Sobre o trailer do Capitão América: Guerra Civil: A Marvel acertou (por enquanto).

Esse pôster não é oficial, mas bem que poderia ser!
Dá pra falar muita coisa do trailer do aguardado trailer do terceiro filme do Capitão América: Guerra Civil, mas acho mais acertado dizer que a Marvel aprendeu com seus erros.

A enxurrada de fotos e trailers do Vingadores: A Era de Ultron saciou a ansiedade dos fãs, contudo cavou a própria sepultura do filme: já sabíamos de tudo. Já sabíamos de cada movimento, do que espera, do andamento do roteiro, da luta do Hulkbuster contra o grandão verde, até dava pra saber como o Thor iria sumir por um tempo e não só pra onde ele iria... só não sabíamos da morte do Mercúrio e pra onde ia o Hulk.

Para deixar claro, eu gostei bastante do filme e ele é importante para entender o andamento do Universo Marvel, dos fatos e consequências que se mostram nesse filme do Capitão América que dá pra chamar de um Vingadores 2,5 por assim dizer. Mas sinto dizer, fora o "evento" orgásmico que é assistir um filme dos Vingadores, infelizmente como um filme ele é dispensável em si. Não tem o frescor de novidade do primeiro e nem a imprevisibilidade que um segundo filme de qualquer franquia pede.

Trailers são um problema no mundo atual e na internet que não perdoa falta de novidades, e penso que cada vez mais produtores e diretores tem que saber trabalhar com isso. Quando a gente fala que dá pra resumir um filme somente pelo trailer não é um exagero e não é porque um filme é necessariamente ruim, os trailers deixaram de ter aquele braço forte de mistério e curiosidade na divulgação pra um simples amontoado de trechos que no final das contas acabam contando o filme. Até hoje fico pensando em como pôde a Paramount entregar de lambuja o plot twist de que John Connor era um Exterminador. Não é à toa que o filme foi um fracasso e os outros Terminators planejados foram engavetados.

Teasers de teasers, teasers trailers, trailers 1, 2 e 3, a divulgação de centenas de fotos do set... A moral da história é que se eles, e você principalmente, não souber como trabalhar com esse tanto de material que é enfiado guela abaixo nos Facebooks alheios, qualquer filme acaba perdendo a graça. Levante a mão quem admite que foi ver no cinema Vingadores: A Era de Ultron muito mais pelo "evento" e pela ansiedade do que de vontade própria. Pois é, imaginei sua resposta. E ah, antes que você diga que os filmes de heróis tem que ser fiéis aos quadrinhos, a minha resposta é não, não tem que ser. Esse é o fator surpresa que nos faz querer acompanhar os filmes do estúdio, não são simplesmente os heróis.

Talvez eles aprenderam com J.J. Abrams e seu Star Wars que a cada sinal de vida enche os corações de todos, nesse trailer eles souberam trabalhar com a ansiedade dos fãs sem entregar o que eu queria, e souberam fazer mistério sem a ansiedade natural de mostrar a dezena de personagens que fazem parte desse jogo, algo que vimos no segundo filme dos Vingadores. Soube deixar claro que este filme é do bandeiroso e não uma espécie de Vingadores 2,5 pela quantidade de personagens que o filme terá. O show é do Capitão e fico muito feliz com isso.

Não viu ainda o trailer? Ah, faça o favor...



Com um trailer muito mais comedido falando sobre toda a merda que rolou nos dois filmes dos Vingadores, e no próprio Capitão América: Soldado Invernal, que refletia bem a quebra dos conceitos que o Capitão tinha sobre o seu país e o mundo, a Guerra Civil vai muito além da simples pancadaria que muitos esperavam nesse trailer. Entra no teor atual da insegurança política, da incerteza da população sobre quem as protege e da interpretação da liberdade contraposta por Tony Stark e Steve Rogers.

Sobre isso, vi uma postagem hoje em meu Facebook criticando quem defende a liberação das armas e que é um assunto que vai bem de encontro com o limiar entre a invasão pessoal causada pela limitação da liberdade e que contrapõe justamente com a necessidade de segurança, tema do filme. A pergunta é: porque eu não posso ter a liberdade de escolha em não ter uma arma? E a resposta mais simples é: porque tem muitos idiotas. Imagine a polícia que nos defende (mal inclusive) ter que nos defender de nós mesmos? Imagine o número de idiotas que farão o que bem entendem porque tem uma arma nas mãos e o quanto de pessoas irão ferir de forma gratuita? Já temos facas em casa, então iamgine armas de fogo? Já dizia Tio Ben que grandes poderes requerem grandes responsabilidades e é natural que pela segurança, a gente queira que há limites. Governos só existem justamente por isso, para cada um não fazer o que bem entende.

Tony Stark sofreu muito com isso, vimos em Homem de Ferro 3 e nos dois Vingadores o que a liberdade, mesmo que usada em favor da correção e da vida, causou, provocando sua queda em seu terceiro filme e o que sua ambição desenfreada na criação de uma inteligência artificial como Ultron causou levando um país inteiro pelos ares. Ele da forma mais dura abriu mão da sua liberdade e entendeu que devem ter limites, e que ele não soube impor limites.

Já Steve Rodgers se ausentou do mundo por setenta longos anos, o choque cultural não foi só quando ele saiu na Times Square e viu todos aqueles painéis luminosos que não existiam na década em que ele conhecia, mas em perceber que o mundo não é mais aquele em que ele simplesmente se vestia com a bandeira americana e dava umas porradas no Hitler para agradar a nação, não, as coisas não são mais tão simples. Acompanhamos isso em Soldado Invernal quando ele viu a S.H.I.E.L.D. se desintegrar em seus pés, e quando ele se viu desprotegido e tratado como um mero justiceiro combatendo aquele que fora seu grande amigo.

Capitão América: Guerra Civil se trata desse conflito e o trailer mostrou bem isso na minha opinião, deixando claro de quem é o filme e o tesão de fã de querer ver logo o Capitão quebrar o pau com o Homem de Ferro, o que atrapalha qualquer produção (que diria The Walking Dead). O filme não se trata só disso, não é só isso.

Parabéns Marvel!

E ah, tenhamos paciência. =D

Estudante de publicidade, formado em nerdices em geral, pós graduado em Netflix, e phD em piadas idiotas. Gasto dinheiro em comida e com livros que não tenho tempo pra ler.

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