Resenha Filme: O Ilusionista


Baseado no conto "Eisenheim, The Illusionist" escrito por Steven Milhauser, o "O Ilusionista" se passa na Viena do século XIX e conta a história de um camponês chamado Eduard Abramovich, que graças a um encontro com um mágico na estrada se tornou um apaixonado pelo ilusionismo. Ainda jovem, ele acaba cruzando o caminho de uma linda menina chamada Sophie que encantada por Eduard e seus truques acaba o seguindo até a sua casa. No entanto, mais tarde, nós, Eduard e até a inocente garota acabamos descobrindo de que ela pertence a aristocracia local e que eles são impedidos de ter uma amizade por isso. Mas mesmo com todas essas diferenças, a amizade e amor entre os dois é mais forte.

Quinze anos depois, quando Eduard, após viajar pelo mundo aprimorando a sua magia, resolve retornar à cidade com a alcunha bacanuda de "Eisenheim" fazendo se apresentações em um grande teatro em Viena com truques impressionantes como fazer crescer uma laranjeira em questão de segundos (prestem atenção na laranjeira). Naturalmente tais apresentações provocaram a curiosidade do cético príncipe Leopold. e a seu pedido, o mágico é convidado a fazer uma apresentação fechada diante da nobreza. Certo de que seus truques não passavam de fraude, Leopold armou a apresentação disposto a desmascará-lo. porém, ele acaba sendo humilhado na frente de todos provocando a sua ira.

Para piorar a situação dele, a forte relação entre Eisenheim e a agora Duquesa von Teschem (Jéssica Biel), ou simplesmente Sophie foi revivida após o encontro repentino que o príncipe-herdeiro Leopold (Rufus Sewell) armou e eles acabam inciando um romance as escondidas. Desconfiado sobre os repentinos encontros, o príncipe delega a seu braço-direito, o inspetor Uhl (Paul Giamatti) para investigar tais encontros e expor a "verdade" sobre o trabalho de Eisenheim a todo custo, mesmo que isso signifique dar um fim ao mágico e até a Sophie, que pertencendo à realeza Húngara, faz parte de seus planos para chegar a coroa.

"Nada é o que parece ser", talvez essa frase que está no pôster é a que ficou mais presa em minha mente após assistir ao longa. O que é realmente a ilusão? Claro que o jogo de gato e rato entre Heisenheim e o príncipe Leonard são bem claras, mas a principal motivação de "O Ilusionista" é a verdade e revelar a supressão dela em favor da realeza, mas acima de tudo superá-la. E para isso é necessária uma boa dose de ilusionismo.

Com um trabalho de fotografia simplesmente fantástico captando a arquitetura gótica da cidade de Praga (que serviu de cenário para representar Viena) e com uma trilha sonora simplista e extremamente eficiente em passar suspense e dramaticidade, nada poderia ser feito em "O Ilusionista" se não fosse a atuação mais uma vez impecável de Edward Norton (um dos maiores atores de nossa geração) que nos hipnotiza em cada cena com seu seus gestos, o seu olhar, e sua fala mansa e de poucas palavras que passam toda a credibilidade de seu papel, sem exageros, como o resto do elenco principal formado por Rufus, Jéssica e Giamatti.

O grande mérito de "O Ilusionista" é ser muito bem construído em seus personagens e misterioso na sua história a todo o momento, poupando falas e didatismo. O diretor Dick Pope com seus planos sempre escuros nos colocou diante da magia, mas transportou a magia a própria história, mesclou realidade com sonho e a crença com a descrença, não deixando a gente tirar os olhos do filme e nos fazendo imergir esperando um final completamente diferente do que imaginávamos, mas que faz jus perfeitamente ao título do filme: "O Ilusionista".

Estudante de publicidade, formado em nerdices em geral, pós graduado em Netflix, e phD em piadas idiotas. Gasto dinheiro em comida e com livros que não tenho tempo pra ler.

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