofender, o que costumeiramente o Pânico sempre fez nas suas matérias, e que o repórter Lucas "Selfie" Maciel com suas declarações no twitter do tipo "desculpa, fiz merda" deixa transparecer: 


Não tenho nenhuma dúvida que daqui a duas semanas o assunto será esquecido e o Pânico voltará com suas matérias desrespeitosas e sem graça nenhuma procurando a fazer a alegria da audiência de milhões que vão achar perfeitamente normal tais tipos de tratamentos. Sou alguém que costuma brincar e fazer piadas sem noção, e que sim, já assistiu ao Pânico a muito tempo atrás pois dava risadas de algumas das suas atitudes sem noção. Porém o que se vê é que hoje em dia o Pânico só se sujeita a cavar sua própria sepultura com um humor louco entre seus integrantes, mas que não tem nada de inteligente ao tentar conversar decentemente com alguém. E isso não é uma declaração de um adulto, mas um jovem de 26 anos que admira a cultura nerd tanto quanto esse pessoal que foi na CCXP. é pra mim um puta orgulho o que o pessoal do Omelete está fazendo dando espaço pra que esse pessoal veja seus ídolos e sinta mais incluído em seu país.

Como a internet é rápida e revoltada, não demorou muito para que uma petição fosse criada para tentar retirar o programa do ar. Até o momento temos umas 20 mil assinaturas e o objetivo é alcançar as 70 mil. Então se você quiser assinar clique aqui.

Postado por André Prado
Estudante de publicidade, formado em nerdices em geral, pós graduado em Netflix, e phD em piadas idiotas. Gasto dinheiro em comida e com livros que não tenho tempo pra ler.

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